A terra tremeu forte na região andina da Colômbia nesta quinta-feira (24). De acordo com o Serviço Geológico Colombiano (SGC), dois sismos de magnitude 4,1 foram registrados com epicentro no município de Chaparral, departamento de Tolima, em um intervalo de menos de três horas. O primeiro abalo ocorreu às 6h40 (horário local), seguido por outro às 9h12. Ambos tiveram profundidade de aproximadamente 30 km, o que explica a sensação significativa em áreas urbanas distantes.
Relatos nas redes sociais e verificações preliminares da Defesa Civil indicam que os tremores foram sentidos em Bogotá (a mais de 200 km do epicentro), Ibagué (capital de Tolima), Cali, Neiva e até em cidades mais ao norte, como Bucaramanga. Até o fechamento desta edição, não há registros oficiais de vítimas fatais ou desabamentos, mas ao menos seis municípios reportaram rachaduras em residências e queda de objetos.
**Contexto sísmico e a realidade colombiana**
A Colômbia está situada no Cinturão de Fogo do Pacífico, uma das zonas de maior atividade sísmica do planeta. Somente em 2025, o país já contabilizou mais de 2.500 tremores de baixa e média intensidade. A região de Chaparral, especificamente, é conhecida por falhas geológicas ativas, e seguidilhas como a de hoje não são incomuns — mas o fato de dois abalos de 4,1 ocorrerem no mesmo dia acendeu um alerta justificado.
O que chama a atenção, no entanto, não é a natureza do fenômeno, mas a resposta do poder público. A Colômbia possui um dos marcos legais de gestão de risco mais modernos da América Latina — a Lei 1523 de 2012 —, mas a execução é pífia. Dados do Departamento Nacional de Planejamento (DNP) indicam que, em 2024, apenas 37% dos municípios classificados como de alto risco sísmico tinham planos de contingência atualizados. Tolima, onde fica Chaparral, estava entre os que não cumpriam a meta.
**Por que isso importa? A equação do custo evitável**
A cada tremor que não derruba uma casa, o Estado colombiano comemora uma sorte que não planejou. Mas a conta chega: em 2023, o país gastou 1,2 bilhão de pesos colombianos (cerca de R$ 1,3 bilhão) em reconstrução pós-desastres — valor que poderia ter sido reduzido em 60% se houvesse investimento preventivo em reforço estrutural de escolas, hospitais e habitações populares, segundo estimativa do Banco Mundial para a região.
É o velho padrão latino-americano: tributa-se pesadamente a classe produtiva, mas o dinheiro some em burocracia e obras superfaturadas, enquanto a população pobre — que mora em encostas e construções informais — é a primeira a sofrer. Na Colômbia, o imposto de renda pessoa jurídica chega a 35%, e o IVA médio é de 19%. O retorno em infraestrutura resiliente? Insuficiente.
**Análise FORTIS: Liberalismo e Terremotos**
Um liberal-conservador não nega a necessidade de ação estatal em desastres naturais — o problema é o tamanho e a ineficiência do Estado. A seguidilla de Chaparral expõe duas falhas estruturais. Primeiro, a máquina pública prioriza o gasto corrente (salários, pensões, subsídios políticos) em detrimento de investimentos de longo prazo como mapeamento geológico detalhado e programas de retrofit sísmico. Segundo, a regulação excessiva do solo e da construção, em vez de proteger, acaba empurrando famílias de baixa renda para moradias irregulares, justamente as mais vulneráveis.
A solução liberal passa por três eixos: (1) simplificar o licenciamento para construções seguras e a formalização de imóveis, reduzindo o custo da legalidade; (2) vincular parte da arrecadação de impostos prediais a um fundo municipal exclusivo para prevenção de desastres, com transparência total e prestação de contas trimestral; (3) estimular o seguro privado contra catástrofes, com subsídio fiscal para as famílias de menor renda, em vez de depender exclusivamente de um Estado que sempre chega depois.
**Contraponto: A crítica à “privatização da segurança”**
Defensores de uma atuação estatal mais ampla podem argumentar que a prevenção sísmica é um bem público que o mercado não consegue prover adequadamente — especialmente em áreas rurais pobres. O argumento tem mérito parcial: seguros privados são caros em regiões de alto risco, e a informação geológica de qualidade é, de fato, um bem público. A resposta liberal, contudo, não é ignorar o problema, mas corrigir os incentivos errados. O Estado deve financiar o mapeamento de risco e a pesquisa sísmica — um investimento relativamente barato, da ordem de 50 milhões de dólares anuais para todo o país —, mas deixar a execução de obras e a gestão de sinistros para o setor privado regulado, que tem incentivos reais para minimizar perdas e acelerar indenizações.
**1. Há risco de um terremoto maior nos próximos dias?** Segundo o SGC, a sequência atual não indica, por si só, a iminência de um grande terremoto. A região de Chaparral está em uma zona de acomodação tectônica, e réplicas de até 3,5 podem ocorrer nas próximas 72 horas. A recomendação é que a população mantenha rotas de fuga desobstruídas e kits de emergência, mas sem pânico. O histórico local não sugere um evento superior a 6,5 no curto prazo.
**2. O governo colombiano está fazendo algo agora?** A Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) ativou protocolos de avaliação de danos em Tolima, e o presidente Gustavo Petro usou a rede social X para “solidarizar-se com os afetados”, sem anunciar medidas concretas. A FORTIS News apurou que o orçamento de 2025 da UNGRD para prevenção sísmica é de apenas 180 bilhões de pesos (cerca de R$ 200 milhões), um valor que, se dividido pelos 1.100 municípios colombianos, dá menos de R$ 180 mil por cidade — insuficiente até para a compra de um único equipamento de monitoramento de solo de médio porte.
Por Renan Filho · 2026-09-24