Nos últimos meses, um esquema sofisticado tem lesado milhares de americanos: golpistas compram anúncios no Google Ads que imitam páginas legítimas de bancos como Chase, Bank of America e Wells Fargo. Ao clicar no anúncio, o usuário é levado a um site idêntico ao oficial, mas controlado por criminosos. As credenciais fornecidas são capturadas e usadas para drenar contas. Segundo relatório da empresa de segurança cibernética Malwarebytes, divulgado em julho de 2026, o volume desses anúncios fraudulentos cresceu 340% em relação ao ano anterior.
O golpe não é novo, mas ganhou escala com a automação de compras de anúncios e a dificuldade do Google em verificar a identidade de anunciantes. Em nota oficial à imprensa, a gigante de Mountain View afirmou que removeu mais de 200 milhões de anúncios fraudulentos em 2025 e que investe em inteligência artificial para detectar padrões suspeitos. No entanto, os criminosos adaptam rapidamente suas táticas, trocando URLs e nomes de campanha antes que os filtros sejam atualizados.
Por que isso importa? O ataque explora a confiança que os consumidores depositam nos resultados de busca patrocinados. Um estudo da Universidade de Stanford, citado pela Federal Trade Commission (FTC) em audiência no Congresso americano, mostrou que 42% dos usuários não conseguem diferenciar anúncios de resultados orgânicos. Com o Google controlando mais de 90% do mercado de buscas nos Estados Unidos, a empresa detém um poder quase monopolista sobre o acesso à informação financeira. Cada clique fraudulento pode custar à vítima não apenas dinheiro, mas também tempo e estresse na recuperação dos valores.
A análise do FORTIS NEWS aponta para um problema estrutural: a centralização do mercado de anúncios digitais reduz os incentivos para que plataformas como o Google adotem medidas rigorosas de verificação. Em um ambiente competitivo, anunciantes fraudulentos seriam rapidamente excluídos por sistemas de reputação privados e por seguradoras que exigissem padrões mais altos. Mas, na prática, o Google lucra com cada leilão de anúncio, independentemente de quem está pagando, e o custo de remoção posterior é baixo. A lógica de livre mercado funcionaria melhor se houvesse mais concorrência e transparência nos algoritmos de leilão e nos critérios de aprovação de anúncios.
Contraponto: Críticos argumentam que apenas uma regulação federal mais dura pode coibir os abusos. O senador democrata Richard Blumenthal, em entrevista ao programa "60 Minutes", defendeu a criação de uma lei que obrigue as plataformas a verificarem a identidade de todo anunciante que ofereça serviços financeiros. No entanto, essa abordagem ignora que o próprio Estado é lento e burocrático. Leis como o CAN-SPAM Act e o Telephone Consumer Protection Act não impediram o crescimento de chamadas e e-mails fraudulentos. Medidas coercitivas criam custos de compliance que acabam sendo repassados aos consumidores e dificultam a entrada de novos players no mercado de anúncios, consolidando ainda mais o domínio do Google.
Uma alternativa liberal mais eficaz seria incentivar a criação de selos de verificação privados e criptografados, auditados por empresas independentes, combinados com responsabilidade civil clara para plataformas que hospedarem anúncios fraudulentos. Em publicação nas redes sociais, o especialista em segurança Brian Krebs destacou que sistemas de reputação baseados em blockchain poderiam garantir a rastreabilidade dos anunciantes sem depender de um órgão governamental. O mercado, quando pressionado por clientes e seguradoras, tende a se autorregular mais rápido que o Estado.
Perguntas frequentes:
1. Como os golpistas conseguem pagar pelos anúncios se o Google exige informações de pagamento? Resposta: Os criminosos usam contas de anúncios roubadas ou criam empresas de fachada com documentos falsos. A Malwarebytes reporta que muitos pagam com cartões de crédito roubados ou criptomoedas, dificultando o rastreio. O Google, em seu blog de transparência, admite que a verificação de identidade ainda é falha, mas promete melhorias.
2. O que o usuário pode fazer para se proteger? Resposta: Digitar manualmente o endereço do banco no navegador em vez de clicar em anúncios, usar autenticação de dois fatores e manter software antivírus atualizado. A FTC recomenda desconfiar de ofertas de suporte ou de links que peçam login imediato. Nenhuma solução é 100% segura, mas a educação digital continua sendo a melhor defesa contra engenharia social.
Por Renan Filho · 2026-09-20