Berlim, 19 de setembro de 2026 — A vitória da CDU nas eleições para o Abgeordnetenhaus era esperada, mas a magnitude surpreendeu até os otimistas. Com 32,5% dos votos, segundo projeções oficiais da Comissão Eleitoral de Berlim, os democratas-cristãos superaram o Partido Social-Democrata (SPD), que despencou para 19,8%, seu pior resultado histórico na capital. O partido Verde, que governava em coalizão com o SPD, caiu para 14,3%, enquanto a esquerda radical (Die Linke) amargou 9,2%. A AfD, impulsionada pelo descontentamento com a imigração ilegal, alcançou 16,7%, consolidando-se como segunda força.
O contexto dessa virada é claro: anos de má gestão socialista transformaram Berlim num símbolo de decadência urbana, com ruas sujas, transporte público caótico e uma criminalidade que afugenta moradores e investidores. A CDU, liderada por Kai Wegner, capitalizou o cansaço do eleitor com promessas de redução de impostos, desburocratização para empresas e policiamento ostensivo. Em declaração à imprensa logo após a vitória, Wegner afirmou que “Berlim voltará a ser uma cidade que funciona, não um laboratório de ideologias fracassadas”.
Por que isso importa? Berlim não é apenas a capital alemã; é o símbolo da esquerda europeia. Durante décadas, a cidade foi gerida por uma aliança vermelho-verde-vermelha que expandiu o Estado, subsidiou grupos de militância climática e criou um ambiente hostil ao empreendedorismo. Com a CDU no comando, a Alemanha como um todo ganha um contrapeso liberal-conservador que pode influenciar as eleições federais de 2027. Além disso, a vitória da CDU sinaliza que o eleitor alemão rejeita o dirigismo estatal que levou o país à recessão em 2025.
A análise FORTIS enxerga nesse resultado uma lição clara: políticas de bem-estar social sem responsabilidade fiscal geram estagnação. Berlim tem a maior dívida per capita entre os estados alemães — 17 bilhões de euros acumulados, segundo dados do Ministério das Finanças local. Enquanto isso, o mercado imobiliário berlinense quebrou sob o peso de congelamentos de aluguéis e burocracia municipal, levando a um déficit de 100 mil habitações. A CDU propõe cortar 30% das secretarias estaduais, privatizar serviços públicos ineficientes e abolir o imposto sobre transmissão de imóveis — medidas que, se implementadas, podem destravar investimentos.
Contudo, há contrapontos. Críticos, como a cientista política Anna Schwarz, da Universidade Humboldt, argumentam que a CDU não tem maioria absoluta e precisará negociar com o SPD ou os Verdes, o que pode diluir as reformas. Além disso, a AfD cresce às custas do medo, e sua força parlamentar pode radicalizar o debate sobre imigração. Em nota oficial, a líder do SPD, Franziska Giffey, classificou a derrota como “um alerta” e defendeu a manutenção do Estado social, acusando a CDU de “prometer cortes que prejudicarão os mais pobres”. A verdade é que a esquerda perdeu o monopólio da narrativa em Berlim, e agora terá que provar na oposição que suas ideias não estavam erradas — tarefa ingrata após 25 anos no poder.
Por Renan Filho · 2026-09-20