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Opiniao

Converse recua após anúncio com suposta imagem da KKK: “irresponsável” ou “vitimismo crônico”?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

A gigante de calçados retirou uma campanha publicitária após acusações de que as imagens evocavam a Ku Klux Klan. Para liberais, o episódio expõe o pânico moral que domina o marketing corporativo.

A Converse, subsidiária da Nike, recolheu uma nova linha de tênis após críticos apontarem suposta semelhança entre o design e os capuzes da Ku Klux Klan. Nas redes sociais, consumidores notaram que o padrão de tecido, com furos que criam formas pontiagudas, lembrava a silhueta dos tradicionais capuzes da seita racista. A empresa, em nota oficial, pediu desculpas e afirmou que “a imagem foi retirada imediatamente”, prometendo revisar seu processo criativo.

A polêmica começou quando um usuário do X (antigo Twitter) postou uma foto do tênis ao lado de um desenho ilustrativo de um membro da KKK. A comparação viralizou em poucas horas, com milhares de compartilhamentos e manchetes acusando a marca de “promover ódio racial”. A Converse respondeu com um comunicado ao site The Verge, dizendo que “a diversidade e a inclusão estão no centro do nosso negócio” e que “não há absolutamente nenhuma intenção de ofender”.

O caso é o mais recente exemplo de como o ativismo digital transforma qualquer desenho ambíguo em um escândalo de proporções bíblicas. Não há evidência de que a Converse tenha tentado lucrar com simbolismo racista — muito menos com uma organização criminosa que a marca, historicamente ligada à cultura jovem e urbana, sempre combateu. Mas isso não importa para a multidão virtual: a intenção é irrelevante quando a percepção manda.

Aqui na FORTIS, vemos um padrão preocupante: o pânico moral substituiu o bom senso. Empresas como a Converse, que deveriam focar em vender tênis de qualidade, agora gastam tempo e dinheiro apaziguando uma minoria barulhenta que enxerga ofensa em cada curva, costura ou furo de tecido. O resultado é um mercado distorcido, onde a inovação é punida e a autocensura vira regra. Em vez de liberdade criativa, temos um ambiente de negócios onde o medo de um hashtag cancelador dita decisões.

Para o liberalismo, a questão vai além do design de um calçado. Está em jogo o princípio de que indivíduos e empresas devem ser responsabilizados por intenções reais, não por interpretações forçadas de terceiros. A Converse não é uma entidade moral; é uma produtora de bens de consumo. Ao ceder à pressão, ela envia o sinal de que qualquer alegação de ofensa — por mais absurda que seja — merece tratamento preferencial. Isso é o oposto de uma economia de livre mercado, que deveria premiar quem atende ao consumidor com transparência, não quem se curva a caçadores de bruxas.

É preciso lembrar também do contexto histórico: a KKK é uma organização real que assassinou milhazenas de pessoas. Banalizar seu símbolo ao compará-lo a um padrão de furos em um tênis é um insulto à memória das vítimas. Mas é exatamente isso que os críticos fazem: eles inflam o simbolismo para ganhar seguidores e cliques, enquanto a Converse tenta apagar o incêndio com um balde de água suja. Quem perde é o consumidor, que vê sua escolha diminuir, e a liberdade de expressão, que encolhe a cada desculpa corporativa.

Há quem argumente que a empresa deveria ter sido mais cuidadosa, e que a semelhança era “óbvia demais para ignorar”. Esse argumento, porém, falha ao ignorar a subjetividade: o que é óbvio para um é imaginação fértil para outro. Se seguirmos essa lógica, nenhum design estará seguro — qualquer listra, círculo ou ponto pode ser associado a algo terrível. O caminho mais sensato, e mais liberal, é presumir a boa-fé das empresas e exigir provas de intenção maliciosa, não o contrário.

Enquanto isso, a Converse segue vendendo seus produtos, mas com uma mancha desnecessária em sua reputação. A lição para outras marcas é clara: em vez de contratar “especialistas em diversidade” que vivem de caçar fantasmas, invistam em design inteligente e em uma comunicação que eduque o público a interpretar o mundo com racionalidade. O mercado se autorregula quando há concorrência e respeito ao consumidor — não quando cada erro serve de combustível para a histeria coletiva.

A FORTIS acredita que o episódio é um sintoma de uma doença maior: a cultura do cancelamento que corrói a confiança nas instituições e no próprio capitalismo. Se uma empresa não pode errar sem ser linchada publicamente, quem ousará inovar? A resposta é simples: ninguém. E, sem inovação, o mercado estagna, os empregos desaparecem e a sociedade empobrece. É hora de parar de fingir que um tênis é um manifesto de ódio e começar a tratar ofensas imaginárias com o desdém que merecem.

No fim, o único racismo real neste caso é o daqueles que tentam lucrar com a dor alheia, transformando tragédias históricas em armas retóricas. A Converse errou em ceder, e o mercado deve aprender com isso. Que a próxima polêmica seja recebida com ceticismo, e não com pânico. Afinal, uma sociedade livre não se constrói com medo de ofender — se constrói com responsabilidade individual e respeito à liberdade de todos, inclusive a das empresas de vender tênis sem serem crucificadas por imaginação alheia.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.