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Antisemitismus: Wie viel Israelhass duldet die Berliner Linke?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

Enquanto judeus são atacados nas ruas de Berlim e sinagogas precisam de proteção policial 24 horas, parte da esquerda berlinense relativiza o ódio a Israel em nome da "solidariedade aos oprimidos". O liberalismo exige respostas claras: onde termina a tolerância e começa a cumplicidade?

Berlim, a capital da tolerância, vive uma crise silenciosa de valores. Desde os ataques de 7 de outubro de 2023, os registros de incidentes antissemitas na Alemanha saltaram mais de 80%, conforme dados oficiais do Bundeskriminalamt. O paradoxo? Grande parte desses atos não parte da extrema-direita — há muito o inimigo identificado —, mas de manifestantes e ativistas autointitulados de esquerda, que confundem crítica ao governo israelense com negação do direito de existência do Estado judeu.

O centro do problema está no chamado "antissemitismo de esquerda" ou, como preferem alguns analistas, "antissionismo militante". Em publicação nas redes sociais do partido Die Linke, uma das principais forças de oposição em Berlim, leu-se recentemente: "Não à cumplicidade alemã com o genocídio em Gaza. Abaixo o apartheid israelense". A frase, embora juridicamente protegida como liberdade de expressão, ecoa um coro cada vez mais comum em rodas progressistas: demonizar Israel enquanto se ignoram ou minimizam os ataques terroristas do Hamas.

A situação chega a níveis absurdos. Em julho deste ano, um grupo de ativistas pró-palestinos tentou interromper uma leitura da Torá em praça pública em Neukölln, bairro com forte presença muçulmana. A polícia precisou intervir. Segundo o parlamentar do CDU em entrevista à rádio Berliner Rundfunk, Joe Chialo, "a esquerda institucional de Berlim falhou em traçar a linha entre crítica legítima e antissemitismo puro". Apesar de ser um crítico frequente do governo israelense, Chialo afirma: "Discutir muros e assentamentos é necessário. Cantar 'Morte aos judeus' durante passeatas não é política, é crime".

Por que isso importa? Porque a tolerância ao discurso de ódio disfarçado de ativismo enfraquece as bases do liberalismo clássico. Uma sociedade que não protege minoras reais — os judeus — em nome da defesa de uma suposta minoria oprimida (palestinos sob governo do Hamas) trai seu próprio contrato social. O livre mercado de ideias pressupõe que todas as opiniões possam ser expressas, mas também que discursos que incitam violência contra grupos específicos sejam neutralizados pelas instituições. Em Berlim, as instituições estão hesitantes.

A análise FORTIS: não se trata de proibir críticas ao governo de Benjamin Netanyahu. Liberais de todo o espectro, incluindo o FORTIS, já apontaram erros na política de assentamentos israelenses e no uso desproporcional da força em Gaza. O problema é a infantilização do debate. Defender a causa palestina virou, para setores da esquerda, sinônimo de aceitar automaticamente a narrativa do Hamas — uma organização listada como terrorista pela União Europeia e pela Alemanha. Quando a chanceler Olaf Scholz afirma que "a segurança de Israel é razão de Estado alemã", mas uma manifestação na Alexanderplatz pede o fim desse apoio, algo se rompe.

A esquerda berlinense, em especial alas jovens do partido Die Linke e do Grüne Jugend (juventude verde), frequentemente abraça pautas decoloniais que enquadram Israel como "colonizador branco ocidental" e os palestinos como "vítimas do imperialismo". Essa simplificação binária elimina nuances históricas — como os judeus mizrahim (orientais) que compõem metade da população israelense e os refugiados judeus expulsos de países árabes. Em entrevista ao jornal Tagesspiegel, o historiador Michael Wolffsohn, judeu alemão e professor emérito da Universidade Bundeswehr, classificou esse fenômeno como "antissemitismo de importação": "Traduzem o conflito do Oriente Médio para a Alemanha como se fosse um jogo de futebol. Torcem contra o time judeu."

O contraponto: defensores dessa postura argumentam que a esquerda alemã nunca foi antissemita, mas sim radicalmente anti-ocupação. Em nota oficial, o porta-voz parlamentar do Die Linke, Dietmar Bartsch, disse que "criticar o governo israelense não é crime e faz parte do debate democrático". Ele tem razão parcial. O problema é que parte dos manifestantes vai além: cartazes com estrelas de Davi sendo jogadas no lixo, comparações entre Netanyahu e Hitler e apologia pública aos ataques do Hamas. Isso não cabe no guarda-chuva do "debate democrático".

Para um liberal, a resposta não está em censura estatal generalizada — isso seria um erro ainda maior —, mas na clara aplicação de leis existentes e na educação cívica. O direito alemão criminaliza a incitação ao ódio (Volksverhetzung). Quando o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) promove o boicote total a Israel — incluindo a produtos que nem vêm de assentamentos —, toca-se num limite. O Bundestag já classificou o BDS como antissemita em 2019, mas a aplicação é frouxa em estados como Berlim.

A pergunta que fica é: até quando a capital alemã financiará organizações e eventos que abrigam discursos de ódio? Em 2024, o senado de Berlim cortou verbas de três entidades ligadas a campanhas anti-Israel, mas a medida foi considerada tímida. Enquanto isso, a comunidade judaica local, uma das que mais cresce na Europa (cerca de 200 mil membros), vive sob escolta. Não é normal que um judeu precise pensar duas vezes antes de usar um solidéu em Kreuzberg.

A lição final: o liberalismo não se sustenta em sociedades que se especializam em proteger apenas as minorias convenientes. Se a esquerda berlinense quiser continuar sendo vista como defensora de direitos humanos, precisa urgentemente fazer uma autocrítica. Defender palestinos não exige odiar judeus. Exigir o fim do governo Netanyahu não significa negar a Israel o direito de se defender. Nesse debate, a linha entre solidariedade e cumplicidade já foi atravessada muitas vezes. Resta saber se os líderes partidários terão coragem de puxar o freio de mão.

**1. Por que o antissemitismo de esquerda é diferente do antissemitismo de extrema-direita na Alemanha?** Enquanto o antissemitismo da extrema-direita é explícito, racial e biologicamente motivado — frequentemente negando o Holocausto —, o da esquerda se disfarça de "antissionismo político". Ele não ataca judeus por sua religião em tese, mas pelo vínculo com Israel. Na prática, porém, judeus da diáspora são responsabilizados por ações do governo israelense, gerando o mesmo efeito de exclusão e ameaça. Na Alemanha, isso é agravado pelo contexto histórico: o país proibiu símbolos nazistas, mas ainda engatinha no combate a discursos que usam a retórica da "libertação palestina" para justificar violência contra judeus.

**2. O que o liberalismo clássico tem a ver com esse debate?** Tudo. O liberalismo defende a liberdade individual e a igualdade perante a lei. Quando uma parte do espectro político legitima o ódio a um grupo específico (judeus) em nome da solidariedade a outro (palestinos), ela está quebrando o princípio fundamental de que todos merecem proteção igual. Além disso, o livre mercado de ideias exige que todos os lados possam debater sem medo de violência. Atualmente, eventos pró-Israel em universidades de Berlim são frequentemente cancelados ou precisam de forte esquema de segurança, enquanto protestos anti-Israel ocorrem livremente. Isso é uma distorção do liberalismo, não sua expressão.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.