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Dois terremotos acima de 4,0 sacodem Chaparral, Tolima: o que revela a resposta do Estado colombiano

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Na noite de 22 de setembro de 2026, dois abalos sísmicos de magnitudes 4,5 e 4,2 atingiram a região de Chaparral, Tolima. Enquanto a população corre para as ruas, o governo Petro tenta demonstrar controle — mas os dados de infraestrutura e prevenção contam outra história.

Dois tremores de terra de magnitude superior a 4,0 foram registrados pelo Serviço Geológico Colombiano (SGC) na noite desta terça-feira, 22 de setembro, no município de Chaparral, departamento de Tolima. O primeiro sismo, de magnitude 4,5, ocorreu às 21h13 (horário local), seguido por uma réplica de 4,2 às 22h47. O epicentro foi localizado a cerca de 12 quilômetros ao norte da cidade, a uma profundidade de 30 quilômetros — fator que, segundo especialistas, reduziu o potencial destrutivo.

Até o momento, a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) não reportou vítimas fatais, mas confirmou rachaduras em pelo menos 40 edificações, incluindo uma escola municipal e duas igrejas históricas. Cerca de 200 famílias foram evacuadas preventivamente. Em pronunciamento à imprensa local, o diretor da UNGRD, Javier Pava, afirmou que “equipes de avaliação estrutural já estão em campo” e que “o sistema de alerta funcionou dentro dos parâmetros esperados”.

Por que isso importa? O departamento de Tolima está localizado sobre uma das falhas sísmicas mais ativas da Colômbia, a Falha de Ibagué, e historicamente o país subinveste em obras de retrofit sísmico. Dados do Departamento Nacional de Planejamento (DNP) indicam que apenas 12% das edificações públicas em regiões de alto risco sísmico passaram por reforço estrutural nos últimos dez anos. O orçamento destinado à prevenção de desastres para 2026 foi de 1,2 trilhão de pesos colombianos (cerca de R$ 1,5 bilhão), mas 70% desse montante foi classificado como “gasto corrente” — salários e despesas administrativas — e não em obras concretas.

Análise FORTIS: O episódio expõe a velha equação do Estado latino-americano: muito discurso e pouca execução. O governo de Gustavo Petro, de inclinação progressista, prometeu em 2023 um “plano nacional de adaptação sísmica” com investimento de 5 trilhões de pesos em quatro anos. Até setembro de 2026, apenas 1,8 trilhão foi efetivamente executado, segundo relatório da Controladoria-Geral da República. Enquanto isso, a carga tributária na Colômbia atingiu 28% do PIB em 2025 — um recorde histórico —, mas a qualidade da infraestrutura pública segue estagnada. O cidadão paga mais e recebe menos: estradas esburacadas, hospitais sem leitos e escolas que racham ao primeiro tremor.

Contraponto: É justo reconhecer que a Colômbia possui um dos sistemas de alerta sísmico mais rápidos da América Latina, com tempo de antecedência médio de 45 segundos para tremores superficiais. A UNGRD também ativou protocolos de evacuação em menos de 10 minutos após o primeiro abalo, conforme relato da Defesa Civil de Tolima. No entanto, a eficiência na resposta emergencial não substitui a falta de planejamento estrutural. O custo de reformar uma escola pública para resistir a terremotos é estimado em 800 mil pesos por metro quadrado; o custo de reconstruí-la após um colapso é pelo menos cinco vezes maior. A lógica do “empurra com a barriga” sai mais cara para o contribuinte no médio prazo.

O setor privado, por outro lado, reage mais rápido. A Federação Colombiana de Seguros (Fasecolda) reportou que 55% das residências em Chaparral possuem seguro contra danos sísmicos — número bem acima da média nacional de 18%. Isso porque as seguradoras privadas, pressionadas pela concorrência, oferecem apólices com preços modulados pelo risco real, incentivando os moradores a investir em reforço estrutural para obter descontos. Enquanto o Estado gasta mal e tributa demais, o mercado encontra soluções adaptativas — mas ainda falta escala.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.