Chris Canty, ex-jogador da NFL e comentarista da ESPN, protagonizou um momento constrangedor de desinformação no programa 'First Take' na última quarta-feira. Em meio a um debate sobre o ranking do futebol universitário, Canty afirmou que Ole Miss 'não enfrentou ninguém' e que sua campanha de 10 vitórias em 2023 seria 'inflada por um calendário fraco'. A declaração, capturada em vídeo e replicada em redes sociais como X (antigo Twitter), contradiz frontalmente os dados oficiais da NCAA e da própria conferência SEC.
Segundo o site de estatísticas esportivas Sports Reference, Ole Miss enfrentou quatro times ranqueados no Top 25 na temporada regular de 2023, incluindo LSU (então #9) e Georgia (#1). A vitória no Peach Bowl contra Penn State (#10) consolidou a campanha. Canty, ao afirmar o contrário, ignorou fatos verificáveis — um erro grave para quem ocupa um dos microfones mais influentes da televisão esportiva americana.
O contexto é relevante: Ole Miss vive um renascimento sob o comando do técnico Lane Kiffin, que abraçou sem reservas o mercado de transferências (transfer portal) e os acordos de NIL (Name, Image and Likeness). O programa saltou de 5 vitórias em 2020 para 11 em 2023, um crescimento que desafia a narrativa de que apenas as 'elites históricas' — Alabama, Georgia, Ohio State — podem competir no mais alto nível.
Por que isso importa? Porque a declaração de Canty não é um mero lapso. Ela reflete um padrão recorrente na mídia esportiva tradicional: desprezar programas que usam as ferramentas do livre mercado para quebrar oligopólios. Ole Miss, com um orçamento NIL estimado em US$ 9 milhões em 2023 (segundo a On3 Sports), tornou-se um caso de estudo de como a liberdade econômica no esporte universitário pode gerar competitividade e mérito.
A análise FORTIS aponta que Canty representa o establishment que resiste à meritocracia do mercado. Quando um programa como Ole Miss — sem a tradição centenária de Alabama ou o poder midiático de Texas — alcança o topo, a reação instintiva de muitos comentaristas é desqualificar o feito. Canty, ao repetir o mantra de que 'Ole Miss não jogou contra ninguém', está na verdade defendendo um status quo que favorece os gigantes financeiros e históricos.
Dados da própria SEC mostram que Ole Miss teve a quinta força de calendário mais difícil da conferência em 2023, conforme o ranking de Strength of Schedule da ESPN. O time venceu jogos fora de casa contra LSU e Arkansas, e perdeu por apenas 3 pontos para Georgia, a futura campeã nacional. Nada disso foi mencionado por Canty.
O contraponto, se formos generosos, é que Canty pode ter se confundido com o calendário de 2024, que de fato é mais leve para Ole Miss. Mas isso não justifica a afirmação categórica sobre 2023. Jornalistas esportivos têm o dever de checar fatos antes de opinar. Canty falhou nesse aspecto, e a ESPN, ao não corrigir a declaração no ar, também falhou.
Para o leitor liberal, o episódio serve como alerta: a mídia mainstream, mesmo no esporte, tende a favorecer narrativas de concentração de poder e a desprezar a inovação de mercado. Ole Miss, ao usar o NIL e o transfer portal de forma agressiva, está fazendo exatamente o que o livre mercado propõe — alocar recursos onde eles geram mais retorno. Que isso incomode os comentaristas é esperado. Que eles mintam sobre os fatos é inaceitável.
Por Renan Filho · 2026-09-22