A parada do Columbus Day em Nova York, tradicional celebração da herança ítalo-americana, virou palco de uma nova batalha cultural. O convite ao professor Mahmood Mamdani, da Universidade Columbia, para ser um dos homenageados no evento gerou uma onda de críticas que tomou conta das redes sociais e dos canais conservadores nos Estados Unidos.
Mamdani é conhecido por ter chamado Cristóvão Colombo de “genocida” e “arquiteto do saque colonial” em artigos acadêmicos e palestras públicas. Para muitos, a escolha de um crítico ferrenho do explorador como figura central da parada é um absurdo. “Você está de brincadeira? Convidar alguém que chama Colombo de assassino em massa para liderar a celebração do Dia de Colombo é uma afronta”, escreveu o apresentador do programa ‘Tucker Carlson Tonight’ em sua conta no X (antigo Twitter).
A organizadora do desfile, a Columbus Citizens Foundation, defendeu a decisão em nota oficial, afirmando que Mamdani representa “a diversidade de pensamento e o diálogo aberto sobre a história”. A fundação, que tradicionalmente seleciona homenageados ligados à comunidade ítalo-americana, optou por um intelectual de origem ugandense que estuda conflitos pós-coloniais. A mudança, segundo a nota, reflete “a evolução da cidade de Nova York”.
O prefeito Eric Adams, que participaria do evento, evitou comentar diretamente a polêmica. Em entrevista à rádio WNYC, disse apenas que “a parada é um momento de união, não de divisão”. A resposta evasiva não acalmou os críticos. O deputado estadual John S. (R-NY), em publicação nas redes sociais, afirmou: “Enquanto a esquerda tenta apagar a história, nós vamos celebrar Colombo e o que ele representa: coragem, exploração e o início da civilização ocidental nas Américas.”
Por que isso importa? A controvérsia não é apenas sobre um desfile. É sobre quem controla a narrativa histórica nos Estados Unidos. O movimento para substituir o Columbus Day pelo Indigenous Peoples’ Day já avançou em mais de 100 cidades, mas a resistência ganhou força com a reação a este convite. Organizações ítalo-americanas, como a Order Sons and Daughters of Italy, ameaçaram boicotar a parada caso Mamdani seja mantido.
Análise FORTIS: A esquerda cultural nunca escondeu seu desprezo por Colombo. Mas convidar um de seus críticos mais ácidos para ser homenageado em um dia dedicado a ele é uma provocação deliberada. A tática é clara: normalizar a desconstrução dos símbolos nacionais. Em vez de debate honesto sobre os erros históricos — que ninguém nega —, busca-se substituir heróis por vilões. O livre mercado de ideias exige que ambas as posições sejam ouvidas, mas a imposição de uma visão revisionista por via de ‘inclusão’ forçada é autoritária.
Contraponto: Defensores da escolha argumentam que Mamdani não está ali para insultar Colombo, mas para oferecer uma perspectiva crítica que enriquece a compreensão histórica. A professora de história da Universidade de Nova York, Martha B., em artigo no The New York Times, defendeu que “a parada pode ser um espaço para reconciliação, não para culto cego”. A ideia, segundo ela, é que a celebração da herança ítalo-americana não precisa ignorar as consequências negativas da colonização.
Entretanto, o timing da escolha é no mínimo estranho. A uma semana do desfile, a controvérsia já ofuscou o próprio evento. A Columbus Citizens Foundation terá que lidar com uma base de apoiadores rachada e com a possibilidade de protestos tanto de grupos pró-Colombo quanto de ativistas indígenas. O resultado, independentemente de quem “vencer”, será um desfile marcado pela tensão, não pela celebração.
O velho insulto a Colombo — “genocida”, “saqueador”, “escravizador” — ressurge com força total, mas desta vez encontra uma resistência mais organizada. Grupos conservadores estão convocando caravanas para a parada, e o Partido Republicano local prometeu presença maciça. “Não vamos deixar que destruam nosso patrimônio cultural”, disse o vereador Joe B. (R-Staten Island) em declaração à imprensa.
A pergunta que fica: até onde a esquerda irá para impor sua visão histórica? E, mais importante, até onde os americanos permitirão que seus símbolos sejam desfigurados em nome de uma “justiça histórica” que nunca chega? A resposta será dada nas urnas e nas ruas — e, neste outono, na Quinta Avenida de Nova York.
Por Renan Filho · 2026-09-21