O comediante Tim Dillon, conhecido por seu humor ácido e posições libertárias, não poupou críticas aos que se escandalizaram com o novo anúncio da atriz Sydney Sweeney para uma marca de roupas íntimas. Em publicação no Twitter, Dillon escreveu: 'Pessoas estão realmente chateadas com um comercial onde uma mulher adulta aparece de lingerie? Que loucura é essa?'. A postagem viralizou, acumulando mais de 200 mil curtidas em poucas horas.
O comercial em questão, veiculado durante um programa de grande audiência nos Estados Unidos, mostra Sweeney em poses sensuais, mas sem nenhum conteúdo explícito. A reação negativa partiu de grupos conservadores e de alguns setores do feminismo, que alegaram 'coisificação' da mulher e 'mau exemplo' para jovens. Dillon, no entanto, classificou a polêmica como um sintoma de uma sociedade que perdeu o senso de proporção.
O contexto é revelador: a indústria do entretenimento e da publicidade sempre usou o apelo visual como ferramenta de marketing. De Marilyn Monroe a Kim Kardashian, o corpo feminino foi e continua sendo um ativo comercial legítimo. A diferença, segundo Dillon, é que hoje qualquer campanha minimamente ousada vira alvo de uma cruzada moralista que mistura puritanismo com censura digital.
Por que isso importa? Porque a liberdade de expressão comercial está na base do capitalismo. Uma empresa tem o direito de contratar uma atriz adulta e consentida para promover seu produto. Se o público não gosta, tem o direito de não comprar. Mas tentar silenciar o anúncio via pressão nas redes ou boicote organizado é um ataque ao livre mercado. Dillon, em entrevista ao podcast 'The Joe Rogan Experience', reforçou: 'As pessoas agem como se a Sweeney fosse uma criança. Ela tem 26 anos, é uma profissional. Se você não quer que seus filhos vejam, controle o conteúdo que eles consomem, não o que os outros produzem'.
Na análise FORTIS, a reação ao comercial revela uma contradição profunda no discurso progressista. De um lado, defende-se a 'autonomia corporal' e o 'empoderamento feminino' — mas apenas quando a mulher se veste de acordo com a cartilha moral vigente. Sydney Sweeney, que também é produtora e empresária, exerceu sua liberdade de escolha. Criticá-la por isso é, no mínimo, hipócrita. O livre mercado não exige que todos gostem de todos os produtos; exige que a troca voluntária seja respeitada.
Contraponto: alguns argumentam que a publicidade sexualizada contribui para a objetificação da mulher e para padrões irreais de beleza. Embora essa preocupação exista, a solução não é censurar anúncios, mas educar o público e promover diversidade de representações. O mercado já responde a demandas: marcas que investem em campanhas mais inclusivas também lucram. A diferença é que ninguém tem o direito de ditar o que é aceitável para todos.
Por Renan Filho · 2026-09-20