Um incêndio de grandes proporções assola a região de Villa de Leyva, um dos destinos turísticos mais emblemáticos da Colômbia. De acordo com o último boletim da Unidad Nacional para la Gestión del Riesgo de Desastres (UNGRD), divulgado na manhã desta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, a conflagração está controlada em 78%, mas já destruiu 1.340 hectares de vegetação nativa e áreas de cultivo.
As chamas, que tiveram início no último final de semana, avançaram rapidamente impulsionadas por ventos fortes e pela baixa umidade típica da temporada seca na região andina. Equipes de bombeiros voluntários, Defesa Civil e Forças Armadas colombianas foram mobilizadas, mas o combate ao fogo ainda enfrenta sérias limitações logísticas e estruturais.
A UNGRD informou, em nota oficial, que 78% do perímetro do incêndio já está sob controle, mas que as equipes permanecem em alerta máximo para evitar reignições. O foco principal agora é evitar que as chamas atinjam áreas residenciais e o centro histórico de Villa de Leyva, patrimônio cultural do país.
Por que isso importa? A tragédia expõe um padrão recorrente na América Latina: a incapacidade do Estado de prevenir e responder a desastres naturais de forma eficiente. Enquanto governos aumentam a carga tributária e incham a máquina pública, os recursos para prevenção de incêndios, manutenção de brigadas e infraestrutura hídrica seguem escassos.
Análise FORTIS: O incêndio em Villa de Leyva não é apenas uma catástrofe ambiental — é um sintoma de um modelo estatizante que prioriza o gasto político em detrimento da gestão de riscos. Na Colômbia, assim como no Brasil, os governos gastam bilhões em subsídios e programas ineficientes, enquanto bombeiros voluntários e pequenos produtores rurais arcam com o custo humano e material da falta de planejamento.
Dados oficiais da UNGRD mostram que, nos últimos cinco anos, a Colômbia registrou um aumento de 40% na área queimada por incêndios florestais, mas o orçamento destinado à prevenção caiu 12% no mesmo período. A conta não fecha — e quem paga é o cidadão, o turista e o agricultor que perdem seu patrimônio.
Contraponto: É verdade que as mudanças climáticas e os fenômenos naturais como El Niño agravam a situação. No entanto, atribuir toda a culpa ao clima é uma narrativa conveniente para governos que falham em implementar políticas de livre mercado que incentivem a gestão privada de florestas, o seguro rural e a criação de brigadas comunitárias financiadas por incentivos fiscais.
Países como o Chile e os Estados Unidos, que adotam modelos de parceria público-privada no combate a incêndios, têm mostrado resultados superiores na contenção de danos. Enquanto isso, a Colômbia insiste em um modelo centralizado, burocrático e reativo.
O governo colombiano, por meio do presidente Gustavo Petro, afirmou em publicação nas redes sociais que “o Estado está presente e não poupará esforços para controlar as chamas”. Mas a presença estatal, neste caso, chega tarde e de forma insuficiente. O Estado que tributa pesadamente o setor produtivo falha em proteger o patrimônio que ele mesmo onera.
Por Renan Filho · 2026-09-23