Na madrugada da última quinta-feira, uma paciente que permanecia hospitalizada foi encontrada morta a poucos metros da unidade de saúde onde recebia atendimento, em Malambo, no departamento de Atlântico, Colômbia. A vítima, cujo nome ainda não foi divulgado pelas autoridades, estava internada havia três dias para tratamento de uma infecção respiratória. Segundo o relatório preliminar da Polícia Metropolitana de Barranquilla, o corpo foi localizado por volta das 5h da manhã em um terreno baldio ao lado do hospital. As causas da morte ainda são investigadas, mas a hipótese principal é de que a paciente tenha saído voluntariamente ou sido retirada da unidade sem o conhecimento da equipe médica.
O hospital, gerido pela prefeitura de Malambo em parceria com o sistema público de saúde colombiano (EPS), não emitiu comunicado oficial até o fechamento desta edição. Familiares da vítima relataram à imprensa local que não foram informados do desaparecimento durante a noite. “Ela estava no quarto quando fomos embora, às 20h. Pela manhã, recebemos a notícia de que a acharam morta do lado de fora”, disse um primo, em declaração ao jornal El Heraldo. O caso já está sob investigação da Fiscalía General de la Nación.
Os dados oficiais do sistema de saúde colombiano mostram que, em 2023, mais de 1.200 incidentes de segurança envolvendo pacientes foram registrados em hospitais públicos, incluindo fugas, agressões e mortes suspeitas. Em Malambo, cidade de cerca de 120 mil habitantes, a taxa de homicídios é de 28 por 100 mil habitantes, bem acima da média nacional. A região metropolitana de Barranquilla enfrenta problemas crônicos de violência urbana e infraestrutura deficiente.
O que esse episódio revela não é apenas uma falha pontual de segurança hospitalar, mas um sintoma de um sistema de saúde que gasta mal os recursos arrecadados com impostos. Na Colômbia, a carga tributária total atinge 28% do PIB – bem acima da média latino-americana – e o orçamento da saúde consome cerca de 7,5% do PIB. Apesar disso, a cobertura é precária, os hospitais públicos carecem de vigilância adequada e a burocracia impede respostas ágeis. Em vez de priorizar a eficiência e a meritocracia na gestão, o Estado colombiano perpetua um modelo centralizado que privilegia sindicatos e interesses políticos em detrimento do paciente.
A FORTIS NEWS analisa que a tragédia poderia ter sido evitada com medidas simples: câmeras de vigilância operacionais, rondas noturnas de segurança privada e um protocolo claro para notificação de desaparecimentos. Custos que, em um ambiente de livre mercado e competição, seriam naturalmente otimizados pelas seguradoras e prestadores privados. No entanto, o monopólio estatal sobre a saúde pública e a rigidez regulatória desestimulam inovações e responsabilização. É o contribuinte que paga a conta – e, como visto, paga com a vida.
Do ponto de vista liberal-conservador, a saída passa por reduzir a carga tributária e devolver ao cidadão o poder de escolha. Planos de saúde privados, com regras claras e portabilidade, forçariam hospitais a competir por qualidade e segurança. A descentralização dos serviços e a abertura para provedores privados com fins lucrativos gerariam pressão por eficiência, reduzindo a letargia burocrática. Enquanto isso não acontece, a população de Malambo e de toda a Colômbia fica refém de um sistema que falha na missão mais básica: preservar a vida.
É preciso, contudo, ouvir o contraponto: defensores do modelo público argumentam que a privatização aumentaria a desigualdade, deixando os mais pobres desassistidos. Dados do Departamento Nacional de Planeación (DNP) mostram que 18% dos colombianos ainda não têm acesso a planos privados e dependem exclusivamente do SUS colombiano. Mas a experiência de países como Chile e Singapura demonstra que é possível combinar regulação inteligente com competição, garantindo cobertura universal sem estagnação. O problema não é a existência do sistema público, mas sua gestão ineficiente, inflada por tributos e corrupção.
O caso da mulher morta em Malambo não é um fato isolado. No mês passado, em Cali, um idoso internado por pneumonia foi encontrado morto em um banheiro do hospital, após 12 horas sem assistência. Em Bogotá, uma paciente grávida morreu na fila de espera por um parto de emergência. São histórias que se repetem porque o sistema prioriza a manutenção de estruturas sindicais e interesses políticos, e não o atendimento ao cidadão. A verdade factual é que, onde há monopólio estatal sem concorrência, o resultado é o desperdício e a negligência.
Por Renan Filho · 2026-09-26