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Reitor de colégio revela o que disse professora que mandou desenhar bandeiras do ELN e das Farc; docente alega que vídeo pode ter sido editado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Em entrevista à imprensa local, o reitor de uma instituição de ensino em Bogotá afirmou que a professora acusada de pedir que alunos desenhassem as bandeiras dos grupos guerrilheiros ELN e Farc justificou-se dizendo que o vídeo que viralizou pode ter sido manipulado. O caso reacende o debate sobre os limites do ensino politizado nas escolas colombianas.

Um vídeo que circula nas redes sociais desde o início da semana mostra uma professora de história em um colégio particular de Bogotá instruindo alunos do 9º ano a desenharem as bandeiras do Exército de Libertação Nacional (ELN) e das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A gravação, feita por um estudante, gerou indignação entre pais e grupos conservadores, que acusam a docente de promover simbologia de grupos armados que por décadas aterrorizaram o país.

Procurado pela imprensa, o reitor da instituição, Jorge Enrique Martínez, confirmou que já ouviu a professora e revelou o teor da conversa. “Ela me disse que o vídeo pode estar editado e que não houve qualquer incentivo à violência. Afirmou que o objetivo da atividade era apenas ilustrar a diversidade de atores políticos no conflito colombiano”, declarou Martínez em entrevista à Rádio Caracol. O reitor, no entanto, não confirmou se acredita na versão da docente e disse que uma comissão disciplinar foi instaurada para apurar os fatos.

A professora, cujo nome não foi divulgado pela escola, também emitiu uma nota por meio de seu advogado, na qual alega que o vídeo foi retirado de contexto e que parte da gravação pode ter sido cortada para gerar polêmica. Ela afirma que a aula tratava da história recente da Colômbia e que mencionou os grupos apenas como exemplos, sem qualquer apologia. Pais de alunos, no entanto, divulgaram prints de conversas de WhatsApp em que a docente teria defendido a “luta dos guerrilheiros” — mensagens que a escola diz estar verificando.

Por que isso importa? A Colômbia vive um processo frágil de paz, com o ELN ainda ativo em várias regiões e as Farc formalmente desmobilizadas, mas com dissidências armadas. Ensinar sobre esses grupos é uma coisa; pedir que crianças desenhem suas bandeiras, especialmente sem um contraponto crítico, é outra. O caso expõe uma tensão recorrente entre liberdade de cátedra e a necessidade de não romantizar organizações que cometeram sequestros, atentados e recrutamento de menores.

Análise FORTIS: Não se trata de censura, mas de bom senso. O liberal-conservadorismo defende a autonomia do professor, mas também a responsabilidade sobre o conteúdo transmitido. Uma atividade que destaca símbolos de grupos que mataram civis e policiais não pode ser tratada como neutra. Se a professora realmente quisesse explicar a complexidade do conflito, deveria ter usado fotos de arquivo, relatos de vítimas ou dados oficiais — jamais pedido que alunos desenhassem bandeiras como se fossem times de futebol. O Estado colombiano já gasta mal seus recursos em educação; permitir que ideologias extremistas sejam disfarçadas de “pluralismo” é um desserviço à verdade e à segurança nacional.

Contraponto: Defensores da professora argumentam que o ensino da história deve incluir todos os atores do conflito, sem demonização seletiva, e que a reação dos pais é um reflexo de histeria moral. Organizações de direitos humanos locais pedem que a investigação considere o contexto pedagógico antes de qualquer punição. O Ministério da Educação, por sua vez, afirmou em nota que “não compactua com apologia à violência”, mas aguardará o resultado da sindicância interna do colégio.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.