Uma coalizão de mais de 20 palestrantes, empresários e influenciadores colombianos anunciou, em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira, a realização de uma maratona de doações de 48 horas para arrecadar fundos destinados à reconstrução do departamento de Chocó. A região, uma das mais pobres da Colômbia, enfrenta uma crise humanitária agravada por conflitos armados entre grupos criminosos e desastres naturais recorrentes, como enchentes e deslizamentos.
A maratona, batizada de “Unidos por Chocó”, será transmitida ao vivo no próximo sábado e contará com a participação de economistas, ativistas e figuras públicas que defenderão a doação direta a organizações locais de reconstrução. Segundo a organização do evento, em nota oficial divulgada à imprensa, o objetivo é arrecadar o equivalente a 5 milhões de dólares em 48 horas, valor que seria destinado à compra de materiais de construção, medicamentos e alimentos para as comunidades afetadas.
O contexto é grave. Chocó, apesar de ser uma das regiões mais ricas em biodiversidade e recursos naturais da Colômbia, sofre com a ausência crônica do Estado. Dados do Departamento Administrativo Nacional de Estadística (DANE) mostram que 70% da população vive abaixo da linha da pobreza, e o índice de mortalidade infantil é o dobro da média nacional. Enquanto isso, o governo colombiano gasta bilhões de pesos em programas sociais ineficazes e em uma máquina burocrática que consome mais recursos do que entrega em serviços.
Por que isso importa? Porque a maratona de doações representa um modelo alternativo ao assistencialismo estatal. Em vez de esperar por promessas de políticos que raramente se concretizam, a sociedade civil organizada está tomando a iniciativa. Os organizadores afirmam que 100% dos recursos arrecadados serão repassados diretamente a cooperativas locais e ONGs com atuação comprovada na região, sem intermediários governamentais. Essa é uma abordagem que reduz drasticamente o desperdício típico de projetos públicos.
Análise FORTIS: A iniciativa privada colombiana está mostrando que é possível reconstruir uma região inteira com eficiência e transparência, sem depender do Estado. O governo colombiano, sob a presidência de Gustavo Petro, tem priorizado gastos com subsídios ideológicos e expansão da máquina pública, enquanto a infraestrutura básica de Chocó – estradas, escolas, hospitais – continua em ruínas. A maratona de doações expõe o contraste: enquanto o Estado tributa pesadamente e entrega pouco, cidadãos e empresas voluntariamente contribuem para soluções concretas.
Contraponto: Críticos podem argumentar que a filantropia privada não substitui a responsabilidade do Estado e que a maratona é apenas um paliativo. No entanto, os fatos mostram o contrário. Em 2023, o governo colombiano destinou 1,2 bilhão de pesos para a reconstrução de áreas afetadas por desastres em Chocó, mas apenas 30% do valor foi efetivamente gasto, segundo relatório da Controladoria Geral da República. O restante ficou retido em burocracia ou foi desviado. A maratona, com sua promessa de transparência total e entrega direta, já nasce com um histórico de eficiência que o Estado não consegue igualar.
Por Renan Filho · 2026-09-24