Um ex-funcionário dos Correios dos Estados Unidos foi indiciado por um grande júri federal por supostamente descartar mais de 300 cédulas de votação pelo correio no estado de Utah, sem entregar uma única delas. O caso, divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA em comunicado oficial nesta terça-feira, levanta ainda mais suspeitas sobre a integridade das eleições por correspondência, um método que liberais sempre viram com ceticismo.
Segundo a acusação formal apresentada pelo Ministério Público Federal no Distrito de Utah, o ex-funcionário, identificado como Jeffery Ivie, de 33 anos, trabalhava no Centro de Processamento de Correio de Salt Lake City. Ele é acusado de obstruir a entrega de correspondência e de ter descartado intencionalmente mais de 300 cédulas de votação entre outubro e novembro de 2025, durante o período de eleições locais e federais. A Procuradoria dos EUA para Utah afirmou, em nota à imprensa, que as cédulas foram encontradas em lixeiras e contêineres de reciclagem próximos ao local de trabalho.
O contexto é alarmante. Utah é um estado que adota amplamente o voto pelo correio, com mais de 90% dos eleitores registrados recebendo cédulas pelos Correios. O caso Ivie não é isolado: nos últimos anos, dezenas de funcionários dos Correios foram processados por descartar correspondência eleitoral, de acordo com dados do Escritório do Inspetor-Geral do USPS. Em 2024, um relatório do Government Accountability Office (GAO) já apontava que a agência dos Correios não tinha controles adequados para rastrear cédulas em trânsito.
Por que isso importa? Para liberais, o voto pelo correio é uma extensão da máquina estatal que frequentemente falha em sua função básica. A premissa de que o governo pode gerenciar com eficiência um sistema de votação remoto é desmentida por casos como este. Cada cédula descartada representa um eleitor silenciado, uma voz que não foi ouvida. E não se trata de um erro técnico: a acusação alega dolo, ou seja, ação intencional. Se um funcionário público pode, por vontade própria, destruir centenas de votos sem qualquer supervisão, o sistema todo é vulnerável a abusos.
Análise FORTIS: O problema central não é a má-fé de um único funcionário, mas a concentração de poder e a falta de responsabilização (accountability) que o voto pelo correio exige. Em um mercado livre, ninguém confiaria em uma empresa que perde 300 encomendas sem rastreamento e sem consequências para o prestador de serviço. No caso do serviço postal estatal, o monopólio impede a concorrência e a inovação. Se houvesse alternativas privadas de entrega de cédulas – ou, melhor ainda, a volta ao voto presencial com identificação rigorosa –, o incentivo ao descarte seria mínimo. O Estado, ao se intrometer na logística eleitoral, cria um risco moral: funcionários sindicalizados e com baixíssima supervisão podem agir sem medo de demissão imediata, já que o USPS é uma agência federal com proteções trabalhistas rígidas.
Contraponto: Defensores do voto pelo correio argumentam que casos como este são exceções raríssimas e que o sistema, no geral, funciona. A própria Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA (EAC) afirma que, em 2024, a taxa de cédulas perdidas ou descartadas foi inferior a 0,01% do total. Além disso, organizações como o Brennan Center for Justice apontam que o voto pelo correio aumenta a participação eleitoral, especialmente entre idosos e pessoas com deficiência. No entanto, para liberais, o fato de a exceção existir prova a regra: qualquer percentual de descarte intencional é inaceitável quando se trata do direito fundamental ao voto. Não se aceitaria que 0,01% das cartas de um banco fossem jogadas no lixo; por que aceitar com votos?
O indiciamento de Jeffery Ivie é um lembrete de que a confiança cega em instituições estatais é perigosa. Enquanto o governo federal insistir em expandir o voto pelo correio sem mecanismos robustos de rastreamento, auditoria independente e concorrência privada, casos como este continuarão a minar a confiança no processo eleitoral. Utah, que já teve um dos sistemas mais elogiados de votação remota, agora enfrenta um processo de revisão de seus protocolos, segundo informações do secretário de Estado de Utah, em declaração à imprensa local.
A audiência de Ivie está marcada para 10 de outubro no Tribunal Distrital dos EUA em Salt Lake City. Ele pode pegar até cinco anos de prisão por obstrução de correspondência, além de multas. Mas a verdadeira pena é para o sistema que permite que 300 eleitores sejam silenciados sem que ninguém perceba até que um denunciante anônimo ligue para a linha de denúncias do USPS, conforme relatado pela Fox News.
Por Renan Filho · 2026-09-22