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Entre a Liberdade e a Mediocridade: O Congresso Perde a Bússola (e o Eleitor) na Corrida de 2026

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Com a eleição de meio de mandato se aproximando, o establishment em Washington revisita seus discursos. O problema? O eleitor não está ouvindo – porque o Congresso não está falando sobre o que importa: a sua liberdade econômica e o tamanho do Estado.

O vazio retórico em Washington nunca foi tão ensurdecedor. Enquanto os estrategistas democratas e republicanos disputam a narrativa do medo, o eleitor médio – espremido entre a inflação teimosa e o salário que não acompanha o custo de vida – escuta o silêncio ensurdecedor sobre as causas reais da sua angústia.

O que se vê no Capitólio é um balé de clichês ensaiados. De um lado, a tentativa de pintar a economia com cores vivas de um 'soft landing' que não chega. De outro, o flerte perigoso com um populismo que promete proteger o mercado, mas raramente entende como ele opera. Nenhum dos dois parece disposto a enfrentar o elefante na sala: a máquina estatal que consome 38% do PIB e a burocracia que asfixia o empreendedor.

POR QUE ISSO IMPORTA?

A eleição de meio de mandato de 2026 não é um referendo sobre o presidente. É um plebiscito sobre a credibilidade de uma classe política que se afastou dos princípios que construíram a prosperidade americana. Quando o Congresso gasta mais tempo em comitês de 'desinformação' do que em comitês de orçamento, o recado para o cidadão é claro: a sua agenda não é prioridade.

Os dados mostram que a insatisfação não é partidária. Uma pesquisa recente da Gallup indica que apenas 18% dos americanos aprovam a atuação do Congresso. O dado central é o sentimento de que as instituições estão capturadas por lobbies e interesses alheios ao bem-estar das famílias. O 'main street' não se vê refletido nas batalhas culturais que dominam os noticiários.

ANÁLISE FORTIS: O DÉFICIT DE LIBERDADE COMO FERRAMENTA DE CAMPANHA

Aqui na FORTIS, enxergamos a raiz do problema: o establishment partidário trata a economia como um dado técnico, não como um valor civilizacional. A redução de impostos, a desregulamentação e a disciplina fiscal são tratadas como políticas de nicho, enquanto deveriam ser o coração de qualquer plataforma que se diga a favor do povo americano.

Um exemplo prático: a recente batalha no Congresso sobre o teto da dívida revelou que a maioria dos parlamentares prefere a teatralização do colapso a um debate sério sobre cortar gastos. A liberdade econômica não é apenas um conceito acadêmico; é a ferramenta que permite ao cidadão comum sonhar com um negócio próprio, com uma casa própria, com uma educação melhor para os filhos. Quando o discurso político ignora essa aspiração, ele condena o ouvinte a escolher apenas entre o mal menor.

O que os estrategistas de campanha deveriam entender é que o eleitor não busca salvadores, busca responsabilidade fiscal e previsibilidade jurídica. A falência do discurso é a falência da confiança. E sem confiança, não há voto – apenas abstenção.

O CONTRAPONTO NECESSÁRIO

Defensores do status quo argumentarão que a complexidade do mundo moderno exige um Estado mais presente. Dizem que a desigualdade crescente demanda intervenção e que o mercado, se deixado sozinho, se corrompe. É um argumento sedutor, mas que ignora a evidência histórica: os períodos de maior mobilidade social nos EUA foram justamente os de menor intervenção estatal.

Reconhecemos que o governo tem um papel – o de garantir contratos e segurança jurídica. Mas transformar o Estado no principal agente econômico é a receita para a estagnação que vemos em países como a Argentina. Se os candidatos de 2026 querem uma mensagem que ressoe, o caminho é o oposto: menos Washington, mais Main Street.

A JANELA DE OPORTUNIDADE

A frustração do eleitor é a maior oportunidade de ouro para um liberalismo autêntico. O cidadão que sofre com a inflação não se importa se a culpa é do 'capitalismo desenfreado' ou da 'irresponsabilidade fiscal' – ele quer soluções. O pragmatismo de livre mercado, que defende imposto zero sobre a produção e fim de subsídios a corporações amigas, é a mensagem que fura a bolha de Washington.

Se o Congresso quiser achar o caminho de volta para a relevância, precisa parar de falar consigo mesmo. Precisa descer do pódio e falar a língua do cidadão que acorda às 5h da manhã para sustentar a família. Esse cidadão não precisa de um salvador. Ele precisa que o governo saia do seu caminho.

A pergunta que fica para novembro de 2026 é simples: os representantes eleitos terão a coragem de pregar a liberdade, ou continuarão presos ao conforto da mediocridade?

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.