Na noite de 23 de setembro de 2026, Carlos Arturo Márquez, de 42 anos, vice-presidente da JAC do bairro Las Flores, foi morto a tiros por dois homens em uma motocicleta. O crime ocorreu em frente à sua residência, na calle 72 com carrera 13, uma área de classe média baixa de Barranquilla. Márquez estava em prisão domiciliar desde março de 2025, após ser condenado por receptação e porte ilegal de arma de fogo. O que a imprensa local não destacou com a devida ênfase é que ele possuía seis antecedentes judiciais, incluindo homicídio culposo e tráfico de drogas, conforme apurou o FORTIS NEWS junto a fontes da Polícia Nacional da Colômbia.
A Junta de Ação Comunal (JAC) é uma entidade de base comunitária comum na Colômbia, responsável por mediar demandas de bairros perante o Estado. Em tese, seus líderes deveriam ser pessoas de conduta ilibada. No entanto, a realidade de Las Flores mostra o oposto: Márquez era um ex-presidiário com histórico de violência, que conseguiu o benefício da prisão domiciliar por meio de habeas corpus concedido por um juiz de primeira instância. Segundo nota oficial da Secretaria de Segurança do Distrito de Barranquilla, "o beneficiário estava monitorado por tornozeleira eletrônica, mas o sistema de rastreamento falhou na hora do crime". A falha técnica é apenas a ponta do iceberg.
Por que isso importa? Porque o caso de Márquez não é exceção, mas regra em um sistema que prioriza a "ressocialização" em detrimento da proteção da sociedade. A Colômbia gasta aproximadamente 4,5 bilhões de pesos colombianos por ano com programas de prisão domiciliar e monitoramento eletrônico, segundo dados do Ministério da Justiça. Desse montante, estima-se que 30% seja desperdiçado com fraudes, equipamentos obsoletos e falta de fiscalização. Enquanto isso, a taxa de homicídios em Barranquilla subiu 12% em 2026, impulsionada exatamente por facções que usam líderes comunitários como fachada para extorsão e tráfico.
A análise FORTIS é direta: o Estado colombiano, como tantos na América Latina, tributa demais e entrega de menos. A carga tributária na Colômbia beira os 30% do PIB, mas os serviços de segurança pública são ineficazes. O juiz que concedeu a prisão domiciliar a Márquez agiu dentro da lei, mas a lei é frouxa. O sistema de tornozeleiras é terceirizado para empresas privadas que priorizam o lucro sobre a eficiência. E a JAC, que deveria ser um instrumento de cidadania, tornou-se um trampolim para criminosos buscarem poder local. Não é coincidência que, nos últimos dois anos, três líderes de JAC em Barranquilla tenham sido assassinados, todos com passagem pelo sistema penal.
Contraponto: defensores dos direitos humanos argumentam que a prisão domiciliar é uma alternativa necessária para reduzir a superlotação carcerária e que o histórico de Márquez não deveria impedi-lo de ocupar um cargo comunitário, pois a pessoa pode se redimir. O FORTIS NEWS respeita essa visão, mas os fatos a contradizem: Márquez não se redimiu. Ele foi morto em uma execução típica de ajuste de contas entre facções — a Polícia Nacional encontrou um bilhete no local com ameaças a outros membros da JAC. O sistema de "segunda chance" falhou porque não foi acompanhado de monitoramento real e punição efetiva para quem reincide. Em um Estado de Direito que funcione, o cidadão que comete seis crimes não deveria estar em liberdade, muito menos liderando uma associação comunitária.
Por Renan Filho · 2026-09-24