Em 2021, o governo federal dos Estados Unidos aprovou o pacote American Rescue Plan, que destinou aproximadamente US$ 190 bilhões para escolas públicas. A promessa era clara: reverter os estragos acadêmicos causados pelo fechamento de escolas e pelo ensino remoto. Três anos depois, os resultados são desanimadores, especialmente em distritos escolares administrados por democratas.
Um caso emblemático ocorre no Distrito Escolar Unificado de Oakland, na Califórnia. Segundo relatório do Instituto de Política Pública da Califórnia, divulgado em agosto de 2024, o distrito recebeu mais de US$ 350 milhões em fundos federais de recuperação. Em vez de contratar tutores de matemática ou expandir o horário escolar, a administração local optou por financiar programas de "bem-estar socioemocional" e "equidade racial".
A auditoria interna do distrito, obtida pelo jornal San Francisco Chronicle, revela que US$ 12 milhões foram gastos em contratos com organizações externas para treinamento de professores em "pedagogia antirracista". Outros US$ 8 milhões foram para a instalação de "salas de calma" com almofadas, incensos e instrutores de ioga. Enquanto isso, as notas em leitura e matemática no distrito continuam 15 pontos percentuais abaixo dos níveis pré-pandemia.
Por que isso importa? Porque o dinheiro do contribuinte americano — incluindo o de famílias que lutam para pagar contas — foi desviado de soluções comprovadas para experimentos ideológicos. Em uma declaração à imprensa local em setembro de 2024, a superintendente do distrito, Kyla Johnson-Trammell, defendeu as despesas afirmando que "a cura emocional dos alunos é pré-requisito para qualquer aprendizado acadêmico".
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, em entrevista à rádio KQED em outubro, evitou criticar diretamente o distrito, mas reconheceu que "os resultados de aprendizado precisam melhorar urgentemente". A resposta ambígua reflete o dilema de um estado que promoveu as escolas fechadas por mais tempo que a média nacional.
A análise FORTIS é direta: o desvio dos fundos de recuperação educacional em Oakland não é um acidente. É a consequência lógica de uma burocracia progressista que prioriza a teoria crítica da raça e o ativismo climático sobre a alfabetização e a aritmética. Enquanto escolas particulares e charters — muitas em bairros pobres — usaram o mesmo dinheiro para contratar tutores e comprar chromebooks, as escolas públicas tradicionais de gestão democrata gastaram em ioga e justiça social.
Dados do Departamento de Educação da Califórnia, compilados pelo site EdSource em novembro de 2024, mostram que distritos escolares que investiram pesadamente em tutoria presencial e escolas de verão recuperaram, em média, 70% da perda de aprendizado. Distritos como Oakland, que focaram em "bem-estar socioemocional", recuperaram apenas 20%.
O contraponto vem de defensores das abordagens alternativas. Em artigo de opinião no Los Angeles Times em outubro, a professora e ativista Tanya Ortiz Franklin argumentou que "a crise de saúde mental dos jovens é real e ignorá-la em nome de notas mais altas é míope". Franklin cita pesquisas da Associação Americana de Psicologia que mostram aumento de 40% nos diagnósticos de ansiedade entre adolescentes desde 2020.
O problema com esse argumento, no entanto, é que ele cria uma falsa dicotomia. Não é preciso escolher entre saúde mental e aprendizado. Escolas que implementaram programas estruturados de tutoria, com horário estendido e mentoria, também relataram melhorias no bem-estar dos alunos. O que Oakland fez foi substituir o ensino por terapia de grupo improvisada.
Enquanto isso, os pais de Oakland estão votando com os pés. Dados do Distrito Escolar Unificado de Oakland mostram que a matrícula caiu 12% desde 2020. Famílias estão migrando para escolas charter e particulares. Em uma publicação nas redes sociais em novembro, o grupo de pais "Oakland Kids First" escreveu: "Nossos filhos não precisam de ioga. Precisam de professores que ensinem a ler".
O caso de Oakland é um microcosmo de um problema nacional. Segundo análise do Centro de Prioridades Orçamentárias e Políticas, divulgada em setembro de 2024, distritos escolares em estados governados por democratas gastaram, em média, 35% dos fundos de recuperação em programas não acadêmicos. Em estados republicanos, esse número foi de 18%. A diferença não é coincidência: reflete prioridades ideológicas distintas.
O resultado final é que, enquanto o dinheiro federal seca — o prazo para gastar os fundos do American Rescue Plan expira em setembro de 2026 —, milhões de crianças americanas permanecem atrasadas. Para os liberais, a culpa é do subfinanciamento crônico. Para os conservadores, a culpa é do desperdício ideológico. A FORTIS News aposta no segundo diagnóstico.
A pergunta que fica é: quem pagará por essa dívida educacional? Não serão os burocratas que assinaram contratos de ioga. Serão os alunos, agora adolescentes, que não aprenderam a ler no tempo certo. E, no final, todos os contribuintes — inclusive aqueles que nunca pisaram em Oakland — pagarão a conta de uma geração menos preparada.
**1. Os fundos federais de recuperação educacional tinham regras específicas sobre como o dinheiro deveria ser gasto?** Sim. O American Rescue Plan de 2021 estabeleceu que os fundos deveriam ser usados para "responder às necessidades acadêmicas, sociais, emocionais e de saúde mental dos alunos" decorrentes da pandemia. A linguagem ampla permitiu interpretações variadas. Distritos como Oakland argumentam que programas de bem-estar socioemocional se enquadram nessa definição. Críticos, incluindo o Instituto de Política Pública da Califórnia, apontam que a lei também exige que os gastos sejam "baseados em evidências" para melhorar o aprendizado — algo que aulas de ioga e treinamento antirracista não demonstraram fazer.
**2. O que acontece com o dinheiro não gasto até o prazo de setembro de 2026?** Os fundos não utilizados devem ser devolvidos ao Tesouro dos Estados Unidos. No entanto, distritos como Oakland já gastaram a maior parte de seus US$ 350 milhões. O risco real não é de devolução, mas de má alocação. Segundo auditoria do Escritório do Inspetor Geral do Departamento de Educação, divulgada em outubro de 2024, aproximadamente 15% dos distritos escolares em todo o país ainda não haviam gasto seus fundos e correm o risco de perder o dinheiro. Mas o problema maior, como mostra Oakland, não é a sobra — é o que já foi gasto sem retorno acadêmico mensurável.
Por Renan Filho · 2026-09-20