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Violência em Santa Marta: disparos, ameaças e veículos incendiados paralisam comércio e transporte na Colômbia

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Uma onda de ataques coordenados contra lojas, caminhões e ônibus deixou ao menos seis feridos e prejuízos milionários na capital do Magdalena. O Estado colombiano, mais uma vez, mostrou-se incapaz de garantir a segurança mínima para o funcionamento da economia.

Na madrugada desta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, Santa Marta amanheceu sob pânico. Homens armados em motocicletas dispararam contra pelo menos quatro estabelecimentos comerciais no centro da cidade, incendiaram três veículos de carga e deixaram ameaças escritas em muros: “Parem de pagar a extorsão ou a próxima vez será com vocês dentro”. A informação foi confirmada pela Polícia Metropolitana de Santa Marta em boletim oficial divulgado às 7h.

O ataque não foi isolado. Segundo a Federação Nacional de Comerciantes da Colômbia (Fenalco), somente neste mês já são 47 ocorrências do tipo na região, um aumento de 32% em relação ao mesmo período do ano passado. Os alvos são principalmente pequenos e médios empresários do setor de transporte e varejo, que se recusam a pagar “vacinas” — como são chamadas as taxas de proteção cobradas por grupos criminosos.

A paralisação do transporte foi imediata. A Associação de Transportadores de Carga do Magdalena (ATC) informou que 80% dos caminhões que abastecem o porto de Santa Marta deixaram de circular por medo de novos ataques. O porto é o quarto maior em movimentação de contêineres da Colômbia e responde por 12% do PIB do departamento. Cada dia de paralisação representa uma perda estimada em 2,3 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 3,1 milhões) em fretes e taxas portuárias.

Por que isso importa? Porque Santa Marta é um termômetro do fracasso do modelo de segurança pública colombiano. O governo nacional, sob a gestão do presidente Gustavo Petro (Colômbia Humana), aumentou o orçamento da Polícia Nacional em 18% nos últimos dois anos, mas os índices de homicídio e extorsão continuam subindo. Dados oficiais do Ministério da Defesa mostram que, em 2025, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes em Magdalena foi de 28,7 — acima da média nacional de 24,1. O dinheiro do contribuinte está sendo gasto em programas sociais que não atacam a raiz do problema, enquanto o crime organizado ocupa o vácuo deixado pelo Estado.

Análise FORTIS: A violência em Santa Marta não é fruto da “desigualdade” ou do “capitalismo selvagem”, como a esquerda colombiana repete em seus discursos. Ela é consequência direta de um Estado que tributa excessivamente — a carga tributária colombiana é de 34% do PIB, uma das mais altas da América Latina — e entrega o mínimo. Os empresários locais pagam impostos elevados para financiar uma burocracia ineficiente, enquanto a segurança, função primária do Estado, é terceirizada para milícias e cartéis. O livre mercado não funciona sem segurança jurídica e física. Cada loja fechada, cada caminhão queimado é um emprego destruído e um imposto que deixa de ser arrecadado.

Contraponto: A prefeitura de Santa Marta, liderada pelo prefeito Carlos Pinedo (Partido Liberal Colombiano), afirmou em entrevista à Rádio Nacional que “a violência é resultado do abandono histórico do Estado e da falta de oportunidades”. A narrativa é a mesma: culpar o capitalismo. No entanto, os dados não sustentam essa tese. Países com menor intervenção estatal na economia, como Chile e Peru, têm taxas de homicídio inferiores (4,3 e 5,8 respectivamente) e conseguem coibir a extorsão com polícias mais enxutas e eficientes. O problema colombiano não é o mercado, é a má gestão dos recursos públicos e a ausência de um sistema de justiça criminal que funcione.

Enquanto isso, os comerciantes de Santa Marta se organizam em grupos de WhatsApp para se protegerem por conta própria. “Se o Estado não faz, a gente faz”, disse um empresário do setor de autopeças, sob condição de anonimato, em áudio vazado nas redes sociais. É a prova de que, na ausência do Estado mínimo que funcione, o cidadão recorre ao que pode — inclusive à justiça privada, que, sem regulação, pode se transformar em novo foco de violência.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.