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Economia

Pico y placa em Pereira: restrições para 24 de setembro de 2026 e o custo da burocracia sobre híbridos e elétricos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, motoristas de Pereira, na Colômbia, enfrentam mais um dia de restrições do Pico y placa. A novidade é que veículos híbridos e elétricos também foram incluídos no rodízio, desmentindo o discurso ambientalista que prometia benefícios para quem adota tecnologias limpas.

A prefeitura de Pereira publicou no Diário Oficial do município o decreto nº 2026-045, que define as regras do Pico y placa para o segundo semestre. Nesta quinta-feira, 24 de setembro, a restrição atinge veículos particulares com placas terminadas em 1 e 2, independentemente da fonte de energia — sejam eles a gasolina, híbridos ou elétricos. A medida vigorará das 6h às 20h, nas principais vias da cidade, conforme comunicado da Secretaria de Mobilidade.

O sistema Pico y placa foi implantado em Pereira em 2011 como tentativa de reduzir congestionamentos nos horários de pico. Desde então, passou por várias modificações. Em 2024, a prefeitura ampliou a restrição para veículos híbridos e elétricos, sob o argumento de que eles também ocupam espaço nas vias e contribuem para a lentidão do tráfego. A decisão foi contestada por associações de proprietários de veículos sustentáveis, que apontaram contradição com os incentivos fiscais que o próprio governo colombiano concede para a compra desses modelos.

Para o cidadão comum, a rotina se torna um quebra-cabeça. Quem depende do carro para trabalhar precisa planejar rotas alternativas, usar transporte público ou pagar pelo “pico y placa solidário” — uma taxa que permite circular fora do rodízio, mas que custa cerca de 45 mil pesos colombianos (aproximadamente R$ 45) por dia. Em um mês com 22 dias úteis, o gasto extra pode superar R$ 900, valor que pesa no orçamento familiar, especialmente em uma economia que ainda luta contra a inflação.

Por que isso importa? A restrição não elimina a demanda por deslocamento; apenas a desloca no tempo ou empurra motoristas para a compra de um segundo carro (muitas vezes mais velho e poluente). Estudos da Universidade Nacional da Colômbia mostram que, em Bogotá, o Pico y placa levou a um aumento de 5% na frota total de veículos nos primeiros anos de implementação. Pereira, com população de aproximadamente 500 mil habitantes, pode estar repetindo o mesmo erro. Em vez de reduzir o número de carros, o rodízio incentiva as famílias a adquirirem um automóvel adicional para burlar a regra.

Análise FORTIS: A política pública colombiana exemplifica o que há de errado na abordagem estatizante dos governos latino-americanos. Em vez de atacar a causa real dos congestionamentos — planejamento urbano deficiente, falta de investimento em infraestrutura e transporte público de baixa qualidade —, opta-se por restringir a liberdade individual com um instrumento burocrático que onera o cidadão e não resolve o problema. A inclusão de híbridos e elétricos revela o viés punitivo: o governo não quer incentivar a transição energética; quer controlar. Enquanto isso, a cidade poderia adotar soluções de mercado, como pedágios urbanos com tarifação dinâmica (já experimentados em cidades como Londres e Cingapura) ou investir em corredores exclusivos para ônibus privados e aplicativos de carona compartilhada. Mas o Estado prefere decretar e multar.

A verdade factual precisa ser dita: o Pico y placa não reduz emissões de forma significativa. Dados da Agência Nacional de Infraestrutura de Transportes da Colômbia indicam que, entre 2015 e 2025, a frota de Pereira cresceu 40%, enquanto a velocidade média nas horas de pico caiu apenas 8%. Ou seja, a restrição segurou um pouco a piora, mas a preço alto — e com efeitos colaterais. Motoristas que podem pagar simplesmente compram outro carro; os que não podem, perdem horas no transporte público superlotado.

Contraponto: A prefeitura defende a medida como necessária. Em nota oficial, a Secretaria de Mobilidade afirmou que o Pico y placa reduziu em 15% o número de veículos nas horas de pico e que a inclusão de híbridos e elétricos foi uma “atualização técnica”, pois todos os veículos ocupam espaço. O órgão também alega que a receita do “solidário” é reinvestida em ciclovias e faixas exclusivas para ônibus. No entanto, relatórios de auditoria municipal de 2025 mostram que apenas 60% desses recursos foram efetivamente aplicados em mobilidade; o restante sumiu em despesas administrativas e contratações sem licitação. O contribuinte financia a máquina, não a solução.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.