A mais recente projeção divulgada pelo Deutschland-Liveblog nesta sexta-feira, 19 de setembro, confirma o que muitos analistas já temiam: a coligação formada por CDU, Verdes (Grüne) e SPD, apelidada de “Schwarz-Grün-Rot”, não consegue formar maioria absoluta no Parlamento berlinense. Os números indicam que, mesmo somando os assentos de todos os três partidos, o total fica aquém dos 50% necessários para governar com estabilidade.
O cenário é resultado de uma eleição regional marcada por forte fragmentação partidária. Enquanto CDU e SPD mantêm suas bases tradicionais, os Verdes perderam terreno para a esquerda radical e para liberais do FDP. O partido Die Linke, por sua vez, surfou na insatisfação popular com o aumento do custo de vida e a burocracia municipal, conquistando cadeiras que antes pertenciam à coalizão.
**Contexto: Uma capital sob pressão fiscal**
Berlim há muito é vista como um laboratório de políticas públicas de alto custo. Nos últimos anos, a cidade expandiu gastos com subsídios habitacionais, programas sociais e investimentos em mobilidade “verde” que, somados, elevaram a dívida municipal a níveis recordes. Em publicação nas redes sociais, o economista-chefe do Instituto de Pesquisa Econômica de Berlim, Lars Feld, alertou que “a falta de maioria pode paralisar reformas urgentes, como a simplificação tributária e a desburocratização de licenças comerciais”.
A projeção, baseada em boca de urna e apuração parcial, mostra que a aliança entre CDU, Verdes e SPD teria cerca de 48% dos assentos – insuficiente para aprovar leis ordinárias sem apoio de partidos menores. O cenário mais provável, segundo analistas consultados pela Rádio Deutschlandfunk, é a formação de um governo minoritário ou a convocação de novas eleições em 2027.
**Por que isso importa para o liberalismo econômico**
A ausência de maioria para a coalizão Schwarz-Grün-Rot representa uma janela de oportunidade para políticas de livre mercado. Durante a campanha, tanto CDU quanto SPD defenderam aumentos de impostos sobre empresas e rendas altas para financiar subsídios a aluguéis e transporte público. Sem maioria, essas propostas dificilmente avançarão.
Em nota oficial, a Câmara de Comércio e Indústria de Berlim (IHK Berlin) manifestou “alívio cauteloso” com o resultado, afirmando que “a paralisia legislativa pode ser um mal menor do que a aprovação de pacotes fiscais que sufocariam o empreendedorismo local”. A entidade destacou que a capital alemã já perde competitividade frente a Munique e Hamburgo devido à carga tributária elevada.
**Análise FORTIS: O colapso do consenso intervencionista**
O resultado em Berlim não é um acaso. Reflete o cansaço do eleitorado com promessas de bem-estar social financiadas por endividamento. A coalizão Schwarz-Grün-Rot tentou vender a ideia de que mais Estado resolveria os problemas crônicos da cidade – habitação, transporte, segurança – mas os números mostram que a receita não convenceu.
Do ponto de vista liberal, a fragmentação partidária é um sintoma da falência do modelo centralizador. Quando partidos de diferentes espectros se unem em torno de mais gastos públicos, o eleitor reage migrando para opções radicais ou liberais. O FDP, único partido genuinamente pró-mercado no espectro alemão, ampliou sua bancada em Berlim, segundo a projeção.
Contudo, é preciso cautela. Governos minoritários tendem a fazer concessões populistas para sobreviver, como subsídios temporários ou congelamento de aluguéis. O risco é que a falta de maioria gere instabilidade crônica, afastando investimentos. Empresários já sinalizam, em entrevista ao jornal Berliner Zeitung, que adiarão decisões de expansão enquanto o cenário político não se definir.
**Contraponto: O argumento da governabilidade**
Defensores da coalizão, como o porta-voz do SPD berlinense em declaração à imprensa, argumentam que “a falta de maioria é um convite ao caos administrativo”. Para eles, a cidade precisa de um governo forte para enfrentar a crise habitacional e a transição energética. Sem maioria, projetos de lei podem ser bloqueados por partidos menores, como o Die Linke, que exige políticas ainda mais estatizantes.
Esse raciocínio ignora, porém, que Berlim já experimentou décadas de governos de coalizão ampla e os problemas só se agravaram. A dívida pública municipal saltou de 58 bilhões de euros em 2019 para 73 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério das Finanças local. Mais Estado não resolveu; apenas transferiu o custo para as próximas gerações.
**1. A falta de maioria em Berlim pode beneficiar o livre mercado na Alemanha?** Sim, indiretamente. A paralisia legislativa dificulta a aprovação de novos impostos e subsídios. Além disso, fortalece partidos como o FDP, que defendem desregulamentação e cortes de gastos. No entanto, o risco de instabilidade pode afastar investidores, gerando um efeito ambíguo no curto prazo.
**2. Qual o cenário mais provável para os próximos meses em Berlim?** Analistas apontam duas possibilidades: um governo minoritário de CDU e SPD com apoio pontual do FDP, ou novas eleições em 2027. A segunda opção é considerada mais provável, pois nenhum partido quer arcar com o desgaste de uma gestão frágil. O Die Linke já sinalizou que não apoiará nenhum governo que não inclua congelamento de aluguéis.
Por Renan Filho · 2026-09-20