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Presidente De La Espriella viaja a Santa Marta após ataques das ACSN e afirma: 'Força Pública nas ruas, não vão ajoelhar o povo'

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Em resposta direta à escalada de violência promovida pelo grupo criminoso Autodefensas Conquistadoras de la Sierra Nevada (ACSN), o presidente colombiano deslocou-se a Santa Marta para coordenar a ação das Forças Armadas e reafirmou que o Estado não cederá ao terror.

O presidente da Colômbia, De La Espriella, desembarcou nesta quarta-feira em Santa Marta, capital do departamento de Magdalena, horas depois de uma série de ataques coordenados atribuídos ao grupo criminoso Autodefensas Conquistadoras de la Sierra Nevada (ACSN). Em pronunciamento rápido, mas incisivo, feito na base da Força Aérea local, o mandatário afirmou que a Força Pública já está patrulhando os bairros mais afetados e que o governo não recuará diante da intimidação. 'Não vão ajoelhar o povo colombiano', declarou, visivelmente contrariado com a escalada de violência que já deixou ao menos quatro mortos e uma dezena de feridos nas últimas 48 horas.

O contexto dos ataques remonta à disputa territorial entre o ACSN — herdeiro direto do paramilitarismo desmobilizado nos anos 2000 — e facções dissidentes das FARC que atuam na serra nevada e no litoral caribenho. A região de Santa Marta, polo turístico e portuário estratégico, tornou-se palco de uma guerra pelo controle das rotas do narcotráfico e da mineração ilegal. Dados oficiais da Polícia Nacional indicam que, apenas neste ano, os homicídios no distrito aumentaram 37% em relação ao mesmo período de 2025, com a maioria dos casos concentrados nas comunas 5, 6 e 7, justamente as áreas onde o ACSN tenta impor seu domínio à força.

Por que isso importa: a postura do presidente De La Espriella representa um rompimento com a abordagem de seus antecessores, que alternavam entre negociação com grupos armados e respostas militares pontuais. Desta vez, o chefe de Estado optou por uma demonstração de força presencial, saindo do palácio em Bogotá e indo ao epicentro do conflito. A medida ecoa a promessa de campanha de restaurar a autoridade do Estado em territórios historicamente abandonados pelo poder central — uma bandeira que agrada ao eleitorado conservador e liberal, cansado de ver o monopólio da violência ser exercido por criminosos.

Análise FORTIS: a decisão do presidente é acertada no curto prazo, mas expõe uma fragilidade estrutural do Estado colombiano. Enquanto a Força Pública for obrigada a apagar incêndios em vez de prevenir o crime organizado, o ciclo de violência se repetirá. O gasto público na Colômbia é ineficiente: o orçamento de Defesa e Segurança para 2026 é de 48,2 trilhões de pesos colombianos (cerca de 11,5 bilhões de dólares), mas mais de 60% desse montante é consumido por folha de pagamento e pensões militares, restando pouco para inteligência, equipamento e presença territorial efetiva. Enquanto o Estado continuar tributando pesadamente a classe produtiva — a alíquota efetiva de impostos sobre empresas chega a 39% na Colômbia — e entregando segurança apenas nos bairros nobres, a semente do crime florescerá nas periferias.

Contraponto: críticos da oposição, especialmente setores ligados à esquerda colombiana, argumentam que a militarização não resolve o problema de fundo. Em nota, a senadora María José Pizarro (Colombia Humana) afirmou que 'enviar tropas sem um plano de desenvolvimento rural e reintegração social é tratar o sintoma, não a doença'. De fato, dados do Departamento Nacional de Planeación mostram que a presença estatal em termos de saúde, educação e infraestrutura nas comunas mais violentas de Santa Marta é 70% inferior à média nacional. A FORTIS reconhece o mérito do argumento: sem investimento em capital humano e segurança jurídica para o empreendedorismo local, a pacificação será temporária. Contudo, a prioridade imediata é conter a hemorragia de vidas — e isso exige força, não discurso.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.