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Landtagswahlen 2026: O que está em jogo neste domingo decisivo para a Alemanha

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Eleições regionais na Turíngia, Saxônia e Brandemburgo testam a força do establishment e abrem caminho para uma virada liberal-conservadora. Em jogo, o futuro do federalismo fiscal, da imigração e da política energética alemã.

Neste domingo, 19 de setembro de 2026, cerca de 11 milhões de eleitores alemães vão às urnas em três estados orientais – Turíngia, Saxônia e Brandemburgo – para escolher novos parlamentos regionais. As chamadas Landtagswahlen não são meros pleitos locais: funcionam como um termômetro nacional e, neste ciclo, carregam um peso extraordinário. Pela primeira vez desde a reunificação, partidos situados à direita da CDU têm chance real de formar governo ou, no mínimo, de se tornar a segunda força em todos os três parlamentos.

O cenário político alemão vive uma crise de representação que a mídia tradicional insiste em chamar de “fragmentação”, mas que, sob a ótica liberal, é o sintoma claro de um sistema que sufoca a liberdade econômica e a responsabilidade fiscal. Em entrevista à Deutschlandfunk na última quinta-feira, o presidente do Instituto de Economia Alemã (IW), Michael Hüther, afirmou que “os estados do leste pagam há 30 anos o preço de uma política de transferências que desincentiva o empreendedorismo e a inovação”. O diagnóstico é direto: a máquina estatal engoliu o dinamismo privado.

**O que está em jogo: federalismo ou centralismo burocrático**

No centro do debate está o modelo de federalismo fiscal alemão. A Turíngia, por exemplo, recebe anualmente cerca de 4 bilhões de euros em transferências do fundo de equalização regional – dinheiro que sai dos bolsos dos contribuintes dos estados ricos do oeste, como Baviera e Hesse. O problema não é a solidariedade, mas o uso desse dinheiro: em vez de financiar cortes de impostos e desregulamentação, os governos regionais social-democratas e verdes o usam para inflar a burocracia e subsidiar empresas estatais ineficientes. Em declaração à imprensa na última terça-feira, o candidato do FDP na Saxônia, Thomas Kemmerich, defendeu “um novo pacto federativo que devolva autonomia tributária aos estados e obrigue cada um a competir por investimentos com boas regras, não com esmolas federais”.

**Por que isso importa: o efeito dominó sobre Berlim**

Os resultados deste domingo terão impacto imediato sobre o governo federal do chanceler Olaf Scholz (SPD). Pesquisas de boca de urna publicadas pelo instituto Infratest dimap indicam que o SPD pode ficar abaixo de 15% nos três estados – um desempenho histórico negativo para o partido que lidera a coalizão federal. Em contrapartida, a CDU, sob a liderança de Friedrich Merz, aparece na frente na Saxônia e em Brandemburgo, mas precisa de aliados para governar. E é aí que o cenário se torna explosivo: a Alternativa para a Alemanha (AfD) marca entre 28% e 32% nos três estados, segundo a mesma pesquisa. Com a CDU mantendo uma “barreira sanitária” contra a AfD, qualquer coalizão estável exigirá alianças com o FDP e os Verdes – ou com a recém-criada Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), uma sigla de esquerda populista que combina protecionismo econômico com ceticismo migratório.

Numa publicação nas redes sociais na sexta-feira, o economista e ex-conselheiro do governo Merkel, Lars Feld, alertou: “Se a BSW entrar nos parlamentos com mais de 8%, teremos um bloqueio legislativo que inviabiliza qualquer reforma liberal até 2029”. Feld não é alarmista: a BSW defende o aumento do salário mínimo para 15 euros por hora e a reestatização de redes de energia – propostas que, na prática, afugentariam investimentos privados e elevariam os custos para pequenas e médias empresas, o coração do Mittelstand alemão.

**Análise FORTIS: a janela da liberdade se estreita**

Do ponto de vista liberal, o que está em jogo neste domingo é a última chance de impedir que a Alemanha mergulhe num modelo estatizante de economia. Os estados orientais sempre foram laboratórios: foi lá que a CDU social-cristã de Angela Merkel, a partir de 2005, testou políticas de acolhimento migratório que depois se expandiram para todo o país. Foi também na Saxônia que o movimento Pegida, em 2014, expôs a insatisfação popular antes de qualquer outra região. Agora, o leste pode novamente ditar o tom – mas para o bem, se os liberais souberem aproveitar.

Dados oficiais do Statistisches Bundesamt mostram que os três estados combinados têm um PIB per capita 23% menor que a média nacional, mas um estoque de capital humano qualificado acima da média, graças ao legado industrial da ex-Alemanha Oriental. Ou seja, falta apenas um ambiente regulatório que permita a livre iniciativa florescer. Uma vitória expressiva do FDP neste domingo, por exemplo, poderia pressionar a CDU a abandonar de vez o consenso social-democrata e adotar uma agenda de redução de impostos corporativos e flexibilização trabalhista – duas reformas que o instituto de pesquisas econômicas Ifo estima poderem elevar o crescimento do PIB alemão em 0,8 ponto percentual ao ano.

**Contraponto: o risco do populismo fiscal**

Há quem veja nas eleições regionais um risco maior do que uma oportunidade. Críticos liberais temem que a ascensão da BSW e o fortalecimento da AfD criem um “círculo vicioso do gasto”. Ambas as siglas prometem manter ou aumentar os subsídios estatais, sem indicar cortes correspondentes. Conforme nota oficial do Conselho Alemão de Especialistas Econômicos (Sachverständigenrat), publicada na última segunda-feira, “um aumento da dívida pública estadual sem contrapartida de crescimento pode levar os estados do leste a um patamar de endividamento insustentável em até cinco anos”. Em outras palavras: os eleitores podem escolher liberdade ou promessas de curto prazo. Se optarem pelo segundo caminho, a Alemanha pode perder a oportunidade de se reinventar como uma economia dinâmica e aberta.

O resultado das urnas, portanto, não será apenas um teste de popularidade para Scholz ou Merz. Será um referendo sobre qual modelo de Estado os alemães desejam para as próximas décadas. E, para os liberais, este domingo pode ser o início – ou o fim – de uma janela de reformas.

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**1. Por que estas eleições regionais são tão importantes para a política nacional alemã?** Historicamente, as Landtagswahlen nos estados orientais funcionam como prévias das eleições federais. Em 2025, o governo de Olaf Scholz enfrenta uma crise de confiança, com índices de aprovação abaixo de 30%. Se a CDU conseguir formar coalizões estáveis no leste, mesmo que com apoio do FDP ou dos Verdes, isso dará a Friedrich Merz capital político para desafiar Scholz e, eventualmente, convocar uma eleição federal antecipada. Além disso, as decisões sobre orçamento regional – especialmente subsídios e políticas de imigração – podem servir de modelo para iniciativas no Bundestag.

**2. O que um eleitor liberal deve observar nos resultados de domingo?** Três indicadores principais: primeiro, a votação do FDP – se o partido ultrapassar os 7% em algum estado, isso demonstra que há demanda por uma agenda de mercado. Segundo, a performance da AfD: se ela ultrapassar 30% mesmo com a campanha contra a “barreira sanitária”, sinaliza que a insatisfação popular não é passageira. Terceiro, o discurso de posse dos novos governadores: se eles mencionarem cortes de impostos e desburocratização nos primeiros 30 dias, podemos esperar um vento liberal soprando de leste para oeste.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.