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Historiador Winkler: “AfD pode estar atingindo seu pico” – e o liberalismo alemão respira aliviado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Heinrich August Winkler, um dos mais respeitados historiadores alemães, afirmou que a Alternativa para a Alemanha (AfD) pode estar passando pelo seu auge eleitoral. Para os liberais, a declaração é um sinal de que o movimento populista de direita perdeu o ímpeto, mas a análise exige cautela.

O renomado historiador Heinrich August Winkler, em entrevista ao jornal Die Welt publicada nesta semana, declarou que “pode ser que a AfD esteja ultrapassando seu ponto máximo”. A frase, curta e direta, ecoou nos círculos políticos alemães como um balde de água fria no ânimo dos populistas e como um sopro de esperança para os defensores do liberalismo democrático.

Winkler, autor da obra clássica “A Longa Sombra do Reich”, não é um comentarista qualquer. Sua trajetória acadêmica o coloca como uma das vozes mais autorizadas sobre a história alemã do século XX. Quando ele diz que a AfD pode estar no declínio, o mercado político presta atenção.

A declaração ocorre em um momento em que a AfD, segundo pesquisas recentes do instituto Forsa, oscila entre 18% e 20% das intenções de voto. O partido, que nasceu como uma força eurocética em 2013, transformou-se em um movimento radicalmente nacionalista e anti-imigração, especialmente após a crise migratória de 2015. Nos últimos meses, no entanto, a legenda perdeu tração em algumas regiões e enfrenta escândalos internos.

Por que isso importa? Porque a Alemanha é o motor econômico da Europa, e a instabilidade política gerada por um partido que flerta com o revisionismo histórico e o protecionismo comercial assusta investidores. Uma AfD em queda significa menos risco de políticas intervencionistas e mais espaço para reformas pró-mercado, como a redução de impostos e a desregulamentação do mercado de trabalho.

Na análise do FORTIS NEWS, a tese de Winkler faz sentido, mas não é garantia. O historiador baseia sua avaliação em dois fatores: o desgaste natural de partidos antissistema após anos no radar e a falta de um líder carismático unificador na AfD. Desde a saída de Frauke Petry e as disputas entre as alas moderada e radical, o partido perdeu o frescor da novidade. O eleitorado alemão, historicamente avesso a extremismos, pode estar se cansando do discurso de choque.

O contraponto, no entanto, é forte. A AfD ainda detém bancadas expressivas em parlamentos estaduais, especialmente na Saxônia, Turíngia e Brandemburgo, onde a economia manufatureira sofre com a concorrência chinesa e a transição energética imposta pelo governo federal. O partido também capitaliza sobre o descontentamento com a política de imigração e a inflação persistente. Para muitos eleitores, a AfD é o único “grito de liberdade” contra o establishment de Berlim.

Além disso, a popularidade do chanceler Olaf Scholz (SPD) está em baixa histórica. Uma pesquisa do instituto Infratest dimap mostra que apenas 34% dos alemães aprovam o governo. Se a economia piorar, a AfD pode surfar novamente a onda do desespero. Winkler mesmo reconheceu, na mesma entrevista, que “o pico pode ser apenas temporário se o governo não entregar resultados”.

Para os liberais, o recado é claro: não há espaço para complacência. A queda da AfD não é automática; depende de reformas estruturais que reduzam o Estado, cortem burocracias e devolvam autonomia aos cidadãos. Partidos como o FDP (Partido Democrático Liberal) precisam ocupar o espaço deixado pela radicalização, oferecendo soluções de livre mercado que resolvam os problemas reais dos alemães.

O economista Lars Feld, do Instituto Walter Eucken, já alertou em artigo no Handelsblatt que “o protecionismo da AfD é um cavalo de Troia para o intervencionismo estatal”. Se o partido crescesse, a Alemanha poderia abandonar o comércio livre, prejudicando exportações e o PIB. Portanto, a estagnação da AfD é uma boa notícia para o liberalismo econômico.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.