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Economia

Alemanha: Abolir metas de armazenamento de gás é o caminho para segurança energética real

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O governo alemão insiste em manter metas draconianas de armazenamento de gás, mas economistas e parlamentares liberais apontam: a intervenção estatal distorce o mercado e cria riscos maiores. Abolir essas metas é a única saída para uma segurança energética genuína.

A Alemanha enfrenta um dilema energético que expõe as falhas do intervencionismo. Desde a crise do gás russo, o governo impôs metas obrigatórias de armazenamento — 90% da capacidade até novembro, 80% em outubro, 40% em fevereiro. Agora, com os estoques cheios e preços em queda, o debate se acirra: manter ou abolir esses alvos artificiais.

O economista do Instituto Ifo, em entrevista à Deutschlandfunk, classificou as metas como "um remédio que virou doença". Segundo ele, a obrigatoriedade distorce os sinais de preço, desestimula investimentos privados em armazenamento e eleva custos para consumidores e indústria. "O mercado, se deixado livre, ajusta os níveis de estocagem com base em expectativas racionais de oferta e demanda", declarou.

Por que isso importa? Porque a população alemã já paga a conta. Estima-se que as metas adicionaram cerca de 5 bilhões de euros aos custos energéticos em 2024, conforme relatório da Agência Federal de Redes (Bundesnetzagentur). Esse valor é repassado diretamente às tarifas de gás, onerando famílias e empresas em um momento de recuperação econômica frágil.

A análise do FORTIS é clara: a segurança energética não se constrói com decretos, mas com liberdade de mercado. Quando o governo fixa metas de estoque, ele substitui a inteligência descentralizada de milhares de agentes econômicos por uma decisão centralizada e sujeita a lobby. O resultado são distorções: traders compram gás no verão para cumprir cotas, mesmo quando o preço está alto, e vendem no inverno com prejuízo, porque o mercado não sinalizou escassez real.

O deputado do FDP, Michael Kruse, em publicação no Twitter, afirmou: "As metas de armazenamento são uma herança da histeria pós-Ucrânia. Hoje, com a diversificação de fornecedores (GNL, Noruega, Países Baixos), elas são desnecessárias e contraproducentes. Precisamos de confiança no mercado, não de burocratas controlando tanques de gás."

Contraponto: defensores das metas, como o ministro da Economia Robert Habeck (Verdes), argumentam que as obrigações evitam repetição do cenário de 2022, quando a Rússia cortou o fornecimento. Em declaração à imprensa, Habeck disse que "sem metas, o risco de desabastecimento seria maior, especialmente em invernos rigorosos". Porém, a realidade desmente essa tese: nos últimos dois invernos, mesmo com estoques cheios, os preços subiram porque o mercado reagiu a outros fatores (demanda asiática, manutenção de infraestrutura). A meta não impediu volatilidade — apenas a transferiu para os consumidores.

Além disso, a própria Comissão Europeia, em nota técnica de julho de 2025, reconheceu que as metas de armazenamento "devem ser revisadas à luz da nova realidade de mercado", sugerindo um cronograma de eliminação gradual. A Alemanha, no entanto, insiste em prorrogar as regras até 2028, ignorando a recomendação.

O caminho liberal é simples: abolir as metas e permitir que os agentes econômicos decidam seus níveis de estocagem com base em preços futuros (futures). Empresas privadas, como a Uniper e a RWE, já operam armazenamentos próprios e têm incentivos claros para manter reservas quando o mercado indica risco. O governo deve se limitar a remover barreiras regulatórias e garantir transparência de dados, não a ditar volumes.

A segurança energética real vem da diversidade de fontes, da flexibilidade de contratos e da capacidade de resposta do mercado — não de metas burocráticas que engessam o sistema e encarecem a energia. A Alemanha precisa escolher: continuar no caminho do controle estatal ou abraçar a liberdade que garante resiliência.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.