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Economia

Atención, condutores: pico y placa em Bucaramanga nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026 — regras e multas confirmadas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

A Prefeitura de Bucaramanga mantém a restrição veicular para veículos com placas final 7 e 8, das 7h às 19h. Medida que deveria ser temporária virou permanência fiscal.

A Prefeitura de Bucaramanga, por meio da Secretaria de Trânsito, confirmou o rodízio de veículos para esta quinta-feira, 24 de setembro de 2026. Estão proibidos de circular, das 7h às 19h, os automóveis particulares cuja placa termine em 7 e 8. A restrição abrange toda a área urbana do município, incluindo as principais avenidas e os bairros residenciais.

A medida, que começou como uma tentativa de conter a poluição e o congestionamento, já dura mais de duas décadas em diversas cidades colombianas. Em Bucaramanga, o pico y placa foi implantado em 2011 e, desde então, nunca mais foi revisto. O que era para ser uma exceção emergencial tornou-se uma regra permanente de mobilidade.

Segundo dados oficiais da Secretaria de Trânsito de Bucaramanga, o tráfego na hora do pico reduziu apenas 12% desde a implantação da medida. Enquanto isso, a frota de veículos na cidade cresceu 67% no mesmo período. Ou seja, a restrição não resolveu o problema estrutural — apenas empurrou a demanda para horários alternativos e estimulou a compra de segundos carros por famílias que podem pagar.

Para quem precisa circular durante a restrição, a prefeitura oferece transporte público e alternativas como bicicletas compartilhadas. No entanto, o sistema de ônibus de Bucaramanga, o Metrolínea, opera com frota defasada e superlotação crônica. Em 2025, o ente municipal gastou 1,2 bilhão de pesos colombianos em subsídios ao sistema, mas a qualidade do serviço continua baixa — segundo pesquisa de satisfação da Câmara de Comércio de Bucaramanga, apenas 34% dos usuários consideram o serviço bom ou muito bom.

A multa para quem descumprir o pico y placa é de 15 salários mínimos diários legais vigentes (cerca de 468 mil pesos colombianos em 2026), além da remoção do veículo ao pátio. O valor é suficiente para abalar o orçamento de qualquer trabalhador formal, mas não inibe quem pode pagar — o que torna a medida penalizadora para os mais pobres e inócua para os mais ricos.

Por que isso importa: o pico y placa representa um clássico exemplo de intervenção estatal que falha em seu objetivo principal e ainda gera distorções econômicas. Em vez de atacar as causas da mobilidade urbana — infraestrutura deficiente, falta de planejamento de longo prazo e ausência de incentivos ao transporte eficiente —, o poder público opta por restringir a liberdade do cidadão de usar seu próprio veículo. O resultado é uma medida que penaliza o trabalhador que precisa se deslocar para o emprego e beneficia, indiretamente, o setor de transporte público que não precisa melhorar para manter o subsídio.

Análise FORTIS: sob a ótica liberal-conservadora, o pico y placa é um imposto disfarçado sobre a mobilidade. O Estado colombiano, como o brasileiro, tem histórico de gastar mal, tributar demais e entregar pouco. Em vez de investir em malha viária moderna, semáforos inteligentes e políticas de preços de congestionamento (como pedágios urbanos dinâmicos), prefere uma regra única que trata todos como iguais diante de uma ineficiência que ele mesmo criou. A liberdade de ir e vir é um direito fundamental; restringi-la sem contrapartida real de melhoria do sistema é autoritarismo disfarçado de boa intenção.

Contraponto: defensores da medida argumentam que, sem o pico y placa, o caos no trânsito seria ainda maior. Dados da Universidad Industrial de Santander (UIS) indicam que, em dias sem restrição (como feriados nacionais), a velocidade média nos corredores principais cai para 12 km/h, contra 18 km/h durante a semana com rodízio. Ainda assim, a diferença é marginal e o custo social da restrição — perda de produtividade, estresse, deslocamento forçado para horários alternativos — supera o benefício. O verdadeiro gargalo não é o número de carros, mas a falta de vias adequadas e a má gestão do tráfego.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.