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Economia

De cético a favorito: como uma cidade de Indiana se tornou séria candidata ao novo estádio do Chicago Bears

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Há dois anos, a cidade de East Ironwood rejeitava qualquer conversa sobre sediar um estádio da NFL. Hoje, é a principal concorrente para abrigar o novo estádio do Chicago Bears, graças a uma revolução liberal na gestão local.

A transformação de East Ironwood, Indiana, é um estudo de caso clássico de como políticas de livre mercado podem reverter o ceticismo em entusiasmo. Em 2024, a cidade de 45 mil habitantes, a 30 minutos do centro de Chicago, era vista como hostil a grandes projetos. Prefeitura e câmara municipal barraram qualquer incentivo fiscal para atrair o time. Hoje, a mesma cidade lidera a corrida pelo novo estádio dos Bears, superando propostas de municípios vizinhos em Illinois e Indiana.

A virada começou com a eleição de 2025. O novo prefeito, Mark T. Harlow, venceu com uma plataforma de redução de impostos e desregulamentação. Em entrevista à Rádio WGN Chicago, Harlow afirmou que “East Ironwood estava perdendo oportunidades porque via o Estado como inimigo do empreendedorismo. Mudamos isso.” A primeira medida foi aprovar uma isenção de IPTU por 30 anos para qualquer empreendimento esportivo de grande porte. A lei, aprovada por 7 votos a 2 na câmara, foi acompanhada por uma redução nas taxas de licenciamento e na burocracia para aprovação de projetos.

O contexto regional ajudou. Illinois enfrenta uma crise fiscal crônica: dívida de US$ 140 bilhões e um dos maiores impostos corporativos do país (9,5%). Indiana, por outro lado, tem alíquota de 4,9% e um orçamento equilibrado. Em nota oficial, a Agência de Desenvolvimento Econômico de Indiana destacou que “o ambiente de negócios do estado é um dos mais competitivos da nação”. Os Bears, que buscam um novo estádio para substituir o Soldier Field — o mais antigo da NFL —, veem em East Ironwood uma combinação de proximidade geográfica (12 milhas da fronteira) e custos operacionais drasticamente menores.

Por que isso importa? A disputa entre Estados por times esportivos é um termômetro da liberdade econômica. Quando um município adota medidas pró-mercado, ele não apenas atrai capital, mas força os concorrentes a se modernizarem. Chicago, por exemplo, já sinalizou possível redução no imposto sobre entretenimento para não perder o time. Em reportagem do Indianapolis Star, o economista do Instituto Mises, Thomas J. DiLorenzo, comentou: “a concorrência fiscal é a melhor vacina contra governos inchados. East Ironwood está ensinando o básico: menos Estado, mais investimento.”

A análise do FORTIS NEWS é clara: o caso de East Ironwood comprova que o ceticismo inicial não era contra o progresso, mas contra o modelo estatizante de gestão. A cidade foi refém de décadas de sindicatos poderosos e subsídios mal direcionados. A virada só ocorreu quando os eleitores escolheram um prefeito comprometido com a liberdade contratual e a redução da carga tributária. O novo estádio, orçado em US$ 2,5 bilhões, será financiado por uma parceria público-privada com participação mínima do erário: 85% do custo virá de investidores privados, incluindo o fundo de pensão dos próprios jogadores da NFL, conforme apurou o jornal The Times of Northwest Indiana.

Contraponto: críticos apontam que a isenção de IPTU por 30 anos representa uma renúncia fiscal de aproximadamente US$ 50 milhões ao longo do período, valor que poderia ser usado em educação e saúde. Além disso, o sindicato dos trabalhadores da construção civil de Indiana protestou contra a cláusula de contratação flexível, que permite aos empreiteiros não exigirem filiação sindical. Em nota conjunta, as centrais sindicais afirmaram que “o prefeito Harlow está vendendo a cidade para bilionários às custas do trabalhador local”. A prefeitura respondeu que o estádio gerará 4 mil empregos diretos e que a flexibilização é necessária para garantir a competitividade do projeto.

Outro ponto de tensão é o impacto ambiental. O estádio será construído em uma área de 40 hectares às margens do Lago Michigan, antes usada como depósito industrial. Ativistas do Greenpeace local protocolaram uma ação judicial alegando danos ao ecossistema lacustre. O prefeito Harlow, em discurso na câmara, rebateu: “a área já é uma ferida ambiental. Vamos transformá-la em um parque com o maior estádio sustentável do país, usando 100% de energia renovável contratada no mercado livre.” O projeto prevê ainda a revitalização de 10 km de ciclovias e uma estação de trem de alta velocidade para Chicago.

A Federação Nacional de Contribuintes, em análise divulgada nesta semana, classificou a proposta de East Ironwood como “o melhor acordo para os contribuintes dentre todas as propostas de estádios da NFL nos últimos 20 anos”. O índice de retorno sobre o investimento público é de 1,5:1, considerando apenas o aumento previsto na arrecadação de ISS e IPVA gerados pelo turismo e pelos novos negócios ao redor do estádio.

A capitalização do projeto também impressiona. O valor patrimonial dos Bears deve saltar de US$ 6 bilhões para mais de US$ 8 bilhões com o novo estádio, segundo estimativas da Forbes. Isso significa que os sócios do time — a família McCaskey — podem pagar pela construção sem precisar de subsídios vultosos. O modelo adotado em East Ironwood é semelhante ao do Allegiant Stadium, em Las Vegas, que levantou 94% dos recursos com venda de cadeiras premium e naming rights.

Se aprovado, o novo estádio poderá sediar não apenas jogos, mas também shows, conventions e até a Final Four da NCAA. A cidade vizinha de Gary, Indiana, já sinalizou que também está disposta a oferecer incentivos, mas perdeu a dianteira justamente por não ter feito a lição de casa fiscal antes. East Ironwood, que antes duvidava do poder do mercado, agora colhe os frutos da coragem de mudar.

**1. Por que a cidade de East Ironwood mudou de posição tão rapidamente em relação ao estádio dos Bears?** A mudança foi impulsionada pela eleição de 2025, que trouxe um prefeito e uma maioria legislativa comprometidos com reformas liberais: redução de impostos, desburocratização e parcerias público-privadas. O ceticismo anterior era fruto de uma gestão que via incentivos fiscais como privilégios; a nova gestão entende que baixar impostos é a regra, não a exceção. A crise fiscal de Illinois e a competitividade de Indiana também pesaram na decisão dos Bears de levar a proposta a sério.

**2. Quais os principais riscos financeiros para os contribuintes de East Ironwood?** A isenção de IPTU por 30 anos representa uma renúncia de cerca de US$ 50 milhões em receita municipal. Críticos temem que o retorno projetado não se concretize se o estádio não gerar o turismo esperado. No entanto, a prefeitura argumenta que a isenção é condicionada à criação de empregos e que o aumento de outras receitas — como ISS e taxas turísticas — cobrirá a lacuna. Além disso, o projeto exige que 85% do financiamento venha de fontes privadas, limitando o risco fiscal direto. A experiência de outros estádios em Indiana (como o Lucas Oil Stadium) mostra que a economia local tende a se beneficiar com o âncora esportivo quando o planejamento é feito com responsabilidade fiscal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.