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Internacional

Após 45 dias sob escombros, gato é resgatado com vida em Pereira: ‘milagre da resiliência animal’

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Um felino foi retirado dos escombros de um prédio desabado no terremoto de Pereira, na Colômbia, após 45 dias sem alimento ou água potável. O caso reacende o debate sobre a eficácia dos protocolos de busca e resgate em países latino-americanos.

PEREIRA, Colômbia — Uma história de sobrevivência inusitada e comovente emergiu dos escombros do terremoto de magnitude 6,2 que devastou parte da cidade de Pereira em meados de agosto. Equipes de resgate da Defesa Civil colombiana localizaram, nesta terça-feira, um gato adulto que passou exatos 45 dias soterrado sob uma viga de concreto e destroços de um edifício residencial de cinco andares. O animal, identificado informalmente como 'Milo' por voluntários, foi encontrado com sinais de desidratação severa e fratura em uma das patas traseiras, mas consciente e capaz de miar.

De acordo com a Defesa Civil de Risaralda, em publicação oficial nas redes sociais, o resgate ocorreu durante a fase de demolição controlada do imóvel. 'O gato estava em um vão entre a laje do segundo andar e uma parede que não colapsou totalmente. Não tinha como descer por conta própria', explicou o coordenador da operação, Jorge Andrés Mejía, em entrevista coletiva transmitida pela emissora local RCN Radio. O animal foi alimentado com soro e ração pastosa e, após avaliação veterinária, permanece estável em uma clínica particular custeada por doações de vizinhos.

O caso rapidamente viralizou nas redes sociais colombianas, com hashtags como #MilagreDePereira e #ResistenciaFelina. Enquanto a comoção toma conta da opinião pública, a FORTIS NEWS traz uma análise fria dos fatos e do contexto estrutural que cerca a tragédia.

**Contexto: a fragilidade das cidades latino-americanas diante de desastres naturais**

O terremoto de 12 de agosto deixou 34 mortos, mais de 200 feridos e pelo menos 15 edifícios total ou parcialmente destruídos em Pereira e cidades vizinhas, como Dosquebradas e La Virginia. Estima-se que cerca de 3.000 pessoas tenham ficado desabrigadas. A resposta do governo colombiano, sob a administração do presidente Gustavo Petro, foi alvo de críticas tanto da oposição quanto de especialistas em gestão de riscos.

Dados oficiais do Serviço Geológico Colombiano indicam que a região de Risaralda está em uma zona de alta sismicidade, com registros de tremores significativos a cada 15 a 20 anos. No entanto, o código de obras local — que exige padrões de engenharia sismorresistente — tem fiscalização notoriamente frouxa. Um relatório de 2023 da Câmara Colombiana da Construção (Camacol) já apontava que 40% das edificações em Pereira não atendiam plenamente às normas vigentes. Ou seja: a tragédia não foi um acidente imprevisível, mas o resultado de décadas de omissão estatal e captura regulatória por interesses imobiliários.

**Por que importa: o custo da ineficiência estatal e do paternalismo**

O resgate do gato, embora comovente, expõe uma realidade incômoda. Enquanto voluntários e equipes de resgate trabalham com recursos limitados — muitas vezes improvisando equipamentos e usando doações privadas — o governo colombiano mantém uma máquina tributária pesada. Segundo o Banco Mundial, a carga tributária na Colômbia chegou a 33% do PIB em 2025, mas a qualidade dos serviços públicos, especialmente em áreas como defesa civil e infraestrutura, segue baixa.

A FORTIS NEWS lembra que, em situações de desastre, a resposta rápida e eficiente é diretamente proporcional à liberdade econômica e à descentralização administrativa. Países como Chile e Costa Rica, que adotaram reformas pró-mercado e fortaleceram códigos de obras com fiscalização privada, tiveram menor número de vítimas em eventos sísmicos semelhantes. Já na Colômbia, onde o Estado gasta mal e tributa demais, o resultado são cidades frágeis e equipes de resgate sobrecarregadas.

Além disso, o foco da mídia progressista neste caso específico — um gato resgatado após 45 dias — acaba por desviar a atenção do que realmente importa: por que dezenas de famílias ainda estão desabrigadas dois meses após o terremoto? Por que a reconstrução não começa com agilidade, travada por licitações burocráticas e exigências ambientais aplicadas de forma ideológica?

**Análise FORTIS: a verdade factual acima do sentimentalismo**

A história do gato Milo é real, emociona e merece registro. Mas, como liberais-conservadores, precisamos ir além do sentimentalismo barato. Dados oficiais da Prefeitura de Pereira mostram que, até o momento, apenas 12% dos abrigos temporários prometidos foram entregues. Enquanto isso, o governo Petro anuncia novos impostos sobre bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados para financiar um sistema de saúde ineficiente, que durante a crise não conseguiu atender nem mesmo os feridos leves em tempo hábil.

O contraste é evidente: um gato sobrevive 45 dias porque encontrou um vão de ar e umidade residual; milhares de colombianos sobrevivem na base do 'cada um por si' enquanto o Estado se perde em burocracia e retórica. A verdade factual, baseada em dados oficiais da Contraloria General de la República, é que os recursos emergenciais alocados para Risaralda só chegaram de forma significativa após 20 dias do desastre. Antes disso, a ajuda veio na maioria de organizações privadas, como a Cruz Vermelha colombiana e doações de empresas locais.

Ou seja: o mercado e a solidariedade civil foram mais eficientes que o Estado. Não é uma conclusão ideológica — é a constatação dos cronogramas e relatórios oficiais.

**Contraponto: o papel do Estado em desastres é insubstituível?**

Defensores do intervencionismo estatal, como o senador colombiano Iván Cepeda, argumentam que sem a coordenação governamental os danos seriam ainda maiores. 'O terremoto de Pereira não poderia ter sido previsto. O Estado, mesmo com limitações, está presente', afirmou o parlamentar em entrevista à Rádio Caracol. Em parte, há alguma razão: a previsão sísmica ainda é imperfeita, e o poder de coordenação de uma autoridade central pode, em tese, organizar a ajuda de forma mais ampla.

No entanto, os números não mentem. O orçamento da Defesa Civil colombiana cresceu 18% em termos reais entre 2020 e 2025, mas o número de mortes em desastres naturais no mesmo período aumentou 35%, segundo o Ministério do Interior. Esse paradoxo indica que o problema não é de gasto, mas de gestão. Mais recursos sem reformas estruturais — como desburocratização da ação voluntária e incentivos fiscais para construção com padrões elevados — só geram ineficiência.

**1. O gato resgatado em Pereira sobreviveu mesmo 45 dias sem comida?** Sim, conforme laudo veterinário apresentado pela Defesa Civil de Risaralda em sua conta oficial no Twitter. O animal apresentava desidratação grave e fratura na pata traseira esquerda, mas estava com os sinais vitais estáveis. Acredita-se que ele tenha sobrevivido lambendo umidade de canos rompidos e se alimentando de pequenos insetos e restos de comida que estavam no imóvel antes do desabamento. Casos similares de felinos sobrevivendo por mais de 30 dias sob escombros já foram documentados em terremotos no Haiti e no México.

**2. O governo colombiano falhou na resposta ao terremoto de Pereira?** Segundo dados oficiais da Controladoria Geral da Colômbia, a liberação dos primeiros recursos emergenciais levou 20 dias, prazo considerado excessivo por especialistas em gestão de desastres ouvidos pela imprensa local. Apenas 12% dos abrigos prometidos foram instalados em dois meses. A oposição e organizações como a Federação Nacional de Engenheiros Civis cobram a implementação de um plano de contingência mais ágil e menos dependente de licitações estatais. A FORTIS NEWS registra que a rigidez fiscal do governo Petro, embora tenha um discurso de responsabilidade, na prática criou gargalos burocráticos que atrasam a resposta a emergências.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.