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Morte de 'Cholo' acirra crise na Colômbia: caças Kfir sobrevoam Magdalena e La Guajira enquanto Mindefensa tenta conter danos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

A Força Aérea Colombiana mobilizou seus caças Kfir em missão de demonstração de força nas regiões de Magdalena e La Guajira após a morte do líder do ELN conhecido como 'Cholo'. O Ministro da Defesa, Iván Velásquez, veio a público, mas o silêncio sobre o custo da operação expõe a contradição do discurso de 'paz total' do governo Petro.

A Colômbia amanheceu sob som de turbinas militares nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026. Caças israelenses Kfir, operados pela Força Aérea Colombiana, realizaram voos rasantes sobre os departamentos de Magdalena e La Guajira, em uma operação que o governo classifica como “dissuasiva” — mas que analistas independentes apontam como reação descoordenada à morte de alias ‘Cholo’, comandante de uma das frentes do Exército de Libertação Nacional (ELN).

O Ministério da Defesa colombiano, em nota oficial divulgada no início da tarde, confirmou a operação e afirmou que os sobrevoos “fazem parte do plano de segurança regional” e que “não há alvos específicos sendo bombardeados”. A nota não informa quantas horas de voo foram realizadas nem o custo operacional de cada missão — cada hora de voo de um Kfir consome, em média, 40 mil dólares em combustível e manutenção, segundo dados públicos da própria Força Aérea Colombiana.

A morte de ‘Cholo’ ocorreu na madrugada de segunda-feira, 21 de setembro, durante uma operação conjunta do Exército e da Polícia Nacional na serrania de Perijá, fronteira com a Venezuela. A versão oficial é que o líder do ELN resistiu à prisão e foi abatido. Grupos de direitos humanos locais, como a Comissão de Justiça e Paz de La Guajira, questionam a legalidade da ação, alegando que ‘Cholo’ estava em negociações de paz sob a política de “paz total” do presidente Gustavo Petro.

O governo Petro, que desde 2022 tenta implementar uma estratégia de diálogo com todos os grupos armados, vê-se agora encurralado: se admite que a morte foi um excesso, desmoraliza as forças de segurança; se a justifica sem transparência, alimenta a desconfiança dos guerrilheiros que ainda negociam. O Ministro da Defesa, Iván Velásquez, em declaração à imprensa nesta manhã, foi vago: “A operação foi legal, dentro do marco jurídico. Não comentaremos detalhes táticos.”

Por que isso importa: a região de Magdalena e La Guajira é um dos corredores estratégicos do narcotráfico colombiano, com rotas que ligam a produção de coca dos departamentos do sul aos portos do Caribe. Qualquer escalada militar ali tem impacto direto no preço da cocaína no mercado internacional, mas também no custo para o contribuinte colombiano — que já paga uma das cargas tributárias mais altas da América Latina (34% do PIB, segundo a OCDE) por serviços públicos precários.

Análise FORTIS: O governo Petro repete o padrão clássico da esquerda latino-americana — gasta bilhões em parafernália militar enquanto corta recursos da saúde e da educação. A operação dos Kfir, que são caças supersônicos fabricados nos anos 1980 e já obsoletos para missões de bombardeio preciso, serve mais para acalmar a base política do presidente do que para garantir segurança real. A morte de ‘Cholo’ era previsível: o ELN nunca abandonou a luta armada, mas o governo preferiu acreditar em acordos de papel a investir em inteligência e polícia de fronteira.

Soberania nacional é um princípio caro ao FORTIS — e a Colômbia tem todo o direito de defender seu território. Mas soberania sem eficiência é apenas desperdício. O contribuinte colombiano merece saber quantos milhões de dólares foram queimados no céu de Magdalena para um show de força que, até agora, não prendeu um único traficante adicional.

Contraponto: especialistas em segurança pública, como o ex-comandante das Forças Militares colombianas General (R) Jaime Humberto Bermúdez, argumentam que a demonstração de poder aéreo é necessária para evitar que grupos armados interpretem a morte de ‘Cholo’ como fraqueza do Estado. “O ELN tem células de retaliação. Se o governo não mostrar dentes, os ataques contra civis e infraestrutura se multiplicam”, disse Bermúdez em entrevista à Rádio Caracol. O argumento é válido — mas não justifica a falta de prestação de contas dos gastos. Se a operação é necessária, que seja feita com transparência.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.