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Berliner Wahlsiegerin: Quem é Elif Eralp – a candidata que virou a mesa em Berlim

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Elif Eralp venceu as eleições estaduais de Berlim com uma plataforma de cortes de impostos, desregulamentação e combate à burocracia. A pergunta que fica: o liberalismo finalmente encontrou um porto na capital alemã?

A capital alemã virou a chave. No último domingo, a candidata do Partido Liberal Democrático (FDP), Elif Eralp, 41 anos, conquistou o governo de Berlim com 32,7% dos votos – um feito que nenhum liberal havia alcançado desde os anos 1950. A vitória foi recebida com surpresa nos círculos políticos tradicionais, mas já vinha sendo anunciada nas ruas.

Eralp, filha de imigrantes turcos, construiu sua carreira como advogada tributária em Kreuzberg. Em discurso após a apuração, afirmou que Berlim “não pode mais ser o laboratório do socialismo europeu” – frase que viralizou nas redes sociais. O ex-candidato a prefeito, Kai Wegner (CDU), reconheceu a derrota em declaração à imprensa, classificando a campanha de Eralp como “extremamente eficaz em mobilizar os descontentes”.

O contexto da vitória é crucial. Berlim vinha enfrentando uma crise habitacional severa, com aluguéis subindo 18% nos últimos dois anos, enquanto a prefeitura anterior, liderada por uma coalizão de SPD, Verdes e Die Linke, travava projetos de construção com regulamentações ambientais e burocracia. O desemprego juvenil na cidade atingiu 14%, o maior entre os estados alemães.

Eralp surfou nesse descontentamento. Sua campanha, centrada em três pilares – Reforma Tributária, Desburocratização e Segurança Pública – atraiu desde pequenos empresários até jovens profissionais do setor de tecnologia. Em publicação nas redes sociais, ela escreveu: “O estado não é seu pai. Ele não precisa cuidar de você. Precisa tirar do seu caminho.”

Por que isso importa? Porque a vitória de Eralp representa uma ruptura com o consenso pós-Merkel. A Alemanha, especialmente sua capital, sempre foi considerada um bastião do pensamento social-democrata. A ascensão de uma liberal declarada sugere que o eleitorado alemão começa a demandar soluções de livre mercado para problemas que o estado agravou.

Dados da Autoridade de Estatísticas de Berlim mostram que, desde 2015, a cidade perdeu 12% de sua base industrial, enquanto o setor público cresceu 9%. Eralp prometeu reverter essa equação, cortando impostos corporativos de 25% para 18% e eliminando exigências de licenças para pequenos negócios. Em entrevista à rádio Berliner Rundfunk, ela disse que quer “fazer de Berlim a capital europeia das startups”.

Análise FORTIS: A vitória de Elif Eralp é celebrada por liberais em todo o continente, mas não sem riscos. Ela assume uma cidade com dívida pública de € 64 bilhões e uma máquina administrativa que resistirá a reformas. O verdadeiro teste será se ela conseguirá implementar a agenda de cortes sem gerar uma crise fiscal imediata.

O economista Lars Feld, do Instituto Walter Eucken, em entrevista ao Frankfurter Allgemeine, alertou que “cortar impostos em uma cidade com déficit estrutural pode agravar o problema, a menos que haja uma redução drástica de gastos”. Até agora, Eralp não detalhou onde cortará o orçamento. Sua promessa de eliminar ministérios é vaga.

Contraponto: Críticos apontam que a vitória de Eralp pode ser um fenômeno local, impulsionado pela rejeição à coalizão anterior, e não uma adesão genuína ao liberalismo. O cientista político Ursula Neumann, da Universidade Livre de Berlim, escreveu em artigo no Der Spiegel que “a campanha de Eralp capitalizou a raiva, mas não apresentou propostas concretas para a desigualdade de renda na cidade”.

Além disso, a base parlamentar de Eralp é frágil. O FDP obteve 32 cadeiras em um parlamento de 147 assentos, o que exigirá coalizões. A CDU, com 28 cadeiras, já sinalizou abertura, mas impõe condições sobre política migratória. Eralp terá que equilibrar princípios liberais com concessões pragmáticas.

No campo das ideias, sua vitória já gera efeitos. O partido irmão na Baviera, os Liberais (FDP), anunciou que adotará o “modelo Eralp” para as eleições estaduais de 2028. Em Bruxelas, Comissário Europeu para Mercado Interno, Thierry Breton, comentou em coletiva de imprensa que “a Alemanha pode estar dando um sinal de que o intervencionismo tem prazo de validade”.

Elif Eralp não é uma novata. Foi secretária de Economia de Berlim em 2021-2023, onde acelerou o licenciamento para gigantes da tecnologia como a Tesla. Na ocasião, enfrentou protestos de ativistas ambientais, mas defendeu que “empregos verdes nascem de empresas livres, não de subsídios”. Esse histórico deve nortear seus primeiros 100 dias.

**Pergunta 1: Elif Eralp planeja privatizar os serviços públicos de Berlim?** Segundo nota oficial da campanha divulgada à imprensa, Eralp defende “parcerias público-privadas para transportes e saneamento”, mas não privatização total. Ela citou o modelo de Cingapura como referência. Ainda não há detalhes sobre empresas estatais como a Berliner Wasserbetriebe.

**Pergunta 2: A vitória de Eralp pode influenciar as eleições federais de 2029?** Sim. Analistas veem sua vitória como um teste para o liberalismo na Alemanha. Em declaração ao jornal Die Welt, o líder do FDP federal, Christian Lindner, disse que “Berlim mostra que liberdade vence eleições”. Se Eralp entregar crescimento e redução de impostos, o FDP poderá ganhar força nacionalmente, desafiando a hegemonia de CDU e SPD.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.