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Internacional

Alemanha deve abrir mão de assento permanente no Conselho de Segurança da ONU

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Em vez de insistir em uma cadeira vitalícia em uma instituição disfuncional, Berlim deveria focar em reformas liberais e em alianças pragmáticas. O discurso de ambição global custa caro ao contribuinte alemão e não resolve os conflitos reais.

A Alemanha precisa acordar para o mundo real: o Conselho de Segurança da ONU é um clube de velhos com poder de veto, paralisado por interesses nacionais e inútil diante das crises que realmente importam. Em vez de alimentar a fantasia de um assento permanente, Berlim deveria abandonar essa pretensão e investir em uma política externa baseada em soberania, livre comércio e responsabilidade fiscal. A pressão crescente para ceder às tentações intervencionistas de Paris e Bruxelas só enfraquece a economia alemã e expõe o país a custos imprevisíveis.

A discussão ganhou força após declarações recentes de diplomatas e parlamentares alemães que defendem a reforma do Conselho de Segurança como prioridade da política externa. Em publicação nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, repetiu o discurso de que a Alemanha merece um assento permanente, citando o papel do país como terceiro maior doador da ONU. O problema é que esse protagonismo custa bilhões de euros por ano, dinheiro que poderia ser devolvido ao contribuinte ou investido em infraestrutura e inovação.

A Alemanha já paga a conta de uma política externa que não decide nada. Como maior economia da Europa, o país financia boa parte das missões de paz, mas não tem capacidade de vetar resoluções que contrariam seus interesses. Na prática, Berlim é um caixa eletrônico para os caprichos de Washington, Moscou e Pequim, que usam o Conselho de Segurança como tabuleiro de xadrez. Um assento permanente não mudaria isso; apenas aumentaria a responsabilidade sem dar poder real de decisão.

A reforma do Conselho de Segurança é uma pauta legítima, mas a Alemanha deveria liderar a defesa de um modelo baseado em eficiência, transparência e critérios objetivos de contribuição. Em vez de um assento vitalício, Berlim poderia propor um sistema rotativo com mandatos mais longos e participação de países emergentes, como Índia, Brasil e Japão. Essa seria uma posição liberal, que valoriza a meritocracia e o equilíbrio de poder, em vez de perpetuar privilégios coloniais de 1945.

Os defensores de um assento permanente argumentam que a Alemanha precisa de mais influência para defender seus interesses econômicos e de segurança. Em declaração à imprensa, o chanceler Olaf Scholz afirmou que a Alemanha está pronta para assumir mais responsabilidades, citando o aumento do orçamento militar para 2% do PIB. No entanto, esse discurso ignora que a Alemanha já é um dos maiores contribuintes da OTAN e que a verdadeira influência vem da competitividade econômica, não de assentos em conselhos burocráticos.

A pressão para manter a Alemanha na linha vem de Bruxelas e Paris, que veem Berlim como um sócio dócil para financiar projetos intervencionistas. A França, aliás, é a principal interessada em manter o status quo, pois é o único membro da UE com poder de veto no Conselho. Se a Alemanha realmente quisesse desafiar essa assimetria, deveria defender a extinção do direito de veto e a criação de um conselho mais ágil, em vez de buscar uma cadeira ao lado dos aliados.

No plano doméstico, a opinião pública alemã está cada vez mais cética em relação a aventuras externas. Pesquisas recentes mostram que a maioria dos alemães é contra o aumento dos gastos militares e a participação em missões no exterior. O cidadão comum não vê sentido em pagar mais impostos para financiar guerras que não entende, enquanto a infraestrutura do país se desintegra. Um governo verdadeiramente liberal deveria ouvir essa voz e priorizar o bem-estar interno em vez de ambições geopolíticas.

A Alemanha tem um papel a desempenhar no mundo, mas ele não passa por um assento no Conselho de Segurança. O país deve ser um exemplo de livre comércio, inovação e responsabilidade fiscal, não um membro honorário de um clube de nações falidas. Ao abrir mão dessa pretensão, Berlim pode focar no que realmente importa: garantir a prosperidade dos seus cidadãos e construir pontes com mercados emergentes, sem se submeter a uma agenda globalista que drena recursos e soberania.

A reforma da ONU é necessária, mas não pode ser feita às custas dos contribuintes alemães. Em vez de pressionar por um assento permanente, a Alemanha deveria liderar um movimento por uma organização mais enxuta, com menos burocracia e mais eficiência. Afinal, a melhor forma de promover a paz e a liberdade é através do comércio e do respeito à soberania, não de resoluções vazias e sanções que só prejudicam os mais pobres.

O futuro da Alemanha está em suas próprias mãos, não nas mãos de burocratas em Nova York. Ao abandonar a corrida por um assento permanente, Berlim pode se concentrar em fortalecer sua economia, proteger suas fronteiras e defender seus interesses nacionais. Essa é a postura liberal que o país precisa, longe das pressões de uma elite global que não responde a ninguém.

Nesse sentido, a decisão de abrir mão do assento permanente não é um recuo, mas uma escolha estratégica inteligente. A Alemanha pode se tornar um exemplo de como uma nação pode prosperar sem depender de estruturas internacionais falidas. Em vez de gastar bilhões em uma campanha diplomática para conquistar um assento que não trará benefícios concretos, Berlim deveria investir em acordos bilaterais e em parcerias com países que compartilham seus valores de liberdade e livre mercado.

A política externa alemã precisa ser baseada em interesses, não em emoções. O discurso de que a Alemanha tem o dever de assumir mais responsabilidades globais é uma armadilha para fazer o país pagar a conta de intervenções fracassadas. A verdadeira responsabilidade é com os cidadãos alemães, que merecem um governo que priorize seu bem-estar e sua segurança, sem se render às pressões de parceiros que não têm os mesmos interesses.

Portanto, a mensagem é clara: a Alemanha deve abandonar a pretensão de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e focar no que realmente importa. O país tem tudo para ser uma potência econômica e diplomática, mas isso não depende de assentos em conselhos, e sim de uma política externa pragmática e independente. O liberalismo não se constrói com discursos vazios, mas com ações concretas que promovam a prosperidade e a paz.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.