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24 presos: Extrema-direita causa tumulto em Haia; ordem liberal sob pressão na Europa

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

A polícia holandesa prendeu 24 manifestantes de grupos nacionalistas após confrontos violentos no centro de Haia. O episódio reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão e o papel do Estado diante da radicalização política.

A polícia de Haia confirmou, em comunicado oficial divulgado na manhã desta sexta-feira, a prisão de 24 pessoas após uma manifestação de grupos de extrema-direita que resultou em depredação de lojas e confrontos com as forças de segurança. O protesto, convocado por organizações nacionalistas holandesas e com presença de militantes alemães, ocorreu na Praça da Paz, no centro da cidade, e foi dissolvido com uso de canhões d’água e gás lacrimogêneo.

Segundo o porta-voz da polícia, em entrevista à emissora pública NOS, os detidos respondem por incitação à violência, dano ao patrimônio público e resistência à prisão. Entre os presos estão três cidadãos alemães que, de acordo com a inteligência holandesa, já eram monitorados por ligações com o movimento identitário germânico. A ação foi a maior contra a extrema-direita na Holanda desde os protestos contra as restrições da pandemia, em 2021.

O contexto do tumulto remonta à decisão do governo holandês de proibir uma marcha marcada para o mesmo dia, sob o argumento de que o evento representava risco à ordem pública. Os organizadores, no entanto, descumpriram a determinação e iniciaram o ato de forma não autorizada. A tensão escalou quando parte dos manifestantes passou a atacar vitrines de estabelecimentos comerciais e a entoar slogans contra a imigração e a União Europeia.

Por que isso importa? O episódio ocorre em um momento em que governos europeus, incluindo o alemão, endurecem a legislação contra discursos de ódio e manifestações não autorizadas. Para liberais, o dilema é evidente: como conter a violência sem sacrificar as liberdades individuais que sustentam o livre mercado e a sociedade aberta? A resposta não pode ser o expansionismo estatal, mas sim o fortalecimento das instituições que garantem o direito de propriedade e a segurança jurídica.

Análise FORTIS: A turba que quebrou vidraças em Haia não representa o liberalismo, mas sim o seu antípoda: o coletivismo autoritário travestido de nacionalismo. Contudo, a reação do governo holandês também merece críticas. Ao antecipar a proibição de uma marcha antes de qualquer ato violento, o Estado flertou com a censura prévia, algo que o princípio liberal repele. O livre mercado de ideias exige tolerância ao discurso impopular; o que não se tolera é a agressão física e a destruição de propriedade alheia. A prisão dos 24 é justa, mas a proibição prévia do evento é um precedente perigoso que pode ser usado contra manifestações legítimas de qualquer espectro político.

Contraponto: Defensores da medida, como o ministro da Justiça holandês em declaração à imprensa, argumentam que a proibição foi necessária devido ao histórico de violência dos grupos convocadores. O ministro citou relatórios de inteligência que indicavam planos de confronto direto com a polícia. Para ele, a liberdade de reunião não é absoluta quando há evidências concretas de risco iminente à vida e ao patrimônio. O governo alemão, em nota oficial, manifestou solidariedade às autoridades holandesas e pediu cooperação no combate ao extremismo transfronteiriço.

O episódio de Haia expõe a fragilidade do equilíbrio entre segurança e liberdade. Enquanto a extrema-direita avança nas urnas em vários países europeus, a tentação de responder com mão pesada do Estado pode minar exatamente os valores que se pretende defender. Para o liberalismo clássico, a solução passa por menos Estado e mais responsabilidade civil: punir com rigor os crimes cometidos, mas não restringir preventivamente o direito de reunião. O caminho é estreito, mas é o único que preserva a sociedade aberta.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.