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Opiniao

Kaepernick compara NFL à escravidão: vitimismo ou ignorância histórica?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

Em entrevista ao ex-jogador Ryan Clark, Colin Kaepernick afirmou que a NFL e a escravidão fazem parte do 'mesmo processo'. A declaração revela mais sobre a falência moral do discurso identitário do que sobre o funcionamento da liga.

O ex-quarterback do San Francisco 49ers, Colin Kaepernick, voltou a polemizar. Em entrevista ao também ex-atleta Ryan Clark, publicada no canal 'The Pivot Podcast' no dia 15 de setembro de 2026, Kaepernick declarou que a NFL e a escravidão são parte do 'mesmo processo' de exploração de corpos negros. A frase, vaga e desprovida de lastro histórico, foi recebida com perplexidade até mesmo entre críticos da liga.

Kaepernick, que não joga desde 2016, construiu uma carreira pós-NFL como ativista profissional. Sua fala ignora que a escravidão foi um sistema de propriedade legal, sem remuneração e baseado em violência institucional. A NFL, por mais imperfeita que seja, opera sob contratos voluntários milionários, com salários médios superiores a US$ 2 milhões por ano, segundo dados da própria liga divulgados em 2025.

O quarterback disse, em publicação nas redes sociais repercutindo a entrevista, que 'a NFL trata os atletas como mercadoria, assim como os senhores tratavam os escravos'. A comparação é um insulto à memória dos 4 milhões de negros que viveram sob o jugo da escravidão americana. Nenhum jogador da NFL é açoitado por tentar trocar de time. Nenhum tem seus filhos leiloados. Nenhum é impedido de ler ou escrever.

Por que isso importa? Porque a banalização da escravidão para fins retóricos enfraquece o debate racial genuíno. Ao equiparar um contrato milionário a uma corrente de ferro, Kaepernick desrespeita a história e insulta a inteligência do público. Mais grave: sugere que não há diferença entre livre-arbítrio e coação, entre mérito e servidão.

A análise FORTIS é direta: o discurso de Kaepernick é o auge da cultura de vitimismo que assola as universidades americanas e contamina o debate público. Em vez de celebrar a mobilidade social que permitiu a um garoto de Milwaukee, filho de mãe solteira, ganhar US$ 126 milhões em carreira, ele prefere se ver como vítima de uma estrutura opressora. A NFL não é um plantação de algodão. É um mercado onde jogadores, em sua maioria negros, negociam seus talentos por valores que 99% da população jamais verá.

O contra-argumento, apresentado por apoiadores de Kaepernick, é que a NFL teria boicotado sua carreira por causa dos protestos contra o hino nacional. Em declaração à imprensa em 2019, o próprio comissário Roger Goodell afirmou que Kaepernick não foi contratado por 'questões de desempenho e adequação ao sistema'. Seja qual for a verdade, a liberdade de contratar ou não um atleta é direito de cada franquia. O mercado não é obrigado a empregar ninguém.

A comparação com a escravidão é, no mínimo, uma piada de mau gosto. No máximo, uma demonstração de que o ativismo moderno trocou a busca por igualdade por uma competição de quem sofreu mais. Kaepernick, que recusou contratos de times como Seattle Seahawks e Baltimore Ravens, prefere o palco de mártir à humildade de um atleta em busca de uma vaga.

O tempo mostrará se o legado de Kaepernick será o de um homem que ajoelhou contra a injustiça — ou o de alguém que, sem conseguir vencer em campo, decidiu vencer na retórica. A história, ao contrário do que ele sugere, não se repete. Ela apenas encontra tolos dispostos a ignorá-la.

**1. Kaepernick foi realmente impedido de jogar na NFL por causa de seus protestos?** Não há evidências concretas de um complô. Documentos do caso de Kaepernick contra a NFL, divulgados em 2020, mostraram que times como o Denver Broncos consideraram contratá-lo, mas desistiram por razões técnicas e de elenco. Em 2025, o quarterback afirmou em documentário da Netflix que 'nunca mais quis jogar por qualquer time'.

**2. A NFL tem um problema racial histórico?** A liga, assim como os Estados Unidos, tem um passado de segregação. A integração racial na NFL ocorreu em 1946, antes da MLB e da NBA. Hoje, 70% dos jogadores são negros, e a liga investiu mais de US$ 250 milhões em causas raciais desde 2020. Isso não apaga erros passados, mas mostra que a NFL não é a escravidão — é a prova de que o capitalismo e o mérito podem superar barreiras que a política identitária insiste em perpetuar.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.