Em um anúncio que ecoou nos mercados globais, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que, se eleito, nomeará um 'KI-Zar' (Czar da Inteligência Artificial) para a Alemanha, com a missão explícita de destruir a burocracia que trava o setor tecnológico europeu. A declaração, feita durante comício na Pensilvânia, foi recebida com mistura de ceticismo e euforia, mas para os liberais representa a mais clara ofensiva contra o modelo regulatório da União Europeia. 'A Alemanha precisa de um choque de liberdade, não de mais relatórios de impacto e comitês de ética', afirmou Trump, prometendo que o czar atuará como um 'destravador' de inovação.
A proposta, embora inusitada, não é mero devaneio eleitoral. Trump flerta com a ideia de usar a Aliança Transatlântica como alavanca para desmantelar o chamado 'Complexo Regulatório de Bruxelas', que classifica como 'imposto oculto sobre o consumidor'. O 'KI-Zar' teria poderes para negociar diretamente com o governo alemão, mas também com os länder (estados) e, principalmente, com as empresas, criando zonas de exceção para startups e laboratórios de pesquisa. Na prática, a nomeação significaria um braço de ferro com o Ministério da Economia alemão, atualmente dominado por uma coalizão que defende o 'princípio da precaução'.
O contexto é de guerra tecnológica global. Enquanto os Estados Unidos e a China avançam em modelos de IA generativa, a Alemanha, locomotiva da Europa, vê sua indústria manufatureira ser pressionada por custos energéticos e pela falta de infraestrutura digital. Para Trump, a resposta não é mais Estado, mas menos Estado: a revogação do Ato de Inteligência Artificial da UE (EU AI Act) em território alemão, a flexibilização da lei de proteção de dados (GDPR) para treinamento de modelos e a criação de um 'visto de talento' para engenheiros de software. 'Os alemães não precisam de um czar, precisam de um descravizador', ironizou o ex-presidente, em referência ao termo 'entrave burocrático'.
Para o FORTIS, a jogada de Trump é um teste de fogo para o liberalismo pragmático. Não há contradição em defender a soberania nacional e, simultaneamente, defender a liberdade contratual em escala global. Se um cidadão americano quer investir em uma fábrica de chips em Munique, e um engenheiro alemão quer vender sua força de trabalho sem pedir licença a um conselho de classe, o Estado não deveria intervir. O 'KI-Zar' proposto por Trump, se cumprir a promessa de cortar 50% dos custos regulatórios em dois anos, pode ser o cavalo de Troia que o movimento liberal precisa para reabrir o debate sobre o tamanho do Estado na Europa.
A proposta, contudo, não vem sem contradições. Trump, que em seu mandato anterior impôs tarifas sobre o aço europeu, agora se apresenta como salvador da indústria alemã. A ironia é que a Alemanha, que se beneficiou do livre comércio por décadas, hoje se esconde atrás de protecionismos verdes e subsídios estatais. O 'KI-Zar' pode ser apenas uma cortina de fumaça para um acordo maior: os EUA querem acesso ao mercado europeu de dados, e a Alemanha quer acesso ao gás natural americano. A negociação, portanto, é sobre liberdade de comércio, não sobre caridade.
A resistência, no entanto, é feroz. A Comissão Europeia já reagiu, chamando a proposta de 'interferência inaceitável' e reafirmando que a regulação de IA é uma questão de 'valores europeus'. Líderes do Partido Verde alemão, em posição minoritária, acusam Trump de 'colonialismo digital' e prometem resistir a qualquer nomeação estrangeira. Mas a história mostra que a opinião pública alemã, cansada de formulários e multas, pode ver com bons olhos um 'xerife' que desburocratize a economia. Pesquisas recentes indicam que 62% das médias empresas alemãs consideram a regulação de dados como principal barreira para adoção de IA.
Para o FORTIS, o anúncio de Trump é uma oportunidade para reafirmar princípios: o livre mercado não é um jogo de soma zero. Se a Alemanha adotar políticas de liberdade digital, toda a Europa se beneficia. Se, por outro lado, o 'KI-Zar' se tornar mais um instrumento de poder executivo, sem prestar contas ao parlamento, estaremos diante de uma distopia liberal. A diferença entre um 'destravador' e um 'czar' é a mesma entre um árbitro e um ditador. Trump precisa decidir qual papel seu indicado vai desempenhar.
O futuro da proposta é incerto, mas uma coisa é clara: a Alemanha está no epicentro de um debate que definirá a próxima década. O 'KI-Zar' de Trump, se implementado, pode ser o catalisador para uma revolução de liberdade na Europa, ou o maior tiro no pé da diplomacia americana. Para nós, liberais, a resposta é simples: menos Estado, mais mercado, e que vença o melhor algoritmo.
Por Renan Filho · 2026-09-19