Uma pesquisa Fox News divulgada nesta semana revela que 54% dos eleitores registrados nos Estados Unidos acreditam que os riscos da inteligência artificial superam suas promessas. Apenas 38% disseram o contrário. O levantamento, realizado entre 15 e 17 de setembro de 2026 com 1.003 entrevistados, mostra uma divisão partidária: 61% dos republicanos são céticos, contra 47% dos democratas. O dado mais alarmante para o setor de tecnologia é que 72% dos entrevistados apoiam alguma forma de regulamentação federal da IA.
O contexto é de efervescência regulatória. No Congresso, ao menos cinco projetos de lei tramitam com propostas que vão desde licenças obrigatórias para sistemas de IA até a criação de uma agência federal nos moldes da FAA. Em publicação nas redes sociais, o deputado Ted Lieu (D-CA) defendeu uma “abordagem preventiva” para evitar “danos irreversíveis”. Já o senador Mike Lee (R-UT), em declaração à imprensa, classificou as propostas como “camisa de força burocrática que matará startups americanas”.
Por que isso importa? A IA já responde por cerca de 4% do PIB americano, segundo estimativas do Bureau of Economic Analysis, e projeções indicam que pode adicionar US$ 15 trilhões à economia global até 2030. Se o ceticismo do eleitor se traduzir em regras rígidas, o epicentro da inovação pode migrar para Ásia ou Europa. Empresas como OpenAI, Anthropic e Google DeepMind — todas com sede nos EUA — enfrentariam custos de compliance que desestimulam investimentos. O resultado seria um mercado menos dinâmico, com menos concorrência e mais concentração nas grandes corporações que podem arcar com a burocracia.
Análise FORTIS: O debate sobre IA não pode ser sequestrado pelo pânico moral ou pelo lobby de incumbentes. A história mostra que tecnologias disruptivas — da eletricidade à internet — geraram medo inicial e depois se tornaram motores de prosperidade. A diferença é que, na época, o governo não interveio prematuramente. Hoje, a tentação regulatória é forte, mas o caminho correto é o oposto: permitir que o mercado desenvolva padrões voluntários, códigos de conduta e mecanismos de responsabilidade civil baseados em propriedade intelectual e contratos. Em vez de uma agência federal, os próprios desenvolvedores podem criar selos de certificação, auditorias independentes e seguros de responsabilidade. Isso já ocorre em setores como aviação e alimentos, onde a reputação e a concorrência geram confiança mais rápido que o Estado.
Contraponto: Os defensores da regulamentação citam riscos reais: viés algorítmico, desemprego em massa, deepfakes e armas autônomas. Em entrevista à Rádio NPR, a professora da MIT Media Lab, Joy Buolamwini, afirmou que “sem regras, a IA pode amplificar desigualdades e violar direitos civis”. Ninguém nega a necessidade de mitigar danos. A questão é quem decide e como. A abordagem liberal não é anarquia, mas sim a defesa de que respostas descentralizadas, baseadas em litígios privados e normas de mercado, são mais ágeis e adaptáveis do que leis rígidas que congelam a inovação. O próprio setor já se move: a Anthropic lançou um “constitutional AI” voluntário, e a OpenAI criou uma equipe de segurança interna. O mercado está respondendo. Intervenção precoce, no entanto, pode sufocar essas soluções nascentes.
Por Renan Filho · 2026-09-22