O fenômeno começou por volta das 22h30 do dia 22 de setembro e se estendeu até as 5h da manhã do dia 23, conforme boletim do SGC divulgado em suas redes sociais. A sequência incluiu 27 eventos sísmicos, dos quais 6 tiveram magnitude entre 4,0 e 4,8. O epicentro foi localizado a 12 km ao sul de Chaparral, a uma profundidade de 8 km, característica de tremores rasos que amplificam os efeitos na superfície. A Defesa Civil de Tolima informou, em nota oficial, que equipes de avaliação foram deslocadas para as zonas rurais mais atingidas, especialmente os corregimentos de Calarma e El Limón, onde há relatos de rachaduras em casas de adobe e deslizamentos de terra em estradas vicinais.
O governo colombiano, por meio da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), anunciou o envio de ajuda humanitária e a ativação de protocolos de emergência. Em publicação no X (antigo Twitter), o presidente Gustavo Petro afirmou que “todas as instituições estão mobilizadas para atender a população afetada”. No entanto, a resposta estatal levanta questões recorrentes sobre a eficiência dos gastos públicos em prevenção e preparação para desastres naturais. Dados do próprio SGC mostram que a região de Chaparral está em uma zona de alta sismicidade, com mais de 200 eventos registrados nos últimos cinco anos, mas os investimentos em infraestrutura resistente a tremores seguem aquém do necessário.
Por que isso importa: A Colômbia é um dos países mais sismicamente ativos da América Latina, situado no Círculo de Fogo do Pacífico. A cada ano, o país gasta bilhões de pesos colombianos em reconstrução pós-desastre, mas pouco em prevenção estrutural. Um estudo de 2024 do Banco Mundial apontou que apenas 12% das edificações na zona rural de Tolima seguem normas básicas de resistência sísmica. Isso significa que cada tremor de magnitude 4 ou superior tem potencial para causar danos desproporcionais, como os agora observados. Para o contribuinte colombiano, a conta chega sempre depois do desastre, e não antes.
Análise FORTIS: O episódio de Chaparral é um exemplo clássico de como o Estado falha em seu papel mais básico — proteger a vida e o patrimônio dos cidadãos — ao mesmo tempo que tributa pesadamente a população para financiar uma máquina pública ineficiente. A Colômbia tem uma carga tributária de cerca de 27% do PIB, mas os indicadores de infraestrutura e preparação para desastres estão entre os piores da OCDE, da qual o país é membro desde 2020. Enquanto isso, o setor privado de seguros e engenharia poderia oferecer soluções mais ágeis e eficazes — como apólices paramétricas que liberam recursos automaticamente após tremores acima de determinada magnitude —, mas a burocracia e a desconfiança no ambiente de negócios inibem esse mercado. A prefeitura de Chaparral, em nota, informou que “não dispõe de orçamento para obras de reforço sísmico”, mas gasta R$ 12 milhões anuais (em valores convertidos) com folha de pessoal da administração municipal. O problema não é falta de dinheiro, é má alocação.
Contraponto: É justo reconhecer que a Colômbia enfrenta desafios geográficos e de descentralização administrativa. O governo Petro argumenta que a prioridade é a redução da pobreza e que a prevenção sísmica é cara. De fato, um programa de retrofit sísmico para todas as edificações precárias do país custaria cerca de US$ 8 bilhões, segundo a Associação Colombiana de Engenheiros Sísmicos. Mas o mesmo governo gastou US$ 1,2 bilhão em subsídios a cooperativas agrícolas ineficientes em 2025, segundo o Ministério da Fazenda. A questão não é se o Estado pode gastar, mas se escolhe gastar onde realmente importa. Os moradores de Chaparral, enquanto isso, dormem ao relento ou em abrigos improvisados, esperando que a promessa de ajuda se concretize.
Por Renan Filho · 2026-09-23