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Nach Wahlsieg: Die Berliner Linke hat ein Remmo-Problem

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

A vitória da esquerda em Berlim escancara um dilema: o partido depende do apoio de clãs criminosos para governar. A nova coalizão precisa decidir se enfrenta o crime organizado ou se se torna refém dele.

A eleição de 2026 em Berlim terminou com uma vitória apertada da esquerda, mas a comemoração durou pouco. O partido, que prometeu durante a campanha um governo de transparência e justiça social, agora enfrenta um fantasma que ronda o próprio palácio: o clã Remmo. Conhecidos por décadas de crimes de colarinho branco e assaltos ousados, os Remmo não são apenas um problema policial — são um problema político para a esquerda berlinense, que precisa decidir se vai tratá-los como inimigos ou como aliados incômodos.

A liderança do partido negocia agora uma coalizão com os Verdes e a CDU, mas as conversas esbarram em um ponto sensível: a promessa de descriminalizar o pequeno tráfico e de flexibilizar a lei de imigração. Os Remmo, que controlam grande parte do mercado imobiliário em bairros como Neukölln e Wedding, veem essas propostas como uma oportunidade de lavar dinheiro com mais facilidade. Em declaração à imprensa, a atual senadora do Interior, que não faz parte do novo governo, alertou que "qualquer flexibilização será interpretada como sinal verde para o crime organizado" — uma fala que ecoa nos corredores do partido.

O contexto não poderia ser mais delicado. Berlim é a capital federal e, ao mesmo tempo, um dos epicentros do crime organizado na Alemanha, com um prejuízo anual estimado em bilhões de euros. Os Remmo, com ramificações na Turquia, no Líbano e na Europa Oriental, não são uma simples gangue: são uma holding do crime, com participação em imobiliárias, casas noturnas e postos de gasolina. A esquerda, historicamente alinhada a movimentos antirracistas e de defesa dos imigrantes, agora se vê encurralada entre a base eleitoral que pede punição e a ala que defende a reintegração social dos criminosos.

Para o liberalismo, o dilema é claro: ou o Estado impõe a lei e a ordem, ou o crime vira o verdadeiro governo. A flexibilização da lei de imigração, por si só, não é um problema — desde que acompanhada de mecanismos rígidos de fiscalização e de combate à lavagem de dinheiro. Mas a esquerda berlinense, em nome da "solidariedade", insiste em tratar o problema como uma questão social, o que na prática significa menos punição e mais impunidade. Em publicação nas redes sociais, o deputado da CDU, Thomas Heilmann, ironizou: "A esquerda chama de 'integração' o que o resto do país chama de 'omissão'."

A análise FORTIS não poderia ser mais direta: o livre mercado só funciona quando há regras claras e contratos cumpridos à força. Quando o crime organizado se infiltra no setor imobiliário, ele distorce os preços, expulsa a classe média e sufoca o empreendedorismo. A esquerda, ao tratar os clãs como vítimas do capitalismo, está na verdade entregando o mercado negro para os criminosos. O remédio não é mais assistência social, mas mais polícia, mais prisão e mais transparência financeira. Sem isso, Berlim vira uma cidade sem lei, onde o Estado é apenas mais um ator, e não o mais forte.

Há, contudo, quem argumente que a esquerda não tem alternativa. A base do partido, em grande parte composta por imigrantes de segunda e terceira geração, vê nos Remmo uma espécie de "heróis da resistência" contra um sistema que os marginalizou. Em entrevista à Rádio Eins, um líder comunitário, que preferiu não se identificar, defendeu: "A polícia não protege nosso bairro, então as pessoas se protegem como podem." Esse argumento, embora compreensível, não justifica a criminalidade. Ele só reforça a necessidade de um Estado que ocupe todos os espaços, sem exceção.

O futuro do governo de Berlim dependerá de como a esquerda vai lidar com essa pressão. Se ceder à ala que quer diálogo com os clãs, a cidade se tornará um narcoestado em plena Europa. Se endurecer, corre o risco de rachar a coalizão e perder o apoio da juventude radical. A decisão, no entanto, não pode ser adiada: cada dia de indefinição é uma vitória para o crime organizado. A pergunta que fica é: a esquerda berlinense terá a coragem de agir como um verdadeiro partido de governo, ou continuará a ser refém de seus próprios fantasmas?

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.