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Aparece novo vídeo com ameaça de 'Los Pachenca' de seguir paro armado em Magdalena e La Guajira após morte de alias Cholo; autoridades verificam

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Um novo vídeo atribuído ao grupo criminoso 'Los Pachenca' circula nas redes sociais e anuncia a manutenção do paro armado nos departamentos de Magdalena e La Guajira, na Colômbia, após a morte de alias Cholo. As autoridades colombianas confirmam a autenticidade do material e investigam o alcance da ameaça.

Um novo vídeo que circula desde a noite desta terça-feira, 23 de setembro de 2026, voltou a acender o alerta das forças de segurança da Colômbia. Nas imagens, homens fortemente armados e com os rostos cobertos, identificados pela inteligência colombiana como integrantes de 'Los Pachenca', anunciam a continuidade do paro armado nos departamentos de Magdalena e La Guajira, na Costa Norte do país. A mensagem surge dias após a morte de alias Cholo, líder do grupo, em uma operação conjunta do Exército e da Polícia Nacional.

A gravação, que circula em grupos de WhatsApp e perfis do Telegram ligados ao crime organizado, mostra um suposto comandante regional lendo um comunicado. Ele afirma que o grupo não se renderá e que a 'luta' será mantida 'até as últimas consequências', ameaçando comerciantes, motoristas e moradores que descumprirem o toque de recolher imposto pela organização. Em um dos trechos, o homem cita nominalmente os municípios de Fundación, Ciénaga, Dibulla e Riohacha, onde o transporte intermunicipal está suspenso por tempo indeterminado.

A Polícia Nacional da Colômbia, por meio de nota oficial, confirmou que está verificando a autenticidade do vídeo. Segundo o órgão, equipes de inteligência e de combate ao narcotráfico já realizam diligências para identificar os locais de gravação e os envolvidos. 'Não vamos permitir que grupos armados imponham o terror à população. As operações seguem com o objetivo de desarticular completamente essas estruturas criminosas', diz um trecho da nota divulgada à imprensa local.

O governo colombiano, por sua vez, anunciou o reforço de 500 homens das Forças Especiais na região da Sierra Nevada de Santa Marta, principal reduto de 'Los Pachenca'. A medida integra a chamada 'Operación Cacique', iniciada após a morte de alias Cholo, ocorrida em uma fazenda de luxo nas proximidades de Santa Marta. A operação já resultou na prisão de 12 suspeitos e na apreensão de armamento pesado, incluindo fuzis de assalto e lançadores de granadas.

Por que isso importa ao Brasil e à América Latina?

A crise de segurança no Caribe colombiano não é um problema exclusivo da Colômbia. A região de La Guajira faz fronteira com a Venezuela, de onde partem rotas de contrabando de gasolina e armas que abastecem o tráfico local. Com a instabilidade política e a ausência de um Estado efetivo em parte do território venezuelano, grupos como 'Los Pachenca' encontram espaço para expandir suas operações, inclusive com ramificações em território brasileiro.

Dados oficiais do Ministério da Defesa da Colômbia indicam que, nos últimos 12 meses, as apreensões de cocaína na costa caribenha cresceram 35%, mas o custo humano é alto: 14 líderes sociais foram assassinados na região desde janeiro. O paro armado, que já dura 6 dias, deixou pelo menos 3 mortos e dezenas de veículos incendiados, além de escolas e comércios fechados.

Análise FORTIS: a falha do Estado não pode virar justificativa para o terror

É preciso coragem para apontar o óbvio: a escalada de violência na Colômbia é resultado direto de décadas de um Estado ineficiente, que gasta mal, tributa demais e entrega pouco em segurança pública. Enquanto a classe política de Bogotá discute reformas eleitoreiras, os cidadãos de Magdalena e La Guajira ficam reféns de um grupo armado que fatura milhões com o narcotráfico e o contrabando.

A esquerda colombiana, que já governou o país, tenta culpar o livre mercado e as políticas de segurança dos governos anteriores pela crise atual. No entanto, os fatos mostram o contrário: onde houve presença efetiva do Estado, com investimento em infraestrutura, Justiça e polícia de qualidade, a criminalidade caiu. Onde o poder público se ausentou, o crime organizado ocupou o vácuo.

Defender o livre mercado não significa defender a exploração do crime. Significa, sim, defender que o cidadão tenha o direito de trabalhar, empreender e viver em paz, sem ser extorquido por milícias, guerrilhas ou facções. Qualquer solução duradoura passa pela retomada do monopólio da força pelo Estado e pelo desenvolvimento econômico da região, com geração de emprego e renda para as comunidades mais pobres.

Contraponto: as dificuldades do terreno e a necessidade de uma ação coordenada

É verdade que a tarefa não é simples. A Colômbia enfrenta um problema estrutural de décadas, com a produção de cocaína ainda lucrativa e a presença de rotas de tráfico que se adaptam rapidamente às operações policiais. Especialistas alertam que apenas ações militares não são suficientes; é preciso um plano de desenvolvimento de longo prazo que inclua a substituição de cultivos ilícitos e a presença de serviços básicos como saúde, educação e saneamento nas áreas mais remotas.

No entanto, a resposta do governo colombiano não pode ser a negociação com grupos que mantêm reféns e ameaçam a população civil. A história recente mostra que concessões a narcotraficantes apenas fortalecem o poder de fogo das organizações criminosas, como ocorreu no México com o antigo PRI e, mais recentemente, com as políticas de 'abraços, não tiros' que fracassaram no combate ao cartel de Sinaloa.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.