O motorista do ônibus que caiu em um abismo na via Medellín-Puerto Berrío, na Colômbia, revelou em entrevista à imprensa local que uma falha mecânica no sistema de freios foi a causa do acidente. Segundo ele, a empresa de transporte havia solicitado a substituição do veículo há meses, mas a burocracia estatal impediu a renovação da frota. O acidente, ocorrido na última terça-feira, deixou 12 mortos e 30 feridos, segundo o relatório preliminar das autoridades colombianas.
A via Medellín-Puerto Berrío é conhecida por suas curvas perigosas e pela falta de investimento em infraestrutura. O motorista, que sobreviveu com ferimentos leves, afirmou que o ônibus havia passado por uma inspeção técnica obrigatória há duas semanas, mas que os problemas nos freios não foram detectados. 'Eles olham no papel, mas não olham a realidade', disse ele, em referência à fiscalização estatal.
O governo colombiano, por meio da Agência Nacional de Infraestrutura (ANI), emitiu uma nota oficial lamentando o ocorrido e prometendo investigar o caso. No entanto, a nota não mencionou a possibilidade de revisar os processos de inspeção veicular ou de reduzir a carga tributária sobre o setor de transportes. A ANI informou que uma equipe técnica foi enviada ao local para coletar dados.
Por que isso importa: o acidente expõe um problema crônico na América Latina: a combinação de alta tributação com baixa eficiência estatal. Empresas de transporte pagam impostos elevados para manter a frota, mas o Estado não oferece contrapartida em infraestrutura ou fiscalização efetiva. No caso colombiano, a carga tributária sobre o transporte de passageiros chega a 45% do custo operacional, segundo dados da Federação Colombiana de Transportadores (Fedetrans).
Análise FORTIS: a tragédia de Medellín-Puerto Berrío é um exemplo clássico de como o Estado falha em sua função básica de garantir a segurança pública. O governo arrecada bilhões em impostos sobre combustíveis, pedágios e licenciamentos, mas entrega estradas malconservadas e burocracia ineficiente. Enquanto isso, empresas são sufocadas por regulações que as impedem de investir em manutenção preventiva. A solução liberal-conservadora passa por desburocratizar o setor, reduzir impostos sobre veículos comerciais e permitir que o mercado — com concorrência e responsabilidade civil — regule a segurança de forma mais eficaz do que um Estado corrupto e lento.
Contraponto: alguns setores da esquerda colombiana defendem que o acidente poderia ter sido evitado com mais regulação estatal e maior intervenção do governo na gestão das empresas de transporte. No entanto, os fatos mostram o oposto: a regulação já existe e falha. A inspeção veicular obrigatória, feita pelo Estado, não detectou a falha nos freios. Mais regulação significaria mais burocracia, mais custos para as empresas e, no fim, menos segurança. O problema não é falta de leis, mas falta de competência estatal para aplicá-las.
Por Renan Filho · 2026-09-24