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O Estado contra a vida: o novo imposto digital e a falência moral do Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-19

O governo anunciou ontem a criação de um imposto sobre transações digitais. Mais um. Não bastassem os trinta e tantos tributos que já asfixiam cada cidadão produtivo, agora querem meter a mão no dinheiro que circula entre pessoas de bem, em aplicativos de mensagens, em plataformas de trabalho remoto. É a consagração do Estado como parasita fiscal. E o pior: ninguém parece entender que o problema não é técnico, é moral. \n\nHá cem anos, um homem livre podia trabalhar, trocar seus bens e serviços, e guardar o fruto do seu esforço sem pedir licença a burocrata nenhum. Hoje, cada transação é vigiada, taxada, registrada. O Leviatã não quer apenas o seu dinheiro: quer saber onde você gasta, com quem, a que horas. Quer controlar sua vida. E a maioria aplaude, porque confunde esse controle com proteção social. Engano trágico. \n\nA crise moderna não é uma crise de desemprego, de inflação ou de déficit público. Isso são apenas sintomas. A crise é de valores. Perdemos a noção de que o indivíduo é anterior ao Estado. Que a liberdade não é uma concessão do governo, mas um direito natural, inalienável. Quando um povo aceita passivamente que o governo crie um novo imposto para financiar um programa de transferência de renda, ele está dizendo: "Eu não confio na minha própria capacidade de gerir minha vida. Prefiro que o Estado decida por mim." Isso é servidão voluntária. \n\nE o pior é que esse programa de renda básica, apresentado como caridade estatal, é na verdade um mecanismo de controle. O dinheiro vem com amarras. Para receber, você precisa se cadastrar, provar que é pobre, aceitar as regras do jogo. O Estado vira o patrão de todos. O cidadão vira dependente. E dependente não reclama. Dependente obedece. \n\nOlavo de Carvalho, que tive a honra de ler e estudar, já dizia: o socialismo não é um erro econômico, é uma patologia espiritual. Ele surge quando o homem perde a fé em si mesmo e a transfere para a coletividade. Quando acredita que o grupo pode resolver o que o indivíduo não consegue. Mas o grupo não resolve nada. O grupo é uma abstração. Quem age, quem sofre, quem cria, quem morre é o indivíduo. Cada um de nós. \n\nO novo imposto digital é mais um passo nessa direção. Eles dizem que é para taxar os ricos, as grandes empresas de tecnologia. Mentira. Quem paga a conta, no final, é você. É o pequeno empreendedor que vende artesanato pelo Instagram. É o profissional autônomo que recebe por Pix. É a dona de casa que compra mantimentos pelo aplicativo do supermercado. O Estado não distingue: quer sugar tudo. \n\nE a justificativa moral? "É para financiar a saúde, a educação, a assistência social." Como se o governo tivesse algum direito de nos extorquir para fazer o que deveria ser feito com o dinheiro que já nos rouba. A verdade é que o Estado brasileiro é um dos mais ineficientes do mundo. Gasta-se uma fortuna e os serviços são pífios. Mas em vez de cortar a gordura, eles criam novos tributos. É mais fácil aumentar a carga do que administrar bem. \n\nO que está por trás disso tudo não é uma necessidade fiscal. É uma visão de mundo. A visão de que o indivíduo não é capaz de gerir sua própria existência. Que o coletivo, representado pelo Estado, sabe mais do que você o que é bom para a sua vida. Isso é o cerne do totalitarismo moderno. Não com tanques e fuzis, mas com burocracia e impostos. \n\nLembro-me de uma frase de Ludwig von Mises: "O intervencionismo leva ao socialismo, o socialismo leva à tirania." Estamos nessa estrada há décadas. Cada novo imposto é um marco. Cada regulação é uma cerca. Cada programa assistencial é uma corrente. E a maioria não percebe, porque está distraída com entretenimento, com futebol, com novelas. O pão e circo de sempre. \n\nA solução? Não virá de políticos. Não virá de partidos. Virá de cada um de nós que ainda conserva a chama da liberdade interior. É preciso resistir. Não pagar impostos ilegítimos? Não é tão simples, porque o Estado tem a força. Mas é preciso denunciar, educar, formar consciências. O liberalismo clássico não é uma ideologia de direita ou esquerda: é a afirmação de que a vida humana é sagrada e que ninguém tem o direito de dispor dela, nem mesmo o Estado. \n\nA liberdade individual é o valor supremo. Sem ela, não há virtude, não há mérito, não há dignidade. Um homem que não é livre para escolher seu trabalho, seu consumo, sua associação, sua crença, é um homem mutilado. O Estado moderno quer nos mutilar a todos. E quer que peçamos por isso. \n\nO Brasil de hoje é um país de homens e mulheres acorrentados a um sistema fiscal que consome mais da metade da renda nacional. Mas a corrente mais pesada é a mental. Enquanto acharmos que o governo é nosso pai, nossa mãe, nosso provedor, nunca seremos livres. A maior caridade que podemos fazer ao próximo é ensiná-lo a viver sem o Estado. A ser independente. A produzir. A trocar. A cooperar voluntariamente. \n\nO novo imposto digital é apenas o sintoma mais recente de uma doença antiga. A doença do poder sem limites. A doença da arrogância burocrática. A doença da escravidão consentida. Não podemos mais tolerar. É hora de dizer basta. Cada cidadão que se recusa a aceitar essa narrativa de dependência já está dando um passo rumo à liberdade. \n\nNão espere salvação de cima. Ela virá de baixo. De cada um que acorda, que estuda, que trabalha, que paga suas contas e que, apesar de tudo, ainda acredita que o homem é maior que o Estado. É essa crença que nos manterá de pé. E é por ela que lutaremos, todos os dias, com a caneta, com a palavra, com o exemplo. \n\nO FORTIS NEWS continuará denunciando cada tentativa de usurpação da liberdade. Não nos calaremos. Não nos curvaremos. Porque a verdade é uma só: o Estado não é o senhor. O Estado é o servo. E quando o servo se torna senhor, a civilização morre. \n\nQue este editorial sirva de alerta. O imposto digital é uma vergonha. Mas a verdadeira vergonha é aceitá-lo como inevitável. Nada é inevitável quando homens livres decidem resistir.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.