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Por que está tremendo tanto em Chaparral? Serviço Geológico Colombiano responde e expõe falhas na gestão de riscos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Uma sequência de mais de 200 tremores de baixa magnitude assusta moradores de Chaparral, Tolima. O Serviço Geológico Colombiano (SGC) afirma que são eventos tectônicos, não prenúncio de erupção. Mas a falta de preparo e o Estado ineficiente agravam o pânico.

Desde o início de setembro de 2026, o município de Chaparral, no departamento de Tolima, Colômbia, registra uma atividade sísmica atípica. Segundo boletins diários do Serviço Geológico Colombiano (SGC), já foram contabilizados 214 sismos, a maioria com magnitudes entre 2,0 e 3,8 na escala Richter. O maior deles, de 4,1, ocorreu no dia 15 de setembro e foi sentido em cidades vizinhas como Ibagué e Cali.

Em nota oficial publicada no site do SGC, a entidade explica que os tremores são de origem tectônica, relacionados à movimentação de falhas geológicas na região andina, e não à atividade do vulcão Machín, que fica a cerca de 30 km de Chaparral. “Não há evidências de que esses sismos estejam associados a processos magmáticos. A probabilidade de um evento de maior magnitude permanece baixa, mas não pode ser descartada”, diz o texto. O SGC mantém monitoramento ininterrupto com estações sismológicas portáteis instaladas na área.

Por que isso importa? Porque a Colômbia é um dos países mais sismicamente ativos do mundo, situado no Círculo do Fogo do Pacífico. No entanto, o Estado colombiano historicamente falha em preparar a população e a infraestrutura para desastres naturais. Enquanto o governo central gasta bilhões de pesos em subsídios ineficientes e programas assistencialistas, as prefeituras de municípios como Chaparral carecem de planos de contingência, abrigos adequados e sistemas de alerta precoce.

Análise FORTIS: O que estamos vendo em Chaparral é um microcosmo do problema maior do Estado latino-americano: tributa-se muito, entrega-se pouco. A carga tributária na Colômbia ultrapassa 30% do PIB, mas os recursos chegam à população em forma de burocracia e ineficiência. Em vez de investir em mapeamento geológico de risco, construção antissísmica e treinamento de defesa civil, o governo prefere inflar a máquina pública. O resultado é que uma sequência de sismos de baixa magnitude — fenômeno natural previsível — vira crise humanitária por falta de preparo.

Contraponto: É preciso reconhecer que o SGC tem feito um trabalho técnico de qualidade. Os dados são públicos, as explicações são claras e o monitoramento é constante. O problema não está na ciência, mas na gestão política. Enquanto a esquerda colombiana defende mais Estado e mais gasto social, a direita populista também falha em priorizar obras de infraestrutura resiliente. Ambos os lados ignoram que a solução passa por liberdade econômica: permitir que seguradoras privadas ofereçam apólices acessíveis para residências em zonas de risco, estimular a construção com normas técnicas (sem exigir licenças caras e demoradas) e descentralizar a gestão de emergências para níveis locais, onde o problema é sentido.

O SGC também alerta que a população não deve acreditar em boatos de que os tremores são prenúncio de uma grande erupção ou de um terremoto devastador. “A desinformação é tão perigosa quanto o fenômeno natural”, afirmou o diretor da entidade, John Mario Londoño, em entrevista à Rádio Caracol. Ele reforçou que a atividade atual está dentro dos parâmetros esperados para a região e que o sistema de monitoramento é capaz de detectar mudanças significativas com antecedência.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.