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Incêndio em Villa de Leyva devasta Santuário de Iguaque e expõe fragilidade da gestão ambiental colombiana

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Fogo de grandes proporções atinge área de preservação em Boyacá, deixando animais mortos ou desaparecidos. Corpoboyacá corre para resgatar espécies, mas falhas na prevenção e no orçamento público escancaram o custo do estado ineficiente.

Um incêndio florestal de grandes dimensões consumiu parte do Santuário de Fauna e Flora de Iguaque, em Villa de Leyva, na Colômbia, nos últimos dias. O fogo, que segundo a Corporação Autônoma Regional de Boyacá (Corpoboyacá) já queimou mais de 200 hectares, atingiu duramente a fauna local: equipes de resgate procuram por espécies silvestres que se dispersaram ou morreram no incidente. Em nota oficial, a Corpoboyacá informou que equipes de brigadistas e veterinários estão em campo para localizar e tratar animais feridos, mas reconheceu que a situação é crítica.

O Santuário de Iguaque é uma unidade de conservação estatal que abriga ecossistemas de páramo e florestas alto-andinas, lar de animais como o urso-de-óculos, a danta andina e diversas espécies de aves endêmicas. O fogo, que começou em uma área agrícola próxima e se alastrou devido aos ventos fortes e à seca prolongada, reacende o debate sobre a eficácia da gestão pública de áreas protegidas na Colômbia. Segundo dados do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (IDEAM), o país registrou um aumento de 40% nos focos de calor nos primeiros meses de 2026 em relação à média histórica, boa parte deles em regiões de preservação.

Por que isso importa

A tragédia em Villa de Leyva não é apenas ambiental — é um sintoma de um modelo de gestão que gasta mal, tributa demais e entrega pouco. O orçamento da Corpoboyacá para prevenção de incêndios cresceu 12% em 2026, mas os cortes em programas de manejo de vegetação e de educação ambiental reduziram a capacidade de resposta. Enquanto o governo colombiano anuncia novos impostos verdes para financiar a burocracia, o combate ao fogo depende de caminhões-pipa alugados e de brigadistas voluntários sem seguro. O resultado é previsível: o fogo avança, a fauna sofre e o contribuinte paga a conta duas vezes — primeiro pelos impostos, depois pelos danos.

Análise FORTIS

O incêndio em Iguaque expõe uma verdade inconveniente para defensores do estado grande: ter mais áreas protegidas sob controle estatal não significa proteção real. Pelo contrário, a concentração de terras em mãos do governo cria incentivos perversos. Sem concorrência, sem métricas de eficiência e com orçamentos sujeitos a barganhas políticas, os parques públicos tornam-se passivos, não ativos. Enquanto isso, reservas privadas e concessões a operadores especializados — como as que existem na Costa Rica e no Chile — apresentam taxas de desmatamento até 60% menores, segundo estudo da Universidade de Los Andes publicado em 2024.

A Colômbia insiste em replicar o modelo brasileiro de unidades de conservação sem participação do setor privado. O resultado são parques que queimam, animais que fogem e a população que financia a reconstrução. O governo de Gustavo Petro, ao mesmo tempo que aumenta a carga tributária sobre empresas e propriedades rurais para financiar a “transição ecológica”, falha no básico: manter o fogo longe das florestas. Em comunicado à imprensa local, a Corpoboyacá afirmou que “a prioridade agora é a busca e resgate da fauna silvestre”. Mas por que a busca não começou antes, com prevenção?

Contraponto

Há quem defenda que o ocorrido é fruto das mudanças climáticas e de eventos extremos, o que justificaria mais recursos públicos. De fato, a região de Boyacá enfrenta uma seca atípica, com índices pluviométricos 30% abaixo da média. No entanto, o mesmo relatório do IDEAM aponta que 70% dos incêndios florestais na Colômbia têm origem humana — queimadas agrícolas não controladas, fogueiras mal apagadas ou ação criminosa. O estado poderia ter investido em aceiros, em fiscalização e em campanhas de conscientização. Em vez disso, prefere concentrar gastos em ministérios e em subsídios a grupos políticos.

A resposta do governo colombiano até agora foi a criação de uma força-tarefa emergencial, com helicópteros e equipes de resgate. Louvável, mas reativa. O liberal-conservadorismo ensina que a melhor política ambiental é aquela que previne o dano — e que a prevenção custa uma fração do remendo. Enquanto a Colômbia não reformar seu modelo de gestão, com maior participação privada e descentralização de recursos, tragédias como a de Villa de Leyva se repetirão.

**1. O incêndio foi criminoso?** As causas estão sendo investigadas pela Corpoboyacá em conjunto com a Polícia Nacional. Relatos iniciais indicam que o fogo começou em uma propriedade rural vizinha ao santuário, possivelmente devido a uma queimada descontrolada. Não há, até o momento, confirmação oficial de crime doloso, mas a imprudência é evidente.

**2. Como a população pode ajudar na recuperação?** A Corpoboyacá abriu um canal de doações para ração, medicamentos e material veterinário. Além disso, voluntários podem se cadastrar para auxiliar nas buscas. Contudo, a melhor ajuda é pressionar os governantes para que invistam em prevenção e em parcerias com o setor privado — que sabe gerir recursos com eficiência.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.