Dados oficiais da Chicago Public Schools (CPS) obtidos pelo portal Illinois Answers Project revelam que 43% das escolas da rede municipal operam com menos da metade de sua capacidade. São 104.000 carteiras vazias espalhadas por 634 prédios — um número que equivale a 200 escolas inteiras sem uso. Enquanto isso, o distrito gasta US$ 9,5 bilhões por ano para manter uma infraestrutura inchada e ineficiente.
A crise não é nova. Desde 2010, a matrícula na CPS caiu 23%, passando de 406.000 para 313.000 alunos. A queda acentuou-se durante a pandemia, quando famílias de classe média e baixa migraram para charter schools, escolas particulares com vouchers ou simplesmente se mudaram para os subúrbios. O resultado é um sistema escolar que parece uma cidade fantasma: corredores silenciosos, salas com três ou quatro alunos e professores pagos para não dar aula.
Por que isso importa? Porque o contribuinte de Chicago paga a conta. Cada aluno na CPS custa, em média, US$ 30.000 por ano — um dos valores mais altos do país, para um desempenho acadêmico que figura entre os piores. Apenas 22% dos alunos do 8º ano são proficientes em matemática, segundo o National Assessment of Educational Progress (NAEP). Manter escolas vazias drena recursos que poderiam ser usados para melhorar a qualidade do ensino ou reduzir impostos.
A análise do FORTIS NEWS aponta que o problema é político, não fiscal. O sindicato Chicago Teachers Union (CTU), um dos mais poderosos do país, se opõe terminantemente ao fechamento de escolas. Em declaração à imprensa, a presidente do CTU, Stacy Davis Gates, classificou qualquer proposta de consolidação como “ataque racista às comunidades negras e latinas”. O prefeito Brandon Johnson, que recebeu milhões em doações do sindicato durante sua campanha, segue a cartilha: em entrevista à WGN Radio, ele afirmou que “fechar escolas não é solução” e prometeu mais verba federal para “revitalizar” os prédios vazios.
Do ponto de vista liberal, a recusa em fechar escolas é um exemplo clássico de captura regulatória. O CTU defende o status quo porque cada escola aberta significa mais membros sindicalizados, mais cargos de chefia e mais poder político. Já os pais que desejam matricular seus filhos em escolas melhores são tratados como traidores. Em vez de permitir que o dinheiro siga o aluno — como fazem os programas de school choice em estados como Flórida e Arizona —, Chicago amarra os recursos a prédios condenados.
O contraponto vem dos defensores do modelo atual. Em nota oficial, a CPS argumenta que escolas comunitárias são “centros de serviços sociais” que oferecem alimentação, saúde e apoio psicológico. “Fechar uma escola é fechar um pedaço da comunidade”, disse o superintendente Pedro Martinez em audiência pública. O problema é que essa visão ignora o custo de oportunidade: cada dólar gasto para manter um prédio vazio é um dólar que não vai para a sala de aula. Além disso, estudos do Illinois Policy Institute mostram que alunos de charter schools em Chicago têm desempenho 12% superior em leitura e 15% em matemática, mesmo recebendo menos financiamento por aluno.
A crise das escolas meio vazias não é apenas um problema de gestão — é um sintoma de uma cidade que trocou a educação das crianças pelo poder sindical. Enquanto Chicago insistir em manter portas abertas para salas vazias, continuará perdendo famílias, talentos e dinheiro. A solução liberal é clara: fechar escolas excedentes, dar vouchers para os pais escolherem onde matricular os filhos e permitir que o mercado — e não a burocracia — decida quais instituições merecem sobreviver.
Por Renan Filho · 2026-09-22