FORTIS
← FORTIS
Opiniao

Joy Behar insiste: EUA não elegerão uma mulher presidente — e a esquerda não entende o porquê

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

A apresentadora do The View voltou a afirmar que o país não está “maduro” para uma presidente mulher. A declaração expõe o fracasso da identidade política e a falta de propostas reais da esquerda americana.

Joy Behar, uma das apresentadoras do programa The View, da ABC, decidiu dobrar a aposta em uma tese que já havia gerado polêmica meses atrás: os Estados Unidos, segundo ela, jamais elegerão uma mulher para a presidência. Em um episódio recente, Behar afirmou que o país “não está pronto” para uma líder feminina, independentemente de quem seja a candidata. A declaração foi feita durante um debate sobre uma eventual nova candidatura de Kamala Harris.

A fala de Behar não surgiu do nada. Em agosto de 2024, durante a campanha eleitoral, ela já havia dito que o sexismo impediria Harris de vencer Donald Trump. Na ocasião, foi criticada até por aliados democratas, que consideraram o comentário derrotista. Agora, em setembro de 2026, Behar repete a cartilha: “Vocês podem colocar qualquer mulher ali — não importa. O país não vai eleger uma presidente mulher”, declarou, segundo transcrição divulgada pelo próprio programa.

O contexto é crucial. Após a derrota de Harris para Trump em 2024, o Partido Democrata tenta se reinventar. Algumas vozes sugerem que a identidade de gênero e raça de Harris foi um obstáculo intransponível. Behar, ao ecoar essa visão, acaba reforçando o discurso de que a esquerda precisa abandonar a “política identitária” e focar em propostas econômicas e de liberdade individual. Mas ela mesma não parece disposta a fazer essa autocrítica.

Por que isso importa? A insistência de Behar revela um profundo descolamento da realidade. Se os EUA não elegem uma mulher presidente, a culpa não é do “sexismo estrutural”, mas sim da falta de candidatas que ofereçam algo além de slogans identitários. Margaret Thatcher, por exemplo, foi primeira-ministra do Reino Unido por mais de uma década — e não era exatamente uma progressista. O que ela tinha? Clareza de ideias, coragem e defesa intransigente do livre mercado.

No Brasil, Dilma Rousseff foi presidente, mas seu governo foi marcado por intervencionismo estatal e corrupção. Ou seja, gênero não é a variável determinante. O que define o sucesso de uma candidatura é a capacidade de apresentar soluções reais para os problemas da população. Nos EUA, Harris falhou exatamente por isso: sua campanha foi um amontoado de pautas identitárias e promessas de gastos públicos que afugentaram o eleitor médio.

A análise FORTIS é direta: a esquerda americana está presa a uma narrativa de vítima que a impede de competir em pé de igualdade. Ao afirmar que uma mulher nunca será eleita, Behar e seus aliados criam uma profecia autorrealizável. Em vez de defenderem candidatas que sejam capazes de defender o empreendedorismo, a redução de impostos e a liberdade econômica, preferem choramingar sobre um teto de vidro imaginário. O verdadeiro teto de vidro é a falta de propostas que dialoguem com o cidadão que quer paz, prosperidade e menos Estado.

Contraponto: é claro que há vozes que discordam. Organizações feministas como a Emily’s List argumentam que o sexismo ainda é um fator real nas urnas. Citam pesquisas que mostram que eleitores independentes tendem a avaliar líderes femininas com mais rigor. Mas esses mesmos estudos ignoram que a maioria das mulheres eleitas para cargos executivos nos EUA são republicanas — como as governadoras Sarah Palin (Alasca) e Kristi Noem (Dakota do Sul). Ou seja, quando a candidata defende princípios conservadores e liberais, o eleitorado responde bem.

O debate, portanto, não é sobre gênero, mas sobre mérito e conteúdo. Enquanto a esquerda continuar apostando em candidatas que priorizam pautas identitárias em detrimento de liberdade econômica e responsabilidade fiscal, o resultado será sempre o mesmo — com ou sem mulher na chapa. Joy Behar, ao repetir seu mantra, presta um desserviço não apenas às mulheres, mas a todo o eleitorado que espera liderança de verdade.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.