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Internacional

Tom se Acentua: Le Pen Acusa Moscou de “Atos Hostis na Europa” e Cobra Postura Dura da Alemanha

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Marine Le Pen, líder do Reagrupamento Nacional (RN), elevou o tom contra o Kremlin e classificou ações recentes da Rússia como “atos hostis” em solo europeu. A declaração, feita durante visita a Berlim, pressiona o governo alemão a endurecer a política de sanções e rever acordos energéticos com Moscou.

Em um giro diplomático que surpreendeu analistas, Marine Le Pen utilizou uma coletiva de imprensa em Berlim na manhã desta sexta-feira para acusar a Rússia de promover “atos hostis e desestabilizadores” no continente europeu. A declaração ocorreu após reunião com o chanceler alemão, Olaf Scholz, e representa uma guinada retórica significativa da política francesa, tradicionalmente mais cautelosa em relação a Moscou.

“Não se trata mais de simples divergências comerciais ou de retórica geopolítica. Estamos diante de agressões deliberadas contra a soberania de Estados-membros da União Europeia. A Alemanha não pode continuar a tergiversar enquanto a Rússia financia campanhas de desinformação, realiza ciberataques e instrumentaliza fluxos migratórios para pressionar nossas fronteiras”, afirmou a deputada francesa, segundo nota divulgada pelo gabinete de Le Pen.

O contexto imediato da fala de Le Pen envolve a recente descoberta de uma suposta rede de influência russa que teria atuado nas eleições regionais alemãs, além de novas acusações de espionagem industrial contra cidadãos russos detidos em território polonês. Desde o início da guerra na Ucrânia, a percepção de ameaça híbrida cresceu entre as lideranças europeias, mas até então a França, sob Emmanuel Macron, havia mantido canais abertos de diálogo com o Kremlin.

**Por que isso importa** A mudança de tom de Le Pen não é apenas eleitoral ou reativa ao noticiário. O RN sempre foi criticado por supostos laços financeiros com bancos russos e por posições ambíguas em relação à anexação da Crimeia. Ao virar a chave contra Moscou, Le Pen busca se apresentar como uma estadista capaz de colocar a segurança europeia acima de ideologias. Para a Alemanha, o recado é claro: se mesmo a direita soberanista francesa já não tolera mais a postura ambígua de Berlim, o governo Scholz está cada vez mais isolado.

A economia alemã, fortemente dependente do gás russo antes da guerra, ensaia uma diversificação, mas empresas como a BASF e a Siemens ainda mantêm joint ventures na Rússia. Le Pen sugeriu que a Alemanha deveria abandonar qualquer negociação energética remanescente e liderar um novo pacote de sanções que inclua a proibição de importação de urânio russo e a exclusão de bancos russos do sistema SWIFT.

**Análise FORTIS** O liberalismo de mercado sempre defendeu a abertura comercial e a interdependência como ferramentas de paz. Contudo, quando um Estado usa relações econômicas como arma de chantagem política, o livre mercado se torna refém do autoritarismo. A posição de Le Pen — ainda que vinda de uma líder historicamente crítica à OTAN — é um sinal de que até mesmo os céticos da aliança atlântica reconhecem que a Rússia de Putin não respeita contratos nem soberania.

Do ponto de vista alemão, o maior erro foi acreditar que negócios bilionários com a Gazprom blindariam a Europa de conflitos. A realidade mostrou o contrário: a dependência energética financiou a máquina de guerra russa. A pressão de Le Pen é legítima e deve ser aproveitada pelo governo alemão para, de uma vez, cortar os últimos laços que ainda alimentam o orçamento do Kremlin.

**Contraponto** Nem todos concordam com a escalada retórica. O deputado alemão do Die Linke, Gregor Gysi, classificou as acusações de Le Pen como “oportunismo político” e alertou para o risco de uma nova Guerra Fria que prejudicaria a economia europeia. “Sanções mais duras só aumentam o custo de vida para os cidadãos alemães. Precisamos de diplomacia, não de bravatas”, afirmou Gysi em entrevista à Rádio Deutschlandfunk.

Moscou, por sua vez, reagiu com ironia. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, declarou, em publicação no Telegram, que “Le Pen segue o roteiro de Washington” e que “as acusações são infundadas e fazem parte de uma campanha de difamação antes das eleições europeias de 2027”. Não há, até o momento, provas conclusivas apresentadas publicamente que liguem diretamente o Kremlin aos incidentes citados pela deputada francesa.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.