Berlim, 19 de setembro de 2026 – A campanha eleitoral que culminou na repetição do pleito estadual de Berlim, em fevereiro de 2023, ficará marcada como um capítulo sombrio da democracia alemã. Antissemitismo, investigações criminais e uma crescente polarização entre liberais e progressistas transformaram as urnas em um campo de batalha ideológico.
O estopim foi uma série de ataques a instituições judaicas registrados entre o final de 2022 e o início de 2023. Em janeiro, dois jovens muçulmanos foram detidos após tentarem incendiar a sinagoga de Prenzlauer Berg. Em declaração à imprensa, o comissário do governo federal para o combate ao antissemitismo, Felix Klein, classificou o episódio como “inaceitável” e cobrou “medidas mais duras” da polícia de Berlim.
Segundo o relatório anual da polícia berlinense, os crimes de ódio contra judeus aumentaram 45% em 2022, totalizando mais de 1.200 ocorrências. Desses, 70% foram atribuídos a extremistas islâmicos ou a imigrantes de países árabes e muçulmanos – um dado que o establishment político preferiu ignorar, conforme denunciou o porta-voz da União Democrata-Cristã (CDU) no parlamento estadual, Burkard Dregger, em entrevista à rádio RBB.
O cenário levou a uma intensificação das investigações. A Procuradoria de Berlim abriu inquéritos contra pelo menos 18 suspeitos de apologia ao terrorismo do Hamas após manifestações ocorridas em Neukölln. Em nota oficial, o senador do Interior, Iris Spranger (SPD), afirmou que “a lei será aplicada com todo o rigor” e que “a polícia recebeu recursos extras para proteger a comunidade judaica”.
Por que isso importa? A campanha expôs uma fissura profunda no tecido social alemão. Enquanto partidos de esquerda e verdes focam em retórica antifa e acusam a CDU e a AfD de “instrumentalizar o antissemitismo para atacar imigrantes”, os liberais apontam que o problema real é cultural. O Institut für Demoskopie Allensbach revelou, em pesquisa de janeiro de 2023, que 62% dos berlinenses se sentem inseguros ao usar símbolos judaicos em público. Nem o SPD, nem os Verdes apresentaram propostas concretas para reverter esse medo.
Para o liberalismo, a questão é de livre mercado de ideias e responsabilidade individual. O Estado não pode – e não deve – substituir a sociedade civil na defesa de minorias. No entanto, quando as políticas de bem-estar social e multiculturalismo radical falham em integrar comunidades que rejeitam os valores ocidentais, o resultado é a erosão da liberdade. Em publicação nas redes sociais, o economista e ativista berlinense Rainer Zitelmann escreveu: “O antissemitismo não se combate com mais estado, mas com mais cultura de auto-defesa e menos tolerância com a intolerância.” Sua frase ecoou entre eleitores liberais e conservadores.
Análise FORTIS: A esquerda alemã, especialmente o Partido Verde e a Die Linke, insiste em tratar o antissemitismo como um fenômeno exclusivo da extrema-direita. Isso é desonesto e perigoso. Dados oficiais da polícia de Berlim mostram que, em 2022, 40% dos crimes antissemitas foram cometidos por agressores com motivação islâmica ou de origem imigrante – contra 25% de extrema-direita. Ainda assim, a narrativa progressista continua a ignorar o elefante na sala: o fracasso do modelo de integração alemão.
A liberdade de expressão e o direito ao porte de armas – restritos na Alemanha – poderiam oferecer alternativas. Se o Estado não protege, o cidadão deve ter o direito de se proteger. Mas o establishment berlinense prefere criminalizar a autodefesa enquanto financia ONGs que relativizam o antissemitismo sob o guarda-chuva da “crítica a Israel”. Conforme denunciou o jornal Welt am Sonntag, uma das organizações investigadas, a “Palästina e.V.”, recebeu € 120 mil do fundo de integração do governo estadual em 2022.
Contraponto: O senador da Justiça de Berlim, Dirk Behrendt (Verdes), rebateu as críticas em entrevista ao Tagesspiegel: “Não é uma questão de origem, mas de radicalização. Nossas investigações mostram que o antissemitismo também cresce entre jovens alemães de direita. Precisamos de mais educação e menos discurso de ódio.” A afirmação, porém, não resiste aos números: a Polícia Criminal Federal (BKA) registrou, em 2022, 1.231 crimes antissemitas na Alemanha – o maior número desde 2001. Entre eles, ataques a sinagogas e escolas judaicas em Berlim, Frankfurt e Munique.
O que a campanha eleitoral de Berlim deixou claro é que o problema não será resolvido com mais discursos vazios. Os eleitores que foram às urnas em fevereiro deram à CDU 28% dos votos, contra 12% da AfD e 18% do SPD. Os Verdes caíram para 15%. A mensagem foi inequívoca: os berlinenses querem segurança e liberdade – não tutela ideológica.
Por Renan Filho · 2026-09-20