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Colômbia entrega nova delegacia em Riomar: mais Estado ou mais eficiência na segurança pública?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

A prefeitura de Barranquilla inaugurou neste mês a Estação de Polícia Riomar, no coração do bairro nobre do norte da cidade. A obra promete reforçar o policiamento em uma das regiões mais visadas pelo crime organizado, mas levanta questões sobre o modelo de gestão da segurança na América Latina.

O bairro Riomar, um dos cartões-postais de Barranquilla, ganhou neste mês uma nova Estação de Polícia – a primeira sede própria da força no local. A estrutura foi entregue pela prefeitura em parceria com o governo departamental do Atlántico, com capacidade para abrigar 80 policiais e viaturas. Segundo a administração municipal, a unidade funcionará 24 horas e deverá reduzir o tempo de resposta a ocorrências na região.

Em publicação nas redes sociais, o prefeito Alejandro Char afirmou que a delegacia representa “um passo concreto para devolver a tranquilidade às famílias do norte”. A obra custou aproximadamente 4,5 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 5,8 milhões), valor que inclui modernos sistemas de monitoramento e centro de inteligência local.

A escolha de Riomar não é casual. Dados oficiais da Polícia Nacional colombiana indicam que a localidade concentra 18% dos furtos a residências e 12% dos roubos de veículos em Barranquilla, apesar de representar menos de 5% da população do município. A criminalidade na área é alimentada por facções que disputam o controle de rotas de tráfico para o Caribe.

O modelo adotado segue a tendência latino-americana de concentrar recursos em áreas de maior densidade econômica. Críticos apontam que isso reforça desigualdades no acesso à segurança – um argumento que, segundo a ótica liberal-conservadora, ignora a lógica de eficiência: onde há mais patrimônio e movimento, o retorno social do investimento em policiamento tende a ser maior, desde que a gestão seja transparente e mensurável.

Por que isso importa A segurança pública na Colômbia, assim como no Brasil, sofre de um paradoxo: gasta-se muito – cerca de 1,5% do PIB colombiano em segurança e defesa –, mas a sensação de impunidade continua alta. Segundo o Índice de Paz Global 2025, a Colômbia ocupa a 140ª posição entre 163 países em segurança interna, atrás de nações com orçamentos menores, como Uruguai e Costa Rica.

A nova delegacia em Riomar não resolverá o problema estrutural sozinha, mas representa um acerto tático: aproximar a polícia do cidadão e reduzir o tempo de resposta. O que falta, em ambos os países, é um modelo que incentive a competição entre unidades policiais por resultados, com bônus para redução efetiva de crimes, e não apenas para aumento de números de prisões ou apreensões – métricas muitas vezes infladas para justificar orçamentos.

Análise FORTIS Sob a ótica do liberal-conservadorismo, a iniciativa tem méritos claros: foco em área de alta demanda, integração de tecnologia e participação do setor privado no financiamento (parte dos equipamentos foi doada por empresários locais). Isso demonstra que, quando o Estado age com inteligência e permite a colaboração da iniciativa privada, os resultados podem superar os modelos burocráticos tradicionais.

No entanto, o FORTIS não pode ignorar uma falha grave: a Colômbia ainda opera com um sistema de segurança pública excessivamente centralizado e refém de sindicatos policiais que resistem à avaliação de desempenho individual. A nova delegacia, por mais moderna que seja, continuará subordinada a uma estrutura que premia a antiguidade e não a eficiência.

Contraponto Defensores do modelo colombiano apontam que a descentralização parcial – como a criação de polícias metropolitanas em Bogotá, Medellín e agora Barranquilla – já reduziu homicídios em 23% nos últimos cinco anos. Dados oficiais do Ministério da Justiça colombiano confirmam a queda, mas omitem que a taxa de esclarecimento de crimes violentos ainda é inferior a 30%, contra 50% na Costa Rica, país vizinho com metade do gasto per capita.

O risco, portanto, é que a nova delegacia se torne mais um símbolo do que uma solução. Para que Riomar e outras comunidades do norte de Barranquilla realmente se beneficiem, é preciso que a prefeitura e o governo departamental publiquem indicadores de desempenho mensais – como tempo médio de resposta, taxa de resolução de casos e índice de reincidência – e que esses dados sejam auditados de forma independente.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.