A cinco meses das eleições estaduais em Mecklenburg-Vorpommern, a ministra-presidente Manuela Schwesig (SPD) enfrenta o cenário mais adverso desde que assumiu o cargo em 2017. Pesquisa do instituto INSA divulgada em 12 de setembro de 2026 aponta a AfD com 28% das intenções de voto, contra 24% do SPD. A diferença de quatro pontos percentuais está dentro da margem de erro, mas a tendência de crescimento da direita populista é consistente há dois anos.
Schwesig tenta reagir com anúncios de subsídios para indústrias locais e promessas de congelamento de aluguéis. Em publicação nas redes sociais no dia 15 de setembro, a ministra afirmou que "Mecklenburg-Vorpommern não será governado pela extrema-direita". O tom apelativo, porém, não esconde a fragilidade de uma candidatura que depende do voto útil de eleitores moderados da CDU e dos Verdes.
O contexto é de crise energética e inflação persistentes. O estado, um dos mais pobres da Alemanha, sofre com o fechamento de usinas de carvão e a lentidão na instalação de parques eólicos. A política federal de imigração aberta, defendida pelo SPD, gerou tensões locais com a chegada de refugiados ucranianos e de outras nacionalidades. A AfD capitaliza com discurso de ordem, segurança e proteção do mercado de trabalho.
Por que isso importa? Mecklenburg-Vorpommern é um termômetro para o leste alemão. Se a AfD vencer, será o primeiro estado governado pelo partido desde a Segunda Guerra Mundial – um terremoto político que abalaria a coalizão federal do chanceler Olaf Scholz. A vitória da AfD também enfraqueceria a posição do SPD no Bundesrat, a câmara alta do parlamento alemão.
Análise FORTIS: Schwesig aposta em subsídios e controle estatal para comprar votos, mas o mercado rejeita essa estratégia. A economia de Mecklenburg-Vorpommern depende de turismo, agricultura e pequenas indústrias. O aumento de impostos e regulações ambientais, apoiado pelo SPD, encarece a produção e afasta investimentos. Enquanto isso, a AfD oferece um discurso simples e direto: menos burocracia, menos imigração, mais segurança. O eleitor do leste, que já viveu o socialismo real, sabe que promessas estatais custam caro.
A política de imigração aberta do SPD é o calcanhar de Aquiles. Em 2025, o estado registrou um aumento de 40% nos pedidos de asilo, segundo dados do Ministério do Interior local. Cidades pequenas como Neubrandenburg e Wismar relatam falta de moradia e pressão sobre escolas. A AfD explora cada incidente com eficiência nas redes sociais. O porta-voz do partido no estado, Leif-Erik Holm, declarou à NDR em 10 de setembro que "a população não aguenta mais o caos da imigração descontrolada".
Contraponto: A CDU, principal alternativa conservadora, também perde espaço. Com 18% nas pesquisas, o partido de Friedrich Merz não consegue se diferenciar do SPD em temas econômicos. A esquerda radical (Die Linke) está em queda livre, com 6%. O único partido que pode frear a AfD é a própria AfD, caso cometa erros de campanha. Mas a máquina partidária de Schwesig é experiente e pode mobilizar eleitores mais velhos, que votam pelo correio em massa.
No entanto, a matemática eleitoral é cruel. Para formar governo, Schwesig precisaria de uma coalizão com CDU e Verdes, ou com CDU e FDP. Ambas as opções são instáveis e dependem de concessões que afastariam ainda mais o eleitorado de centro. A ministra já sinalizou que não governará com a AfD, mas também descartou alianças com a esquerda radical. O impasse pode levar a novas eleições em 2027.
A pergunta central – se Schwesig pode realmente ultrapassar a AfD – tem resposta clara: não, com base nos dados atuais. A tendência é de crescimento da AfD até o pleito de 25 de outubro de 2026. O SPD pode até reduzir a diferença com ataques negativos, mas dificilmente virará o jogo. A verdade incômoda é que a social-democracia perdeu o contato com o eleitor do leste, que quer menos Estado e mais liberdade econômica.
Por Renan Filho · 2026-09-20