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Holm enterra o sonho: AfD não governará Schwerin tão cedo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

O líder da AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Leif-Erik Holm, admitiu publicamente que seu partido não chegará ao governo estadual no curto prazo. Para liberais, a declaração expõe o beco sem saída do populismo nacional-conservador na Alemanha.

Em um liveblog do Deutschland, o parlamentar Leif-Erik Holm, candidato principal da Alternativa para a Alemanha (AfD) em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (MV), afirmou que não acredita em uma formação de governo liderada por seu partido no estado.

A declaração, registrada por veículos de imprensa locais durante a cobertura ao vivo da semana política em Schwerin, ecoa o realismo de um partido que, embora lidere algumas pesquisas regionais, esbarra no cordão sanitário imposto pelas demais legendas.

CONTEXTO: O MURO DE FOGO CONTRA A AFD Desde a ascensão eleitoral da AfD no leste alemão, todos os partidos tradicionais — CDU, SPD, Verdes, FDP e Die Linke — firmaram compromissos públicos de não formar coalizão com a legenda. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde a AfD oscila entre 22% e 26% nas intenções de voto, essa barreira é absoluta.

Holm, em sua fala no liveblog, reconheceu que “sem disposição dos outros partidos para cooperar, uma maioria parlamentar para a AfD é matematicamente possível, mas politicamente inviável”. A frase, citada pelo jornal Ostsee-Zeitung, confirma que o partido já internalizou a exclusão.

POR QUE ISSO IMPORTA PARA O LIBERALISMO Para o movimento liberal clássico, a notícia tem duas faces. De um lado, a estabilidade institucional alemã resiste a um partido que, em diversos momentos, flertou com posições estatistas e antieuropeias. De outro, a exclusão permanente de 25% do eleitorado levanta questões graves sobre representatividade e liberdade política.

O liberalismo defende o livre mercado de ideias, mas também exige que partidos respeitem as regras do jogo democrático. No caso da AfD, suas propostas de controle de fronteiras e centralização estatal na economia contradizem o ideário liberal. Ainda assim, proibir partidos de governar via cartel partidário não é solução de longo prazo.

ANÁLISE FORTIS: O AUTO-ISOLAMENTO DA AFD O diagnóstico de Holm revela que a AfD sabe que seu teto eleitoral não basta. Mesmo em estados onde lidera, como na Saxônia, o partido não consegue atrair parceiros de coalizão. O motivo? Sua plataforma, cada vez mais radicalizada em torno de temas identitários e antissistema, afugenta não apenas a esquerda, mas também setores conservadores e liberais.

Dados do instituto INSA mostram que, em MV, 62% dos eleitores da AfD declaram votar no partido como “protesto contra o establishment”, e não por adesão ideológica ao programa. Isso torna o partido uma esponja de votos voláteis, mas sem musculatura para construir maiorias estáveis.

Para liberais, o erro estratégico da AfD foi abandonar a pauta econômica clássica (cortes de impostos, desregulamentação, livre comércio) em favor de um discurso nacionalista e protecionista. Com isso, perdeu a chance de se tornar uma alternativa viável à esquerda e aos democratas-cristãos.

CONTRAPONTO: A TESE DO “CORRUPÉ” INSTITUCIONAL Críticos dentro do próprio campo conservador argumentam que a exclusão da AfD não é democrática. Em artigo no Die Welt, o jornalista Torsten Krauel defende que “se um partido alcança 25% dos votos, a democracia exige que ele seja testado no governo, mesmo que em coalizões minoritárias”.

O argumento tem peso. Se a CDU, por exemplo, aceitasse negociar com a AfD em torno de pautas específicas (como segurança pública e controle migratório), poderia isolar os radicais e cooptar eleitores moderados — algo que ocorre com sucesso em países como a Áustria.

Entretanto, a chancelaria de Olaf Scholz e a liderança da CDU mantêm o cordão sanitário como dogma. Isso força eleitores insatisfeitos a escolher entre abster-se ou votar em partidos de protesto inúteis — um cenário que, paradoxalmente, fortalece o sentimento antissistema.

O FUTURO DA AFD EM MV Holm já declarou em entrevistas anteriores à Rádio NDR que seu objetivo pessoal é “pressionar o governo estadual via oposição fiscalizadora, e não governar a qualquer custo”. Essa linha, chamada internamente de ‘estratégia de resistência construtiva’, busca evitar o desgaste de assumir pastas sem ter maioria.

Na prática, a AfD de MV focará em pautas de controle orçamentário e combate à burocracia, tentando se diferenciar da ala mais radical do partido, liderada por Björn Höcke na Turíngia. Resta saber se o eleitorado aceitará esse reposicionamento

Para liberais, o caminho correto seria a AfD se reorganizar em torno de princípios de mercado: privatizações, redução da carga tributária e flexibilização trabalhista. Enquanto isso não ocorrer, ela continuará sendo um fenômeno de protesto — e não uma opção de governo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.