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Eralp rebate acusações: “Não temos nada a ver com crime organizado” — Um liberal defende a presunção de inocência

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

Em meio a uma escalada de operações policiais contra clãs criminosos na Alemanha, o empresário e ativista comunitário Eralp usou as redes sociais para negar categoricamente qualquer vínculo com organizações criminosas. Para o liberalismo, o caso expõe o conflito entre o combate necessário ao crime e a tentação de estigmatizar minorias inteiras.

A Alemanha vive um dos momentos mais tensos de sua história recente no enfrentamento ao crime organizado. Operações simultâneas em Berlim, Stuttgart e Colônia prenderam dezenas de suspeitos ligados a clãs de origem árabe e turca. No centro do furacão, o nome de Eralp — empresário e figura pública de ascendência turca — foi citado por fontes policiais anônimas como “pessoa de interesse”. A reação veio em poucas horas.

Em uma publicação em suas redes sociais, Eralp declarou: “Não temos nada a ver com crime organizado. Somos cidadãos que pagam impostos, geram empregos e respeitam a lei.” A frase, capturada pelo Deutschland-Liveblog da agência DPA, viralizou e reacendeu o debate sobre como tratar denúncias contra imigrantes e seus descendentes sem cair em generalizações perigosas.

O contexto é inflamável. Desde o assassinato de um jovem em Stuttgart por membros de um clã em 2022, o governo alemão intensificou a repressão. Estatísticas oficiais mostram que cerca de 30% dos investigados por crimes graves em clãs têm passaporte alemão, mas origem migrante. A associação automática entre etnia e criminalidade, porém, é um atalho que contraria os princípios liberais de julgamento individual.

Por que isso importa? Para uma sociedade que preza o Estado de Direito, a presunção de inocência não é opcional. Eralp não foi denunciado formalmente, nem alvo de mandado de prisão. Sua declaração, em entrevista à rádio Deutschlandfunk, reforçou que “qualquer cidadão tem o direito de não ser tratado como criminoso até que um tribunal decida”. Essa defesa soa óbvia, mas ganha contornos heroicos quando o acusado pertence a um grupo já sob suspeita coletiva.

A análise FORTIS parte de um princípio liberal clássico: o mérito individual deve superar o pertencimento grupal. A Alemanha, ao mesmo tempo que acerta ao reprimir organizações criminosas, erra ao permitir que a opinião pública condene preventivamente comunidades inteiras. A esquerda identitária costuma silenciar estatísticas de criminalidade por medo de “estereótipos”, enquanto a direita populista as usa como arma. O liberalismo oferece uma terceira via: punir o culpado, não o grupo. Eralp, ao se posicionar, não está apenas se defendendo — está exigindo que o sistema funcione para todos, independentemente da origem.

O contraponto vem de setores da polícia e da mídia mais alinhada à segurança pública. Em nota oficial, a Polícia Criminal de Berlim afirmou que “as investigações seguem critérios objetivos e que qualquer conexão com Eralp será avaliada dentro do devido processo legal”. Críticos apontam que a simples negação não apaga os indícios que levaram ao interesse policial. No entanto, como lembra o jurista e colunista do Frankfurter Allgemeine Zeitung, “indício não é prova, e suspeita não é culpa”.

A liberdade de Eralp de exercer seu comércio e sua vida pública enquanto não condenado é o que diferencia uma democracia liberal de um regime autoritário. O silêncio complacente de muitos líderes comunitários diante de crimes reais também é um problema, mas isso não justifica a inversão do ônus da prova. A resposta correta, do ponto de vista liberal, é mais transparência nas investigações, menos vazamentos seletivos e a garantia de que todos — independentemente do sobrenome — sejam julgados por seus atos, não por sua etnia.

O caso Eralp serve de teste para a Alemanha. Se o governo ceder à pressão por condenações sumárias midiáticas, estará minando as bases do Estado de Direito que tanto custou a construir. Se, por outro lado, conseguir separar o joio do trigo com critérios claros, dará um exemplo de maturidade institucional. O liberalismo, como sempre, aposta na responsabilidade individual e na justiça impessoal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.