A co-apresentadora do programa The View, Sunny Hostin, voltou a agitar as redes sociais nesta semana ao declarar que seus filhos sofreram racismo em escolas particulares de elite nos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, a comentarista afirmou que as crianças foram alvo de microagressões e exclusão por serem negras em um ambiente majoritariamente branco. A declaração, claro, gerou uma onda de solidariedade entre os progressistas e de ceticismo entre conservadores.
Mas a pergunta que ninguém no circuito liberal quer fazer é simples: se a escola privada é tão racista, por que uma mulher que ganha milhões de dólares por ano na ABC não simplesmente tirou os filhos de lá? Hostin não é uma mãe de baixa renda presa a um distrito escolar falido. Ela é uma das vozes mais bem pagas da televisão americana. Seus filhos estudam em instituições que custam dezenas de milhares de dólares por ano — um luxo que 90% das famílias americanas, negras ou brancas, jamais terão.
O contexto é essencial aqui. Hostin, que se autodeclara uma voz da justiça racial, construiu sua carreira atacando o que chama de supremacia branca estrutural. Mas, ao mesmo tempo, escolheu para os próprios filhos exatamente o tipo de ambiente que ela diz perpetuar essa supremacia. Se a escola privada é um covil de racismo, a resposta lógica seria a retirada imediata das crianças. Em vez disso, ela prefere manter os filhos lá e usar a queixa como combustível para sua persona de vítima — uma estratégia conhecida no manual da esquerda identitária.
E aqui entra a análise FORTIS. A elite progressista americana descobriu que o vitimismo é um ativo financeiro. Ser vítima de racismo em uma escola de US$ 50 mil por ano não é uma denúncia — é um produto. Sunny Hostin vende indignação para o público do The View, que consome essa narrativa como entretenimento matinal. Enquanto isso, seus filhos continuam matriculados, recebendo uma educação que a maioria das crianças negras americanas só pode sonhar. O racismo que ela denuncia não a impede de pagar a mensalidade. O preço, aparentemente, não é um obstáculo. A cor é.
O contraponto também precisa ser dito. É possível que Hostin esteja relatando experiências reais de seus filhos. Microagressões existem, e crianças podem ser cruéis em qualquer ambiente. Mas a falácia está em transformar um caso isolado em uma condenação sistêmica das escolas privadas. Se o problema fosse estrutural, todas as crianças negras nessas escolas teriam experiências idênticas. Há milhares de famílias negras americanas que escolhem escolas particulares justamente por causa da qualidade do ensino, da disciplina e da segurança — valores que a esquerda despreza quando vem de brancos, mas abraça quando a mensalidade é alta o suficiente.
O que Hostin realmente expõe é a hipocrisia da classe progressista. Ela quer o melhor para seus filhos — e faz bem. Mas quer, ao mesmo tempo, manter o discurso de que o sistema privado é inerentemente racista. Não se pode ter as duas coisas. Ou a escola privada é o problema, ou é a solução. Se é o problema, que ela retire os filhos e os matricule em uma escola pública de Nova York, como ela certamente recomendaria a qualquer mãe negra que lhe escrevesse pedindo conselhos. Se é a solução, que ela reconheça que o livre mercado educacional oferece opções superiores, inclusive para minorias.
O mercado, aliás, é o grande silenciado nesse debate. Sunny Hostin poderia usar sua plataforma para defender a expansão de bolsas de estudo para crianças negras de baixa renda em escolas privadas. Poderia advogar por vouchers educacionais, que permitiriam que milhões de famílias negras escolhessem a mesma qualidade de ensino que ela exige para os filhos. Mas não. O que ela faz é chorar em rede nacional enquanto mantém o privilégio — e o privilégio, quando é dela, não é racista.
A verdade desconfortável é que o racismo que Sunny Hostin diz combater é, na prática, seu melhor argumento de venda. Racismo virou moeda corrente na esquerda americana. Cada denúncia, cada lágrima, cada microagressão é convertida em audiência, patrocínio e relevância política. E as crianças? Elas são apenas figurantes nesse teatro — usadas como prova viva de que a América é um país racista, mesmo quando a mãe ganha US$ 8 milhões por ano e escolhe a escola onde elas estudam.
Por isso, caro leitor, não se deixe levar pela narrativa. Quando uma celebridade milionária chora racismo em uma escola privada, olhe para os fatos: ela está lá porque quer. E se está lá, o sistema funciona — para ela. O racismo que ela denuncia é o mesmo racismo que ela paga para os filhos vivenciarem, ano após ano, em nome de um salário na ABC. Se o problema fosse real e insuportável, as matrículas teriam sido canceladas na primeira lágrima. Mas não foram. Porque lacração paga mais que convicção.
O que os EUA precisam, mais do que lágrimas de celebridades, é de um sistema educacional que ofereça escolhas reais para todas as famílias, independentemente da cor. A liberdade de escolha — não a queixa identitária — é a verdadeira arma contra a desigualdade. Sunny Hostin, com sua fortuna e sua plataforma, é a prova viva disso. Ela escolheu a melhor escola possível para os filhos. O que falta é ela admitir que essa escolha é um direito que todas as mães americanas deveriam ter — e que a esquerda, com sua defesa do monopólio estatal na educação, trava todos os dias.
No fim, a história de Sunny Hostin é menos sobre racismo e mais sobre privilégio disfarçado de militância. É sobre uma mãe que quer o melhor para os filhos, mas não consegue admitir que o melhor está no mercado — não na pauta. E enquanto ela não resolver essa contradição, suas lágrimas serão exatamente o que parecem: um espetáculo para consumo público, com mensalidade inclusa.
Por Renan Filho · 2026-09-21